Sting provocou mais uma enchente… Chamem os The Police!

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Tiago Nacarato. créditos: Diogo Baptista/Global News

Tiago Nacarato foi um dos primeiros motivos de interesse neste terceiro dia do festival no palco MEO. Apresentou-se com um numeroso conjunto de músicos cuja incumbência foi tomar conta (ou tomar nota… musical) de: teclados, baixo, bateria, flauta transversal, guitarras, metais e congas. Uma brigada bem-disposta, chefiada pelo músico portuense, assomou ao palco cerca das 19h30, bem ao jeito de uns Beach Boys, admitimos que as camisas nos induzam a esta percepção. Levaram-nos pela ‘Califórnia Gaiense’ a experimentar sons mais atinentes à música popular portuguesa combinados com bossa nova e samba, uma pitada de rock e folk, e isso foi o suficiente para o autor de “Pontos nos Is” embalar os circunstantes. É um projecto musical bem interessante o de Tiago Nacarato, muitas pernas para andar.

Morcheeba. créditos: Diogo Baptista/Global News

Os Morcheeba destilam classe em palco. A mescla de géneros praticados vai do trip-hop ao rock, do R&B ao folk, passa muito pelos ritmos da pop e pela country soul. A voz de Skye Edwards enleia e cativa no extravasar sereno e cálido, possuidora de uma pose algo enigmática, a cantora esteve firme no estrado: vestida de negro, com um chapéu alongado (preto e em formato das patrulhas canadianas) a cobrir-lhe o extenso cabelo entrançado. Steve Gordon no baixo, Jaega Mckenna Gordon na bateria, Dominic Pipkin nos teclados e Ben Cowen na guitarra (que bem esteve) encarregaram-se da condução melódica que planou ao longo de quase uma hora a partir do estrado e com aterragem suave nos ouvidos do público. Até as versões de “Let’s Dance”, de David Bowie e “Summertime” soaram bem.

A partir das 21h45 tornou-se mais difícil a circulação no espaço contíguo ao palco principal. Mais uma enchente no MEO Marés Vivas à vista, com o elã atractivo de Sting a convocar fãs e curiosos até à Antiga Seca do Bacalhau.

Sting. NR: Foto do concerto de 2017, no mesmo festival. Para este ano, o nosso jornal não aceitou as condições impostas pelo musico para fotografar. créditos: Diogo Baptista / Global News

Figura proeminente e respeitada no panorama internacional, com uma carreira que deixou pegada com lastro à boleia da new wave com os Police, bem como com um venerado percurso a solo, Sting voltou ao Festival Marés Vivas nesta versão 2019 depois de ter estado na edição mais fluvial de 2017. O que não será nada despiciendo como referência é o facto de ter vendido mais de 200 milhões de discos e ter vencido 16 prémios Grammy.

O recinto encheu de novo, desta feita para presenciar o desempenho do inglês que já viveu em Nova Iorque e agora divide o seu tempo entre os EUA e a Europa. À hora marcada, pontualidade absolutamente britânica, o cantor e baixista entra no palco MEO vestido de negro o que contrasta com a barba e os cabelos brancos. Posiciona-se bem ao centro do estrado com o seu baixo de estimação, onde são visíveis a marcas do tempo. Bateria, coros, duas guitarras e teclados e está montada a tenda (nas duas acepções, há mesmo uma aparelhada em pleno palco na parte lateral).

A celebração inicia-se com “Message in a Bottle”, dos Police, falta alguma calibração no som que depressa é resolvida. Há palmas ritmadas em compasso unitário a acolher o refrão e vozes, muitas vozes, a repeti-lo. Sem grande tempo para reticências, logo após a receptividade positiva da primeira proposta do alinhamento, entra a muito cadenciada “If I Ever Loose My Faith To You”: bateria em grande, com aquela acústica de algo bem percutido em som metálico, coros a preceito e Sting na liderança. “Estou a gostar de estar aqui com vocês”, atira logo a seguir, para satisfação colectiva. “I’m An Englishman in New York”, aquele tema com muita pinta nos arranjos, é a que se segue.  

E é aí que Sting ‘mete a quarta’, no arranque para “If You Love Somebody Set Them Free”. “Brand New Day” também acaba a pairar no espaço, a partilha e o espírito de comunhão intensifica-se do vector palco para o vector público e vice-versa. Os estímulos musicais incentivam deste modo à partilha da boa energia. “Seven Days” segue a linearidade, bem como “Fields of Gold”, sempre com aquela delicadeza aveludada na voz e no registo algo jazzy melódico, marcado aqui e ali pelos tons rock e alguns laivos de reggae mais adiante. “Shape of My Heart” afina pelo mesmo diapasão, o público está naturalmente agradado pelo conjunto harmónico de que desfruta e há gente ‘a escutar à gola’ no exterior do recinto: umas boas 3 dezenas de aficionados que aproveita a boa qualidade sonora.

Os 50 anos da ida do Homem à Lua têm direito a tributo com “Walking On The Moon”, também dos Police, com direito a uma ligeira inflexão para “Get Up Stand Up”, de Bob Marley. Parece impossível cantar “So Lonely” acompanhado de tanta gente, mas é mesmo o que acontece. E na sequência da prestação, “Desert Rose” perfila-se com aquela matriz quase tribal e inspira ao canto e à dança. “Roxanne”, um dos temas mais célebres da banda que Sting partilhou com Andy Summers (guitarra) e Stuart Copeland (bateria), surge banhada por luzes vermelhas despejadas no palco. Mais adiante surge “Demolition Man” e tudo finda com “Every Breath You Take” cantado por todos os peregrinos melómanos.

No encore, o reencontro faz-se com “King of Pain”, ‘mais um tema de(a) esquadra’, segue-se-lhe “Next to You” e a epifania surge com a muito esperada evocação musical plena de beleza, com sting à guitarra, em “Fragile”, afinal uma das características da condição humana. Um concerto à altura de um grande escritor de canções que, tal como em 2017, deixa a sua marca no festival, ainda bem que a voz não o traiu ao ponto de ter de cancelar o espectáculo, tal como fez noutras paragens europeias recentemente.

HMB. créditos: Victor Sousa

Os HMB tiveram a difícil tarefa de animar um terço de resistentes, que com algum estoicismo sempre aguentam a parada até ao final. Num palco embelezado com o logotipo em relevo das letras, os portugueses esforçaram-se para fixar os presentes com a soul, o r&b e uma boa dose de hip hop que os caracteriza.

100 mil pessoas ou perto disso encheram a edição de 2019. O Festival MEO Marés Vivas regressará no terceiro fim-de-semana de Julho de 2020 (17 a 19, segundo a organização) num novo espaço a designar. O balanço final para a edição 2019 aponta para uma boa prestação de alguns projectos musicais e bandas, com destaque para os espectáculos de Ornatos Violeta e Sting, a milhas dos restantes, bem poderíamos dizer. No plano dos interessantes ficaram os Morcheeba, Keane, Mando Diao (apesar do percalço) e os histriónicos Don Broco. O MEO Marés Vivas tem todas as condições para se afirmar, assim o deseje a organização sem embarcar no desígnio fácil de satisfazer gregos, troianos e espartanos. A demanda por uma linearidade na programação, que defenda uma qualidade genérica do cartaz e que o liberte dessa amálgama ilusória de satisfação média universal é o que se recomenda. Uma sugestão ao nível do trabalho com a comunicação social: a necessidade efectiva de um apoio mais efectivo e eficaz apesar do sentido de autonomia dos profissionais destacados para o efeito.

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