Duas para escolher no The Ribs
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Falar de sangrias é algo que pode gerar fraturas na sociedade. Não é um assunto pacífico em Portugal. É uma bebida que tem fãs aguerridos e que tem detratores indefetíveis. O amor pela sangria fresca e reconfortante pode encaminhar os seus amantes ao ódio do purgatório alcoólico, pois há sempre aqueles que acreditam que a bebida não é sumo nem é vinho.

Escrevo esta crónica sobre sangrias porque gosto delas, claro. Mas sigo aquela máxima comum que muitos apregoam e que nada quer dizer: Gosto, mas tem que ser boa! Este conceito perfeitamente parcial leva a que cada um de nós aprecie a que quiser.

De qualquer modo, há critérios mínimos para que uma sangria saia boa quando é feita, que é a que todos os componentes sejam bons. Uma sangria é a soma de tudo o que usamos na receita e, se nivelarmos tudo por baixo, nunca conseguiremos um resultado satisfatório. Os vinhos têm que ser aromáticos, os espumantes bem secos (já há muito açúcar no resto da receita) e as frutas bem escolhidas, assim como os refrigerantes, se forem uma opção. Claro que nos restaurantes o desafio da elaboração da sangria pode ser maior do que quando a fazemos em casa, mas, na verdade, há-os a fazer boas sem sacrificar a consistência do serviço. Não há nada pior que o segundo jarro não vir como o primeiro.

Não gosto delas aguadas. Mesmo límpidas e transparentes, têm que ter um sabor intenso, serem densas e de sabor forte e prolongado. Uma sangria de frutos vermelhos “cor-de-rosinha” e com dois mirtilos a boiar dificilmente pode ser chamada de sangria. O cliente paga couro e cabelo por uma mistura de vinho, bebidas alcoólicas (sim, quem disse que a sangria é só vinho e gasosa?) e fruta e merece, pelo menos, os melhores ingredientes e uma receita de jeito.

Aqui pelo Porto há boas sangrias. Cresceram na proporção das esplanadas. Quer para refrescar ao final da tarde, fazer uma pausa num passeio ou harmonizar com o almoço ou jantar mais descontraído, há várias opções. Por isso, vou dividir as minhas propostas entre as que acompanham refeições e as que se bebem sozinhas.

Na Casa da Foz, a casa de comida italiana que nunca desilude, tem uma sangria branca, leve e com sabores da fruta clássica, como os citrinos e as frutas de pomar. É acolitada por muita fruta e apetece beber tudo de uma vez, mas não pode ser. Tem que se ir sentindo o refresco para entrarmos bem na refeição e acompanhar os pedidos à medida que chegam, pois o álcool bem integrado pode pregar uma rasteira. E ninguém quer isso.

No L’Kodak é possível encontrar algo raro, que é uma sangria que acompanha sushi. Estas duas coisas são muito boas neste espaço de Leça da Palmeira e, pensado ou não, a sangria amarela focada em sabores de fruta tropical harmoniza bem com o estilo de sushi praticado no restaurante, o moderno. É densa e com o final doce, mas que em tudo combina com o calor e a praia, para além da comida.

Ainda no campo das harmonizações, a sangria da casa do The Ribs é uma excelente opção para acompanhar os barbecues que ali são servidos, das asinhas de frango ao bife com molho de ervas. É uma sangria intensa e exagerada, complexa e muito fresca no final, que acalma a intensidade de sabores e molhos das ofertas da casa.

No centro do Porto é possível provar umas das melhores sangrias do país. É na NoSolo Itália que a famosa sangria de espumante está disponível, assim como em todos os espaços desta cadeia no país. Apaixonei-me por ela em Vilamoura há muitos anos e fiquei muito contente quando vi que no Porto não tinha saído da lista. É perfeita para fazer uma pausa e acompanhar com uma focaccia. Quase toda a fruta são morangos desfeitos que se envolvem no espumante e conferem o lado doce e frutado à bebida.

Um espaço tranquilo e calmo é o Champ’s Palmeiras, na Cantareira. E a que se deve pedir é a sangria de morango e espumante, embora também haja uma tropical e espumante. Centrada naquele fruto vermelho, é uma sangria densa e cremosa onde se sente a frescura e a acidez dos ingredientes sem que o gelo incomode.

Finalmente, para desfrutar de uma vista lindíssima do Douro, uma paragem no MXM ArtCenter. Este centro de artes performativas urbanas tem várias valências e uma delas é o MXM Food&Drinks, que ocupa parte do espaço. Pedi a sangria branca, que chegou translúcida, cheia de sabor multivitaminas e pareceu-me adoçada com xarope de açúcar e não a versão tradicional em grão. Isto é uma vantagem, pois a bebida fica mais cremosa e consistente.

No meu caso, vou aproveitando os dias quentes para experimentar sangrias a aproveitar a doçura e frescura que elas sempre oferecem. Os detratores podem pedir um fino, que eu não os expulso da mesa!

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