As apostas online transformaram-se no novo passatempo dos portugueses, movimentando mais de mil milhões de euros por ano num mercado regulado pelo SRIJ, mas requerem apostadores devidamente informados e jogo responsável da sua parte.
Há uns anos, falar de apostas em Portugal significava pensar num boletim preenchido à mão por um vizinho ou numa ida ocasional ao casino. Atualmente, basta um telemóvel e uma ligação à Internet para colocar uma aposta antes do intervalo de um jogo de futebol ou rodar uma slot enquanto se espera pelo autocarro.
As apostas online instalaram-se de tal forma no quotidiano português que já não são apenas um hobby de fim de semana; para muitos, tornaram-se um verdadeiro passatempo diário, com um peso económico que poucos setores conseguem igualar, mas… o que explica esta explosão, como se começa a apostar em segurança e quanto dinheiro está literalmente em jogo?
O porquê de as apostas online terem explodido em Portugal
O país sempre teve uma relação apaixonada com o desporto (sobretudo com o futebol) e essa paixão encontrou no online o parceiro perfeito. O acesso tornou-se trivial, com registos que demoram poucos minutos (graças à verificação via Cartão de Cidadão ou Chave Móvel Digital) e depósitos instantâneos por MB WAY.
O marketing também é ubíquo: os patrocínios a clubes, a publicidade nos intervalos dos jogos e os códigos promocionais partilhados por influenciadores tornaram estas marcas familiares mesmo para quem nunca apostou. Junte-se um calendário desportivo recheado e o resultado é um mercado que raramente arrefece.
A regulação também ajudou: desde que o Estado passou a licenciar operadores, em 2015, apostar deixou de ter o estigma de atividade marginal e passou a ser mais um produto de entretenimento digital, partilhando o patamar do streaming ou dos videojogos.
O que é preciso para começar a apostar online?
Apostar online em Portugal não é complicado, mas requer alguns passos:
1. Ser maior de 18 anos
O primeiro requisito é a idade: só é permitido aos cidadãos apostarem a partir dos 18 anos, algo que os operadores licenciados são obrigados a confirmar no momento do registo, cruzando dados com bases de identificação oficiais.
2. Selecionar uma casa de apostas devidamente licenciada
Em segundo lugar, é preciso escolher uma casa de apostas com licença ativa do Serviço de Regulação e Inspeção de Jogos (SRIJ), integrado no Instituto de Turismo de Portugal e tutelado pelo Ministério da Economia; o logótipo do regulador deve estar visível no rodapé do site e a legalidade da plataforma pode ser sempre conferida na lista oficial de entidades licenciadas.
3. Proceder ao respetivo registo
Segue-se, em último lugar, o registo com verificação de identidade (o processo «Know Your Customer» – KYC) e o primeiro depósito (normalmente, por MB WAY, cartão ou transferência bancária).
Antes de apostar o primeiro cêntimo, vale a pena explorar as ferramentas de jogo responsável (limites de depósito, alertas de tempo de sessão e autoexclusão), uma vez que são estas, mais do que qualquer bónus, que definem se a experiência se mantém saudável.
As casas de apostas online legalizadas a que os portugueses mais recorrem
O mercado português conta com cerca de 17 operadores com licença ativa do SRIJ; apesar de se tratar de um número reduzido face aos quase 5 milhões de jogadores registados, acaba por refletir a exigência do licenciamento, que obriga a garantias financeiras sólidas e a mecanismos rigorosos de proteção do jogador.
Entre as marcas mais reconhecidas pelos portugueses, estão:
- A Betano e a Betclic, com forte presença em apostas desportivas e casino;
- A Solverde, que trouxe para o digital a tradição dos casinos físicos nacionais;
- A bwin, marca internacional das mais antigas do setor;
- A ESC Online, ligada ao grupo Estoril Sol;
- O Placard.pt, plataforma da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa (SCML), cujos lucros revertem parcialmente para causas sociais.
Seja qual for a sua escolha, o critério mantém-se: deverá sempre confirmar se a operadora consta da lista oficial do SRIJ antes de introduzir quaisquer dados pessoais ou financeiros.
Quanto dinheiro movimentam as apostas online em Portugal?
Os números falam por si: em 2025, o mercado regulado de jogos e apostas online em Portugal gerou 1,2 mil milhões de euros em receita bruta, um crescimento de 8,49% face ao ano anterior (ao ritmo mais lento desde que o setor foi regulado há uma década, mas, em todo o caso, um valor recorde). Só no último trimestre, a atividade gerou 337,6 milhões de euros, mais 4,5% do que no período homólogo.
Deste montante, uma fatia reverte para os cofres do Estado: o Imposto Especial de Jogo Online (IEJO) arrecadou 353 milhões de euros em 2025, também um valor recorde.
O desporto nacional sai igualmente beneficiado: a Federação Portuguesa de Futebol (FPF) recebeu cerca de 38,8 milhões de euros provenientes de apostas desportivas nesse ano.
Atualmente, quase 5 milhões de contas de jogadores estão registadas. Feitas as contas e distribuídas pelos 365 dias do ano, percebe-se porque é que se diz que as apostas online movimentam, em média, vários milhões de euros por dia em Portugal.
Os riscos das apostas online de que ninguém quer falar
Por detrás dos números de crescimento e dos bónus de boas-vindas, há um lado do setor que raramente aparece nos anúncios.
Segundo o Instituto para os Comportamentos Aditivos e as Dependências (ICAD), cerca de 1,3% da população portuguesa está em risco de desenvolver um problema de jogo, sendo que 0,6% já apresentam sinais de dependência (percentagens que se traduzem em dezenas de milhares de pessoas).
O sinal mais preocupante está nos jovens: 16% dos jovens de 18 anos já apostaram online e 18% dos adolescentes entre os 13 e os 18 anos jogaram a dinheiro no último ano.
Não foi, portanto, por acaso que a autoexclusão voluntária das plataformas legais aumentou mais de 23% num único ano, ultrapassando os 360 mil jogadores: um sinal de que cada vez mais portugueses sentem necessidade de travar o seu próprio comportamento.
Há, contudo, um risco ainda menos falado: cerca de 40% dos apostadores portugueses continuam em plataformas ilegais, sem licença do SRIJ, onde não existe qualquer proteção sobre o dinheiro depositado nem acesso ao jogo responsável.
Se sentir que o jogo deixou de ser apenas uma diversão, a «Linha Vida» do ICAD (1414) e o Instituto de Apoio ao Jogador (IAJ) prestam apoio gratuito, anónimo e confidencial.
Em resumo
As apostas online vieram para ficar e o seu peso na economia e no quotidiano português só tende a crescer, mas, como em qualquer atividade com dinheiro real, a diversão só compensa quando vivida com informação, limites bem definidos e escolhas dentro da legalidade.
Apostar pode ser um passatempo; só não deve tornar-se o único.

