© João Tuna
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O cintilar dos confetes prateados no chão do palco do Teatro Carlos Alberto (TeCA) antecipa a “festa” que ali vai acontecer. Celebrando duas décadas de criação em conjunto, André Braga e Claúdia Figueiredo – da companhia portuense Circolando – apresentam 20.20: uma performance que se inspira no conceito corpo-arquivo, do escritor brasileiro André Lepecki, e que procura “identificar campos criativos não esgotados de novas possibilidades”. O espetáculo estreia-se hoje, dia 3 de setembro, ficando em cena no TeCA até domingo. 

“Névoas, Febre, Coração, Antepassados, Frentes Oclusas, Corais, Corpo Sem Órgãos, Estilhaços, Rituais de Osíris foram as partículas do arquivo eleitas para assentar uma pesquisa que encontrou no “corpo-arquivo” um conceito particularmente inspirador.” As palavras são de André Braga e de Cláudia Figueiredo e revelam a abordagem feita aos materiais documentais recolhidos ao longo do percurso da companhia: textos, movimentos, motes de pesquisa, músicas, objetos, entre outros. 

Ainda que refletindo sobre estes 20 anos de atividade da Circolando, o espetáculo está orientado para o futuro, lançando pistas sobre esses tempos que estão por vir. Longe de uma abordagem revivalista ou nostálgica, em 20.20 explora-se a “invenção radical de novas vidas”, desdobrando-se os materiais originais que lhe servem de base, com o intuito de promover um cruzamento entre passado-presente-futuro. Fazendo ainda referência aos dias de isolamento vividos este ano, e que adiaram a estreia do espetáculo, os dois responsáveis pela direção artística da performance sublinham: “o que andava embrulhado sobre o que queríamos para 20.20 foi-se esclarecendo: um sonho. Inventar um sonho.” 

Em palco, os corpos (arquivo) surgem, primeiro timidamente, como que a sintonizar-se ao ritmo dos sons e das vozes dispersas que se ouvem na sala. Com a evolução do espetáculo, o crescente da música e os jogos de luz, os seus movimentos conduzem ao êxtase. Em cena assiste-se a uma verdadeira “festa”, com confetes que são lançados e que se vão colando aos corpos dos intérpretes. Ana Isabel Castro, André Braga, Bruno Senune, Constanza Givone, Daniela Cruz, Félix Lozano e Ricardo Machado são, além de performers, também cocriadores do espetáculo. 

Resultando de uma coprodução Circolando, Teatro Nacional São João, São Luiz Teatro Municipal, e CMA/Teatro Aveirense, o espetáculo pode ser visto à quinta e sexta-feira, às 21h00; ao sábado, às 19h00; e ao domingo, às 16h00. Na récita de dia 5 de setembro haverá uma conversa no final do espetáculo, orientada por Jorge Louraço Figueira. Para maiores de 12 anos, o preço dos bilhetes da performance é de 10 euros.  

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