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A relação que estabelecemos entre nós, com as artes, com a natureza e a arquitetura é cada vez mais um investimento orientador da vida no futuro. Assim se alicerça também o caminho que fazemos juntos no Centro Cultural Vila Flor (CCVF), espaço que nos convida e nos acolhe em setembro para participarmos em vários momentos marcantes como o Manta, que todos os anos se apresenta como o grande portal de reencontro que se abre para a entrada na (nova) temporada e nos religa com a vital fruição cultural, e a celebração do aniversário desta casa de todos nós, público e artistas, juntos. 

Este lugar de reencontro uns com os outros faz-nos coincidir no espaço e tempo com projetos artísticos que se preparam para refrescar e inundar de criatividade os jardins do CCVF a 9 e 10 de setembro com concertos de Rodrigo Leão, Noiserv, Sean Riley com The Legendary Tigerman, Meta_ e Tranglomango, bem como com a experiência contemplativa do inovador coreógrafo grego Christos Papadopoulos trazida a 17 de setembro ao grande palco desta casa da cultura que assinala o seu 17º aniversário com o espectáculo “Larsen C” e a realização de uma iniciativa associada ao projeto “Guimarães mais Floresta” do Laboratório da Paisagem.

Para a edição de 2022, o Manta apresenta um alinhamento inteiramente nacional marcado pela originalidade de quatro projetos que atravessam estéticas e gerações diversas. No dia 9 setembro (sexta-feira), as primeiras notas ressoam no relvado com Mariana Bragada sob nome artístico Meta_ (21h30) que, depois de ter participado nas residências do Westway LAB, regressa a Guimarães para apresentar material de composição original com o qual tem conquistado um significativo número de seguidores, explorando a essência das raízes (de Trás-os-Montes, de onde é natural, e da América do Sul, a partir de viagens) para criar caminhos sem fronteiras entre histórias e fantasias com a partilha de uma conexão com a memória ancestral e a música eletrónica. Fazendo uso da sua voz, loopstation, drum machine e adufe, Meta_ traz consigo Sara Grenha e Sara Brandão para este concerto para unir vozes sobre as memórias que dançam entre o passado e o futuro. 

Depois entrará em cena Rodrigo Leão (22h30), artista que dispensa apresentações e que nos trará o seu “Cinema Project” com a participação de um coro juvenil, acompanhado pela sua banda habitual. Rodrigo Leão Cinema Project reúne repertório dos três discos editados em 2020 e 2021 (“O Método”, “Avis 2020” e “A Estranha Beleza da Vida”), assim como uma seleção de temas clássicos do compositor, prevendo-se um concerto extremamente eclético, com uma grande abrangência de estilos musicais, que vão do neoclássico à valsa. Com uma forte componente visual, o espectáculo conta ainda com a projeção vídeo de imagens de Gonçalo Santos, que integram desenhos da autoria do próprio Rodrigo Leão, que assume aqui as rédeas de um sintetizador e piano e coros. 

No dia 10 de setembro (sábado), o relvado e as mantas voltam a estender-se para duas das mais bem-sucedidas propostas na arte de escrever canções. Noiserv (21h30) abrirá a viagem sonora da segunda noite, com um imaginário gerado por uma criatividade sem limites. Criado pelo músico David Santos, Noiserv é considerado um dos mais criativos e estimulantes projetos musicais surgidos em Portugal na última década. O seu percurso tem sido marcado pela criação de canções capazes de atingir cada indivíduo na sua intimidade, relembrando-lhe vivências, momentos e memórias intrincadas entre a realidade e o sonho. 2020 marcou o seu regresso às edições discográficas com um trabalho escrito inteiramente em português. “Uma Palavra Começada Por N” assume um tom mais confessional que os registos anteriores e aproxima-se ainda mais do ouvinte através da sonoridade que sempre o caracterizou, aliada à sua língua materna. 

David Santos é seguido pela dupla Sean Riley e The Legendary Tigerman (22h30) que, a partir de uma viagem com rota inicial inspirada na beat generation cujo destino seria Tanger, acabaria por rumar ao sul de Espanha e escrever um disco juntos, esse mesmo que vêm apresentar no jardim do Centro Cultural Vila Flor. Partindo de onde tinham ficado em 2018 com “California” – álbum gravado em motéis durante uma road trip no estado norte americano – voltam agora aos discos com “Andaluzia”. Apaixonados pela fotografia de uma antiga cabana de pescadores, rumaram até à costa espanhola e lá encontraram o abrigo onde, mais uma vez,  improvisaram um estúdio num espaço inusitado. Durante três noites e três dias, gravaram este EP de olhos postos no mar. Registado de forma simples e despida, “Andaluzia” é uma homenagem à amizade e ao amor à música. 

O Manta apresenta também um concerto no dia 10 de setembro à tarde (15h30), intitulado “Tranglomango”, mantendo a tradição recente de dedicar uma parte do seu programa a um público mais jovem. Com uma formação instrumental clássica do rock à qual se junta um acordeão, este grupo deixa-se influenciar pela música tradicional portuguesa como mote para a prática de um som que funde estilos contrastantes. “Virgínia” (2018), o seu último álbum, espelha a viagem que fizeram desde o seu primeiro trabalho em 2015, revestidos pelo imaginário popular e a tradição como ponto de partida. Fatores que não lhes pesam nas asas, antes servem de catapulta aos temas de estilos muito diversos, naturalmente agregados no rock. 

E “voltamos assim com energia renovada aos concertos no jardim do Vila Flor, para um novo ciclo que, através da música, nos vai afinar os sentidos e o espírito comunitário”, denota Rui Torrinha, Diretor Artístico do CCVF e Artes Performativas d’A Oficina. Todos os concertos são de entrada gratuita até ao limite da lotação disponível. 

Uma semana volvida e passamos a outro ato de celebração com a dança contemporânea a tomar lugar central no maior palco do CCVF para assinalar o seu 17º aniversário com a estreia nacional de “Larsen C”, de Christos Papadopoulos. Assim, a 17 de setembro, às 21h30, recebemos aquele que é considerado uma das vozes mais inovadoras da dança contemporânea, integrando uma nova geração de criadores notáveis que surgiu, na última década, na cidade de Atenas. Através das suas peças hipnóticas, Papadopoulos tem o poder de questionar a nossa perceção da realidade.  

Em “Larsen C”, a metáfora de um iceberg gigante em processo de descongelamento ressoa nos corpos dos bailarinos num movimento sugestivo e fluido como vibrações orgânicas e cinéticas, numa sequência onírica e interminável de ondulações do corpo no espaço, como ondas que pulsam juntamente com todos os elementos envolventes, desde a luz ao cenário e aos sons. Mas o movimento não acontece apenas no palco. É um convite ao público. Não tanto para nos levar para um lugar diferente, mas para um novo estado. Uma metáfora da vida que avança, de forma invencível, intrigando ou mesmo perturbando com a fatalidade presente. Paisagens, corpos e sons vêm e vão, aproximam-se e retiram-se. A transformação acontece gradualmente, apanhando-nos desprevenidos várias vezes, fingindo que nada acontece enquanto tudo gira. Uma experiência contemplativa que convida à reflexão sobre a nossa posição enquanto seres humanos em tempos de mudança. 
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