A passagem de Diamanda Galás pela Casa da Música foi uma espécie de devaneio para o espírito.
Ao longo da actuação de cerca de uma hora, a plateia manteve-se num silêncio sepulcral, apenas interrompido por palmas no final dos temas, numa demonstração de solenidade que o momento exigia. Enquanto as mãos de Galás se passeavam pelo teclado do piano de cauda, a sua voz, ora comovente, ora escaldante, foi envolvendo o público numa teia emocional.

Entre os acordes, ora soturnos, ora vigorosos, e as palavras que canta de forma singular, Diamanda Galás atraiu magneticamente quem assistia, deixando-o absorto… até à próxima vocalização mais intensa!
O recital, porque foi disso que se tratou, teve um encantamento especial e, mesmo sem dirigir uma única palavra ao público, a artista manteve a plateia rendida mesmo nos momentos mais catárticos da interpretação.
No final, Diamanda Galás ainda protagonizou três encores para delícia do público que encheu a Sala Suggia, onde chegou ávido das sensações que é ouvir a autora de «The Divine Punishment» e que, pelos rostos, saiu saciado.
Caso para dizer, se foi castigo divino assistir ao concerto de Diamanda Galás, então quero ser castigado mais vezes…

