Ladysmith Black Mambazo. créditos: Mário Pires FMM Sines / Festival Músicas do Mundo
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“Lotação esgotada”. Na manhã de domingo, umas folhas A4 impressas à porta da bilheteira do Festival de Sines, no centro da cidade, confirmavam o que se percebeu junto dos palcos do Músicas do Mundo no sábado: gente, e mais gente e mais gente. Tanta que, passava pouco das nove da manhã e, na praia, ainda alguns resistentes da noite passada (bem, de um par de horas antes) concluíam conversas sobre qualquer impercetível, até para eles, enquanto uns metros ao lado uns miúdos tinham mais uma aula de surf, fase inicial, ainda a nadarem na prancha.

Nas esplanadas também alguns turistas de fim-de-semana se cruzavam com espetadores do festival, distinguindo-se erroneamente pela indumentária, e os bares improvisados estavam na maioria fechados, enquanto as lojas de recuerdos de portas abertas com aqueles produtos que não se encontravam nas tendas improvisadas de venda montadas para o festival.

Os funcionários da Câmara Municipal de Sines iam limpando as ruas, recolhendo dezenas de sacos de copos de plástico e garrafas de vidro, jorrando água sobre os passeios ainda carregados de beatas, cinza, etiquetas de preços, pendericalhos vários e lentes de óculos de sol desaguando nos bueiros. Funcionários das empresas de aluguer de equipamentos desmontavam ainda pela fresca a régie que durante quatro dias apurava o som e direcionava a luz dos concertos dentro do castelo.

Menos de dez horas antes, cercados por milhares de pessoas, e protegidos pelos ferros agora desmontados, os técnicos de luz e som concentrados no palco faziam o que podiam para que o som atinge a perfeição: Fosse com o som pop dos Virgem Suta, a limpidez vocal dos Ladysmith Black Mambazo, a parafernália eletrónica dos Batida Ikoqwe, a superbanda Underground System e o reggae dos Inner Circle.

Sines acordou com turistas tradicionais e fãs do festival a misturarem-se nas ruas e nas praias. Foto: Filinto Melo

Os jamaicanos foram os últimos a subir ao palco mas tiveram direito ao habitual fogo-de-artifício do concerto de fecho do palco principal do festival. Com imagens dos seus 50 anos de carreira a passarem em fundo, e dois dos irmãos fundadores do grupo entre a banda atual (Ian e Roger Williams), os Inner Circle percorreram sem complexos os seus maiores hits, nomeadamente os retirados do álbum Bad Boys, incluindo o tema-título, Rock with you e o famoso Sweat (A la la la long), mas também covers de Imagine e dos Doors.

O público adorou, cantava estrofes inteiras de cor, dançava de braços no ar e pintou um clima entre a plateia e o palco, de tal como que o vocalista Trevor Bonnick convidou a audiência a ir para a Jamaica sempre que sentisse frio em Portugal.

Quem seguramente não sentiu frio na noite de sábado foi a vocalista dos Underground System, Domenica Fossati. Como um furacão, a artista afro-italiana de Miami dava corda aos músicos do grupo para percorrem caminhos, que vão de Cuba ao Brasil, passando pela Nigéria ao rock punk, num estilo que o site da banda denomina como “neo afro-beat desconstrucionista”. Tal como os Inner Circle, também o Underground System fizeram os seus covers, mas ligeiramente diferentes: Blue Monday, dos New Order, e uma versão especial de Bella Ciao.

Domenica foi vista depois a dançar no acesso ao palco, entusiasta, do reggae dos Inner Circle e, já no Palco Marginal, no segundo concerto da madrugada La P’tite Fumée (que subiu ao palco depois do mestre da Marrabenta, António Marcos). Mesmo sabendo que os Inner Circle foram os principais responsáveis pelo esgotar da lotação no último dia do Festival de Sines, os concertos ativistas de Underground System, Batida apresenta Ikoqwe (com Luaty Beirão, ou Ikonoklasta) e o grupo vocal Ladysmith Black Mambazo (os filhos dos fundadores da banda preferida de Nelson Mandela) merecem fazer parte da memória da edição deste ano, deste festival que é mais do que música.

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