O Cúpula Circus Village Festival, um dos projetos culturais mais distintivos de Vila Nova de Gaia, prepara-se para entrar numa nova fase. Depois de vários anos com epicentro em Arcozelo, em comunicado, a organização do evento faz saber que o festival deverá deixar aquela freguesia devido a dificuldades financeiras associadas à atual Junta, que, segundo fontes próximas do processo, já não reúne condições para assegurar a produção do evento nos moldes habituais.
Apesar da mudança, o futuro do festival não está em risco. A Câmara Municipal de Vila Nova de Gaia e o INAC – Instituto Nacional de Artes do Circo, entidade promotora do projeto, encontram-se a reorganizar a estrutura e programação do Cúpula Circus Village Festival, com o objetivo de garantir a realização da 9.ª edição em 2026, através de um novo modelo mais abrangente e distribuído pelo território gaiense.
Ao longo da última década, o festival consolidou-se como uma referência cultural no panorama nacional, destacando-se pela aposta em linguagens contemporâneas, cruzamentos disciplinares e experiências performativas imersivas. O evento trouxe a Gaia dezenas de artistas nacionais e internacionais e construiu uma relação próxima com o público através de uma programação alternativa e inovadora.
Uma das marcas identitárias do Cúpula Circus Village Festival continua a ser única em Portugal: trata-se do único festival realizado maioritariamente em tendas de circo, criando uma atmosfera singular onde espetáculo, proximidade e experiência artística se fundem num mesmo espaço. Essa identidade tornou-se um dos principais fatores de diferenciação do projeto no circuito cultural português.
Segundo fontes ligadas à organização, está atualmente em desenvolvimento uma nova visão estratégica para o festival, que passa por descentralizar a programação e ocupar diferentes espaços urbanos do concelho. A intenção é ampliar a escala do evento e posicionar o Cúpula Circus Village Festival como um dos maiores festivais de artes performativas do país.
Esta transformação acompanha também a atual estratégia cultural da Câmara Municipal de Gaia, que tem vindo a reforçar o investimento na cultura enquanto eixo de identidade, participação e desenvolvimento territorial. Vários agentes culturais consideram que esta nova abordagem representa uma tentativa de revitalizar uma dinâmica artística que terá perdido expressão em anteriores ciclos autárquicos.
Embora ainda não tenham sido oficialmente anunciados os novos locais ou o formato definitivo da edição de 2026, tudo aponta para a continuidade do festival, agora renovado e com ambições reforçadas. Para muitos agentes culturais e espectadores, o essencial é garantir que Gaia mantém vivo um projeto que, ao longo de quase uma década, se afirmou como espaço de criação, experimentação e encontro artístico.

