Passeios Gourmet: Bons caracóis e outros petiscos n’O Tasco, em Grijó

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Como é difícil encontrar um bom prato de caracóis no Norte! É uma pena estes moluscos não serem mais comuns nas mesas nortenhas mas cá em cima não temos tradição que sustente o serviço destes petiscos de forma generalizada. Isso é bom para as casas que os fazem bem, pois podem vir a ser pontos de peregrinação se forem bem feitos.

Na estrada Nacional 1, quando saímos de Grijó para sul e mesmo antes de entrar em Argoncilhe, à direita, encontramos “O Tasco”. É um local de construção moderna mas decoração rústica e vintage, como se exige a um tasco, cozinha aberta, algumas mesas corridas e bicos de cerveja bem à vista. Há também lá atrás uma esplanada altamente recomendável que, não sendo bonita, é um paraíso de silêncio e espaço por contraponto ao frenesim da incontornável Nacional. Esta tem uma paisagem rural/industrial de onde se vê o mar ao fundo e faz esquecer tudo o resto durante o tempo que quisermos em que estamos lá sentados.

De todas as vezes que o visitei, O Tasco esteve cheio. Se numa sexta-feira à noite não espanta, já numa segunda ao final da tarde deixou-me feliz, pois é sinal de que o espaço é bem recebido pelos locais e que são estes que fazem a casa.

A lista é de petiscos. Veio broa e azeitonas, levezinhas de boa cura a sentir-se o sal e um queijinho cremoso encimado por umas ervas secas para lhe dar mais sabor. Tomilho, creio. Veio também uma tábua de enchidos variados de boa qualidade, que desapareceu depressa. Já os pimentos padrón eram pequenos, bem salteados, mas nenhum se mostrou “matador”. Não houve roleta russa desta vez. As moelas foram servidas cortadas em pedaços pequenos com um molho leve e picante, como se exige.

Nos petiscos de maior sustento, as pataniscas de bacalhau eram altas e densas e privilegiaram o sabor do peixe em detrimento da massa. O pica-pau apresentou boas matérias primas, na linguiça e na salsicha fresca, molho avinagrado e denso, pickles frescos e bom pão para acompanhar. Já o bife de alcatra ao alho, que veio no ponto pedido e a saber a azeite e alho fresco com um toque de alecrim, é uma preciosidade de sabor e um dos pontos altos da carta. As asinhas de frango estavam bem fritas, sequinhas e crocantes e podiam ser mergulhadas em molho agridoce para complementar o sabor.

Para o fim deixei os referidos caracóis. A raridade do petisco exigiu uma visita própria, com tempo e um final de dia solarengo e quente que me inspirou o início da crónica. Todos sabemos que o segredo dos caracóis é o molho. Os caracóis eram dos pequenos, de tirar com o palito ou garfo e mergulhados num molho picante acutilante e forte, mas que acalma depressa. Assim pudemos continuar a comê-los sem sacrificar a boca e continuar a pedir “mahous” geladas, de bolha fina e espuma leve.

Para preparar o outono e esquecer as cansativas agruras covidianas que todos os dias nos entram pelos olhos e pelos ouvidos, não há melhor que paz, caracóis a sair do tacho e cervejas acabadas de tirar. É o que encontramos n’O Tasco!

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