Keane de ‘Sussex(o)’ e ‘a dose dupla’ dos Kodaline no MEO Marés Vivas

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Diogo Baptista / Global News

O Festival Marés Vivas teve em Mishlawi o seu primeiro interveniente musical com direito a uma mancha de público que se preze. O americano com uma parcela muito significativa dos seus 22 anos vivida em Portugal desfilou um conjunto de temas do alfobre “Solitaire”, mas a actuação não ficou tributária apenas do álbum que o consagrou. “Uber Driver” continua a ser o ponto forte do artista descoberto por Richie Campbell. A soma do hip-hop e o R&B pela qual pauta as suas actuações em termos melódicos parece ter sido bem acolhida pela audiência.

Diogo Baptista / Global News

Encetamos uma volta de reconhecimento pelo espaço para avaliar as mudanças, após a constatação in loco da alteração do palco principal e da sua nova disposição no terreno face à alegada questão do vento e faz-se tempo para a actuação dos portugueses Quatro e Meia. Um aglomerado de gente muito considerável vai-se juntando junto ao palco MEO. Os conimbricenses são portadores de algum ar fresco ao festival, se é que este em termos climáticos e numa outra acepção já não se tivesse instalado há algum tempo com uma intensa bruma daquelas do tipo ‘fere-costa’. O evento está encostado à orla marítima do Atlântico e essas vicissitudes sentem-se sempre.

Os Quatro e Meia. Diogo Baptista / Global News

“Pontos nos Is”, registo gravado a 30 de Junho deste ano, dá o mote para o concerto dos enfatiotados João Cristovão Rodrigues (violino e bandolim), Mário Ferreira (acordeão e Voz), Ricardo Liz Almeida (guitarra e voz), Rui Marques (contrabaixo) e Pedro Figueiredo (bateria). Em boa toada, numa tónica de boa disposição reinante a tentarem cativar o público, os Quatro e Meia assinaram um espectáculo marcado por canções simples de trautear, com letras de fácil assimilação mas sem a ligeireza na utilização da Língua Portuguesa  que caracteriza muito boa gente do panorama musical na actualidade. A composição é tributária de um balanço entre a modernidade e uma fonte de inspiração tradicional. Sinal mais para as projecções de vídeo cuja concepção em termos visuais denotou algum cuidado qualitativo. “Baile de São Simão”, “O Tempo Vai Esperar” e “Prá Frente É Que É Lisboa” são temas que soam a pop com esse laivo de tradição que caracteriza a música que explanam a partir do estrado. E o público parece ter gostado.

Um compasso de espera suficiente para quem quer ousar mais uma bebida e uma bucha, que a fome sempre se impõe aos foliões e as horas de permanência no MEO Marés Vivas ainda são alongadas.

Os Keane. Diogo Baptista / Global News

À hora marcada, e já com uma mancha de gente suficientemente vistosa e compacta, os repetentes Keane, estatuto de quem já havia estado no festival em 2009, voltaram a presentear os fãs com nova visita. O acolhimento foi caloroso, com Tom Chaplin a exultar com o regresso e o público a responder com um clamor, que como se sabe se acentua a partir de quem está encostado às grades e não quer perder pitada.

O início dá-se com “Bend and Break”, tema abraçado por luzes amarelas. “Como estais?”, perguntou num português arranhado, jurando serem as únicas palavras que saberia dizer no nosso idioma. Depois, no inglês nativo, desafia os circunstantes: “Espero que desfrutem de um bom momento. Se quiserem dançar, estejam à vontade, façam o que vos der na cabeça!”. 

“Silenced by the Night” entra logo a seguir. Ouvem-se os acordes the “On the Road” e Chaplin está sempre na dianteira, pronto para contagiar o público, mesmo numa noite em que o peso de uma névoa algo gélida se faz sentir e leva o vocalista a confessar “Nunca senti tanto frio em Portugal!”… Chaplin, que é o repetente-mor do Marés Vivas, pela segunda vez enquanto líder dos Keane e uma a solo, continua agitado, percorre o palco da direita à esquerda e vice-versa, enquanto canta “The Way Feel”  ou “Spiralling”. A verdade é que quando os ouvimos, todos os temas parecem ser hits, êxitos, como é o caso deste “Nothing In My Way” cantado em uníssono pelo vocalista e pelas hostes. E que dizer para além disso, se à posteriori surge logo “You Are Young”.

Os Keane. Diogo Baptista / Global News

Tim Rice-Oxley está apegado às teclas, Richard Hughes prossegue o toque suave e cadenciado na bateria e Jesse Quin continua o seu exercício de devoção às linhas do baixo, o concerto avança em comunhão com a miríade que o presencia. “This Is the Last Time” e “Is It Any Wonder?” combinam a senda da aceitação partilhada: palco-público, palmas e canto sabido de cor pela população é o que se ouve e vê.

“Try Again” insinua-se pelos teclados insinuantes de Tim e pela voz de Tom, uma parceria Tim-Tom, secundada pela mais recente “Love Too Much”. E a acabar, no meio de uma promessa de regresso rápido ao palco, as mais afamadas “Everybody’s Changing” e “Somewhere Only We Know”, com o público já há muito rendido.

“Chase the Night Away”, “Crystal Ball” e “Sovereign Light Café” foram o verdadeiro ‘trio de ataque’ ao encore de um concerto bastante competente dos britânicos, para quem gosta do estilo de música praticado, claro está.

Kodaline. Diogo Baptista / Global News

Para finalizar a noite no palco MEO foram convidados os irlandeses Kodaline que, à custa da desistência dos conterrâneos Snow Patrol, estiveram presentes no Cabedelo. E na Antiga Seca do Bacalhau, uma vez mais, comportaram-se a preceito. O motor de arranque para o concerto fez-se com recurso a “Follow your Fire” numa altura em que ainda estava muita gente no recinto, apenas com registo de alguns abandonos devido ao frio. “Brand New Day” serviu para cativar o público, agarrando-o ao restante alinhamento: um desfile de canções que o multi-instrumentista (guitarra, piano, bandolim e harmónica) Steve Garringan soube sempre liderar em palco. De “Ready” a “Honest”, passando por “Brother”, em jeito marcadamente aveludado, ou em “The One”.

Para a posteridade ficam as evocações em regime de versões de final de noite com “Wicked Game”, um clássico de Chris Isaak, cuja envolvência criada foi um dos sublinhados nocturnos e ainda “Chasing Cars”, dos comparsas Snow Patrol, bem ao jeito de se não os podes trazer cá… há que ir ter com eles! A emoção ficou de igual modo tracejada na memória dos presentes. Hoje há sobretudo uma reunião magna, a não perder, marcada para o MEO Marés Vivas, com os Ornatos Violeta.

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