Foto: Paulo Russell-Pinto
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Desde há alguns anos que não perco a festa do Albariño em Cambados, no início de agosto. É uma celebração de rua dedicada àquele magnífico vinho e à casta que o compõe, tão popular e importante na economia galega. As pessoas vão se juntando pelas ruas da localidade comprando garrafas nas barraquinhas dos produtores, ouvem música, dançam, divertem-se e confraternizam à volta do vinho. Todo o dia e, devo dizer, toda a noite. É uma festa muito particular e que se recomenda a qualquer amante de vinho com espírito de aventura!

Para quem participa em tão hercúleo esforço, há que encontrar casas de pasto que se adequem ao ritmo imposto pela festa e a um merecido descanso entre provas. Logo ao almoço e por vezes no final do dia, o restaurante da pension “Ribeira de Fefinãnes” é o nosso porto de abrigo neste mar de Albariño.

Durante a festa de agosto ou fora dela, no resto do ano, o “Ribeira de Fefiñanes” é um espaço calmo e acolhedor, decorado com estantes de vinhos, decorações marítimas e livros, um bar ao fundo e uma esplanada sobre a ria. O serviço é ágil, fruto de um desafio constante dos seus clientes sobre os empregados, que cumprem muito bem. A cozinha também.

O restaurante propõe-nos sempre uma equilibrada refeição entre petiscos típicos de Espanha (as famosas tapas), os galegos centrados no mar, boas carnes para partilhar e vinhos de todo o mundo. No verão, época em que estamos, podem abrir o apetite uns tomates coração de boi cortados finos e com flor de sal, doces e suculentos, ou uma salada russa com atum da costa, prato fresco de sabores contrastantes. Pode-se pedir a clássica tortilla, cremosa por dentro, os ovos rotos encimados por um presunto magnífico e umas batatas fritas fininhas e crocantes ou ainda umas tirinhas de porco preto grelhadas e temperadas apenas com sal.

Como a cozinha galega não existe sem marisco, lembro-me de lá ter comido zamburinhas, nome galego dado a vieiras de calibre pequeno, grelhadas e servidas com manteiga quente, umas gambas cobertas com uma estaladiça massa katafi, sem esquecer que há sempre alguém que não passa sem o pulpo a feira, essa macia iguaria galega de polvo cortado às rodelas coberto com pimentão doce e azeite!

Outra das maravilhas do “Ribeira de Fefiñanes” é a extensíssima lista de vinhos, que não se fica só pela produção local, mas se alarga a todo o mundo, não fosse o dono José Luís Agarunde, dono de uma garrafeira no centro de Cambados e grande entusiasta de vinhos. Tanto se pode escolher os vinhos da lista como simplesmente ir buscá-los às longas estantes que cobrem algumas paredes do restaurante. De um modo informal e genuíno, qualquer amante de vinhos, peregrino da feira do Albariño ou quem procura boa gastronomia, encontra no “Ribeira de Fefiñanes” um bom lugar de restaurar forças com a magnífica vista da ria de Arousa ao sol pela frente!

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