Ainda o terceiro mês do ano ia no adro e os Pile ofereceram a um punhado de gente que esteve no Maus Hábitos aquele que, seguramente, é um dos concertos de 2023… e de uma restrita lista.
Concertos há muitos, sensações ainda mais, mas o trio norte-americano logrou proporcionar uma hora e picos de magia rock, de intensidade flutuante e uma pitada de disrupção impressiva.
Aliás, o dinamismo disruptivo que o trio de Boston imprime à actuação cativa e ganha substância na densidade das composições. A bateria é viajante e desafiante, parecendo liderar todo o processo, mas não… o nervosismo da guitarra é o que marca a sonoridade do trio liderado por Rick Maguire (voz, guitarra e teclados) e que integra ainda Alex Molini, no baixo e teclados, e Kris Kuss, na bateria.
No quarto andar do nº 178 da Rua de Passos Manuel, no Porto, a coisa foi quase mágica, com um crescendo paulatino ao longo da actuação, que foi carregada de momentos disruptivos, alguns a roçar a catarse, mas também de outros mais melódicos e melancólicos. No final, a plateia, apesar de pouco numerosa, estava rendida e pode gabar-se de ter assistido a um extraordinário concerto.
Duas dezenas de temas formaram um ambiente sonoro de excepção, com um fluir de energia verdadeiramente incrível, que deixou toda a gente numa pilha…
E foram eles: «It comes closer», «Loops», «Gardening hours», «I don’t want to do this anymore», «Yellow room», «Lowered rainbow», «Octopus», «Uncle Jill», «Forgetting», «Poisons», «Nude with a suitcase», «Blood», «Link arms», «Neon gray», «Dogs», «Milkshake», «Work», «Pets», «Afraid of home» e «#1 hit single».

