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Caros amigos, começo esta série de crónicas e críticas com um título apelativo de quem confina, trabalha e adora comer e, portanto, tem que se adaptar à oferta dos tempos da pandemia. E à boa oferta gastronómica devo dizer, que continua a haver, mas que não pode ser apreciada da mesma forma.

Marmita do Deli. Foto: Paulo Russell-Pinto

Os restaurantes reabrirão e, um dia, voltarão a servir como gostam e não como podem neste período intermédio. Um restaurante é um local de prazer, de cultura e de convívio e tirar estes elementos ao restaurante é condená-lo. A ver como as autoridades e o setor se adaptam a este reinício que espero que seja o mais curto possível.

Entretanto, este gourmet não vos deixa sozinhos… continuarei a contar-vos experiências gastronómicas, agora em casa e centrado naquilo que os restaurantes oferecem no take-away ou na entrega em casa.

E é com a entrega em casa da Marmita do Deli que começo. O restaurante é de Braga, dirigido pelo André Antunes e pela Joana Vieira e ganhou fama nos petiscos, na comida do mundo, nas carnes maturadas e nos vinhos de pouca intervenção que advoga na restauração. Tenho de fazer aqui a declaração de interesses, porque os conheço bem e sei que estão a fazer um bom trabalho na implementação do conceito de “terminar em casa” aquilo que pedimos de uma lista semanal publicada no Facebook e Instagram.

Vêm ao Porto uma vez por semana. O pedido vem em embalagens ou em vácuo e é só meter no tacho, no formo, no microondas, pincelar, marinar ou montar para que o nosso prato tenha a mesma qualidade e a experiência seja a mais próxima do que consumida no próprio local.

sopa “tom yum” picante. Foto: Paulo Russell-Pinto

Pedi recentemente uma sopa “tom yum” picante, de origem tailandesa, com um fundo fresco de gengibre, complexa e especiada, com cogumelos, pimento e camarão misturados no caldo e um final leve a desejar a próxima colher… Mas depois de passar o adormecimento dos lábios provocado pelo picante! Não é para meninos, mas os corajosos vão adorar…

Também picante são as almondegas em caril thai, que alternativamente revela na garganta, de muito boa carne, um molho cremoso a acompanhar e que não precisa de mais nada para ser apreciado. As moelas de pato, menos picantes do que se anuncia, são sedosas e cheias de sabor a moela. Talvez não se tenha sentido o picante por causa dos dois pratos anteriores, mas mesmo assim, a suavidade da proteína foi um ótimo complemento aos petiscos que já se estavam a degustar.

Os tacos de pato revelaram contraste de sabores e texturas com final doce e prolongado, com o pico de gallo, uma espécie de salada de cebola e pimento da américa central a trazer frescura a conjunto. Viajamos da Tailândia ao México num instante e sem dar por ela, tínhamos feito uma refeição retemperadora.

Uma nota final para o ceviche de atum, que precisa de marinar no leche de tigre que vem à parte e servido conforme mandam as instruções que cada prato pedido na marmita traz.

No “Delicatum” em Braga e na “Marmita do Deli” em nossa casa, a leveza e complexidade dos aromas e sabores que a Joana e o André executam e procuram com paixão não se perdem. Os vinhos, sempre de pouca intervenção ou “naturais”, podem ser pedidos para acompanhar as refeições.  

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