Foto: Paulo Russell-Pinto
- publicidade -

As bifanas do Porto parecem viver à sombra das Francesinhas. São um petisco, uma iguaria com perfil e personalidade muito própria e diferentes das suas irmãs do sul do Tejo. Costumam ser companhia de almoço para aqueles que procuram uma refeição rápida e confortável e até são companheiras em finais de casamentos às tantas da manhã.  

É curioso como muita gente as come mas pouca gente fala delas. Ninguém perde aqueles minutinhos dos jantares entre amigos a discutir onde come a melhor bifana, como faz com a Francesinha.

É uma pena, porque a bifana do Porto merece mais alguma atenção.

Têm um perfil especial. Muito diferentes das suas irmãs ao sul do Tejo, em que a fêvera se apresenta em bife fino e inteiro e o molho à base de manteiga, quase todas as bifanas à moda do Porto são fatiadas muito finas e fazem da trilogia “carne-pão-molho” um equilibro mordaz que o picante omnipresente não deixa esquecer.

O molho da bifana tem tanto segredo como o molho da Francesinha. Levará alguns ingredientes que não podem escapar, como alho, óleo ou azeite, vinho, cerveja, tomate, colorau, pimenta, malagueta e limão, mas depende depois da casa especial ou personalizar o molho da bifana ao seu gosto. O corte da bifana também não é homogéneo. Se há casas que servem a proteína fatiada o mais fina possível, tipo máquina de fiambre, outras fazem gala da sua carne não ir à máquina e a mestria do patrão ditar a sua finura.

A dinâmica da bifana é muito especial, pois estas habitualmente vão ao pão na altura do pedido do cliente, depois de terem estado a cozinhar durante algum tempo numa frigideira gigante onde repousa uma enorme quantidade do molho fumegante e se vai juntando bifana à medida do débito do serviço. Este “mergulhar” no molho abundante e fervilhante permite que a carne confite na gordura e não frite, mantendo-a sempre húmida e suave.

Bifanas há muitas e aqui ficam alguns exemplos de onde se podem comer bifanas na cidade do Porto:

Conga – Quentinhas, muito finas e picantes, é servida com abundância de molho. Este dá um final fresco à bifana. O pão é mole e absorve-o e a trilogia pão-carne-molho ficam bem unidas e harmoniosas.

Icaraí – Servidas com muito molho, são fininhas e a carne é densa. O picante tem um final quente e demorado, que deixa a boca fresca. O Icaraí é um local tranquilo, onde a bifana se pode apreciar com calma.

Churrasqueira do Amial– É apresentada em pratinho de ferro e tem molho em quantidade suficiente para se apreciar. O picante também é mais contido, mas todo o molho se impregna bem na carne de bom sabor. É servida em pão estaladiço.

Astro– Pedaços grossos e consistentes impregnados de molho espesso e picante. Servem-se num pão fresco e estaladiço que vai absorvendo o molho sem nos deixar fugir do sabor intenso permanente da bifana.

Comentários

comentários

- publicidade -