Alguma da oferta da Queijaria do Almada. Foto de Paulo Russell-Pinto
- publicidade -

A minha relação de ódio para amor com os queijos fez com que seja hoje muito mais minucioso com aquilo que compro e consumo. Não foi, portanto, estranho que o expositor de queijos dos supermercados do El Corte Inglês, há uns anos, tenha sido uma lufada de ar fresco para os fãs que queriam experimentar mais do que as costumeiras ofertas portuguesas.

A Queijaria do Almada. Foto: Paulo Russell-Pinto.

Nós somos um país de consumidores de queijo, mas a oferta de produção é muito limitada quando comparada a outras paragens europeias. Os queijos com origem em leite da vaca predominam e nós habituamo-nos a consumi-lo como uma commodity, algo básico e barato para acrescentar sabor a qualquer coisa ou encher a barriga em caso de necessidade.

Por isso, o aparecimento recente de queijarias independentes em Portugal vem revelar algumas coisas. A primeira é que há um imenso trabalho a fazer na promoção e venda de queijos nacionais absolutamente desconhecidos fora da sua região, quer a nível de Denominações de Origem, quer a nível de marcas. Depois, que há consumidores exigentes e esclarecidos em Portugal, cujas queijarias vêm agora colmatar ao nível da oferta, ou seja, há mercado para esta componente gourmet da gastronomia. Finalmente, porque o mundo não se esgota em Portugal e há muito mais para conhecer fora de portas, a oferta disponível cria valor para quem investe nela.

A Queijaria do Almada, a funcionar há um par de anos na emblemática rua das ferragens do Porto e cada vez mais diversificada, é um destes locais onde nos podemos perder com a oferta de queijos portugueses, mas sobretudo estrangeiros. O dono já possuía um espaço na Galiza e resolveu crescer para a cidade do Porto 2018. Em boa hora o fez!

Um mundo de queijos.

Começar a explorar a origem dos queijos é também entrar num mundo cada vez mais complexo e muito variado. Na Queijaria do Almada essa viagem faz-se muito bem. É possível encontrar um São Jorge 30 meses, um queijo raro fora das ilhas. E, embora o Parmigiano-Reggiano já seja comum nos supermercados, aqui ainda se abre a roda e se vende a peso o que o cliente quiser, em vez de vir embalado da origem. Na penúltima visita tive a oportunidade de trazer para um jantar exclusivo de queijos um pedaço do holandês Gouda DOP de leite de cabra, firme e curado, doce e pouco salgado na boca, meio disquinho de Reblochon de Savoie AOP, francês, com o seu cheiro intenso e difícil e uma cremosidade característica no palato que dá vontade de cortar mais um bocadinho, um Campo da Vinha, pequeno alentejano de ovelha que se apresenta macio e redondo e tem uma grande persistência depois de comido e uma fatia de pecorino trufado, de Itália, omnipresente pelo sabor forte da trufa e um final picante e seco.

Também já lá comprei uma manteiga açoriana, já que a Queijaria também tem uma boa seleção de manteigas, vinhos, compotas e marmeladas.

Ir à Queijaria do Almada é encontrar tudo o que pode combinar às mil maravilhas com tão grande diversidade de queijos e não precisar de mais nada para ter uma grande experiência gastronómica com estes nossos amigos tão desconhecidos em Portugal!

Texto e fotos de Paulo Russell-Pinto.

- publicidade -