créditos: Holyart
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O turismo religioso é algo comum em terras portuguesas: o Mosteiro dos Jerónimos, a Basílica de Nossa Senhora do Rosário de Fátima, o Convento de Cristo e as Capelas Imperfeitas são apenas alguns exemplos de vários destinos desse segmento popular de atrações.

Porém, outro tipo de actividade económica que gravita em torno do sentimento religioso cresce discretamente devido a avanços tecnológicos: os serviços digitais e o comércio electrónico de artigos religiosos.

As aplicações religiosas talvez sejam o maior exemplo dos serviços. Há várias opções de versões da Bíblia para telemóveis em lojas de apps: versão completa, excertos, audiobíblias e outros. Outros destaques são os aplicativos Pocket Terço, Minha Oração e Deus Conosco, todos eles a reunir referências para conduzir orações ou informações sobre santos e preces litúrgicas. Já a aplicação Cantos Gregorianos Meditação oferece uma experiência sensorial, por meio de um acervo de cantos medievais, sons naturais e imagens com iluminações e cores harmônicas.

A perspetiva das aplicações de telemóvel são promissoras. Apenas no primeiro trismestre de 2020, 31 mil milhões de aplicações foram descarregadas e US$23,4 mil milhões foram gastos em aplicações mundialmente – um crescimento de gastos de 20% ante o mesmo período de 2019. Em um mundo em que o Papa se comunica por várias contas no Twitter, a presença digital é garantida até para a fé.

Unir experiência à venda

Do ponto de vista do comércio eletrónico de artigos religiosos, o caso da Holyart é o mais interessante. A empresa sediada em Modena, Itália, é o maior empreendimento europeu em seu segmento. Arte sacra, vestuário e itens eucarísticos, produtos enogastronómicos, cosméticos e outras mercadorias que simbolizam ou relacionam-se à fé compõem o catálogo desse marketplace.

Os números impressionam: a empresa comercializa mais de 800 itens diários e entrega mais de 80 mil pacote anuais a clientes de mais de 160 países do mundo. Os armazéns da Holyart reúnem itens produzidos tanto por particulares quanto por mosteiros – a maioria vem da Itália e da China.

O negócio de Stefano Zanni e Gabrieli Guatteri teve início em 2007, como tentativa de vender digitalmente produtos armazenados numa garagem – o estoque restante de um negócio físico que malograra. A operação deu tão certo que o novo negócio cresceu 25 vezes em 8 anos. Hoje, a empresa conta com um armazém de 5 mil metros quadrados e fatura milhões de euros anuais.

O Holyart aproveita as vantagens do comércio digital: a possibilidade de alcançar um público maior, a automatização de pagamentos, a manutenção de uma vitrine permanente. A tudo isso, ainda acrescentam um diferencial de comunicação: um escritório próprio de atendentes telefónicos personaliza a solução de dúvidas e demandas da clientela.

Esse tipo de atendimento personalizado sequer é oferecido pela Amazon e sana desvantagens do comércio eletrónico: a impessoalidade da compra e a impossibilidade de provar ou ter um contacto mais próximo com os produtos de interesse.

Perspetiva portuguesa

O comércio electrónico em Portugal avança a uma velocidade inferior à da União Europeia. Pouco menos de 15% das empresas presentes no bloco como um todo dedicam-se exclusivamente a promover vendas online – em comparação com 10% em Portugal. Os países europeus mais digitalizados nesse aspeto são Irlanda e Noruega, ambas com mais de 20% dos comércios exclusivamente digitais, conforme dados da Eurostat, relativos a 2018.

De facto, 28% dos portugueses fizeram compras online em comparação com 53% dos europeus em 2019. A existência no país de estabelecimentos comerciais com boa oferta e convenientes talvez possa explicar a preferência portuguesa por compras físicas. De olho no futuro, plataformas online de comércio já têm se espalhado pelo país. Existem opções facilitadoras para vários ramos comerciais.

Como isso irá se desenvolver? Veremos nos próximos anos e pode ser que a COVID-19 acelere processos de digitalização. Sem dúvidas os artigos religiosos continuarão tendo grande peso e importância.

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