Freestyle de sushi de fusão
- publicidade -

Há vida na Terra e há vida no Terra. Penso que posso começar assim esta crónica dado as experiências recentes que tive num restaurante que esteve cheio ao jantar e ao almoço, mas nem por isso frenético ou cansativo. O Terra, como sempre, continua a cultivar a aura mística de fusão asiática na comida e um excelente sushi. Fiquei com a ideia de que, no início do Terra, o antigo “Oriental” se quis mover para o Mediterrâneo, mas em boa hora os clientes da casa fizeram o seu papel para se manter o cariz asiático de fusão.

E assim chegamos ao Terra pós-pandemia, a vibrar a energia de quem volta à vida, com uma decoração centrada num “pátio” interior gigante no primeiro andar, com mesas de jardim e muitas plantas a imprimir um lado informal ao decór.

A decoração do Terra

O serviço de sala também está muito bom, cuidado, atento e profissional. Numa das vezes fui com uma pessoa que nunca tinha experimentado sushi. Na volta do pedido, o itamae recomendou mudar e servir um freestyle mais moderno do que o meu pedido tradicional para que a adaptação do debutante em sushi fosse mais fácil. Aceitei a recomendação e correu muito bem. O comentário do meu companheiro de mesa foi que era muito bom que o arroz da escola fosse como o daquele sushi. Delfim satisfeito, aposta ganha.

O melhor elogio que se pode fazer ao sushi do Terra é algo que deixaria qualquer profissional japonês muito contente. Sendo um dos melhores sushis da cidade do Porto e tendo tido já alguns itamae a ali oficiar nas quase duas décadas de vida, a consistência da sua oferta continua permanente e sóbria ao longo de todo este tempo.

Rabanada de Sake com gelado de açaí

Mas a identidade de fusão do Terra não se limita a um bom sushi com alguns pratos da sua órbita. A lista de entradas, peixes e carnes tem sempre um cunho exótico a Portugal e uma elegância rara à oferta gastronómica portuense.

Depois de gyosas na chapa, veio para a mesa um bife Wellington “à moda do Cafeína” de massa folhada dourada e interior mal passado e suculento, acompanhado por uns espinafres embebidos num molho com um final doce e intenso. E veio também um magret com molho hoisin, o barbeque chinês, com um toque laranja que tantas vezes acompanham esta peça do pato. Carne tenra e rosa acompanhada por um risotto de espargos frescos e firmes, que fez uma boa combinação.

O novo vinho de Cancela de Abreu e Raul Ria D’Ave, que também assina a carta de vinhos do Terra

Boa combinação foram também os vinhos, cuja lista foi elaborada pelo Raul Riba D’ave, que conheço bem e que, não sendo extensa, tem a preocupação de fazer propostas para tão grande diversidade de pratos, ingredientes e molhos.

Nas sobremesas, para além do clássico fondant de caramelo, que existe na lista desde que nasceu, também recomendo a rabanada de sake com dulce de leche, uma variação da torrija basca, bem feita, cremosa por todo e cheia de sabor. Calhou-me no menu do dia uma taipoca com ananás salteado, quente e fresca na acidez do fruto, que rematou muito bem aquela refeição.

Em suma, o Terra regressou e continua bom. Um bom exemplo para nos mostrar que a contemporaneidade na restauração pode significar consistência e, sobretudo, longevidade.

- publicidade -