O Gourmet do Take Away: Os jesuítas da Moura e seus acólitos!

- publicidade -

Os Jesuítas são uns doces magníficos de massa folhada e açúcar que estão espalhados por todo o país, mas terá sido em Santo Tirso que a aventura começou. A pastelaria Moura, dali originária, conta também com dois espaços no Porto onde se podem comprar estes e outros bolos, que não devem viver à sombra do conhecido Jesuíta. Já vos mostro mais adiante.

É curioso termos uma tradição deste tipo de doces, conhecida no mundo como vienoisserie, nas confeitarias e pastelarias de Portugal, mas praticamente não a consumirmos à mesa. Só com o desenvolvimento da cozinha criativa e do fine dining é que começamos a habituar-nos a ela durante as refeições. No nosso país faz muito mais sentido todos estes bolos serem comidos como lanches ou snacks entre refeições. Talvez seja a tradição doceira que temos, originária de outras latitudes que não o centro da Europa, que nos faz empurrar os “bolos” para fora das sobremesas das refeições, deixando espaço para os pudins, o leite creme ou o arroz doce.

O berço dos jesuítas é a pastelaria Moura em Santo Tirso e o colégio das caldinhas (pertencente àquela ordem religiosa) pode ter sido inspiração. Portugal inteiro abraçou e diversificou a receita, que hoje em dia até pode ter doce de ovos. A da pastelaria Moura, não. Açúcar magnífico em cima e as leves camadas de massa folhada finíssimas completam a iguaria. Mais nada. Simples e complexo ao mesmo tempo. Quando damos uma trinca no pastel, a textura transforma-se na boca até se tornar um creme saboroso dominado açúcar levemente caramelizado por ter ido ao forno.

Mas a Moura é mais: Os limonetes, igualmente conhecidos, os tambores ou os doces de amêndoa. Os limonetes parecem os jesuítas com outro formato, mas são mais do que isso. Têm o toque e a acidez de limão no fundo e uma massa interior “mal cozida” que os torna muito mais densos quando mastigamos. As ameias de açúcar no topo fazem dos limonetes uma reunião de texturas e sabores leves com um final doce nada cansativo. O tambor, com aspeto de jesuíta redondo encimado por uma amêndoa e coberto pelos lados de doce de ovos, faz na boca a fusão de todos os ingredientes. E que bem que fica! Destaco ainda o doce de amêndoa, mais pequeno e de interior cremoso a saber a um massapão leve que nos transporta para o algarve e a sua doçaria de consumo estival para os nortenhos.

Mas a Pastelaria Moura é ainda mais e vale a pena um passeio a Santo Tirso, à baixa do Porto ou ao mercado do Bom Sucesso para explorar as montras e conseguir escolher só um (ou dois ou três, vá) dos bolos que a casa oferece.

Comentários

comentários

- publicidade -