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PRIMAVERA SOUND PORTO’26: BANQUETE MUSICAL E… DO LADO CERTO DA HISTÓRIA

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A expectativa era grande, porque o cartaz prometia, mas a realidade foi para além dos melhores palpites, com extraordinários concertos de Massive Attack, Viagra Boys, Idles ou Model/Actriz, sem dúvida os mais intensos e poderosos, mas não foram as únicas coisas muito boas que se viram e ouviram no Parque da Cidade, na 13ª edição do Primavera Sound Porto.

“O fascismo está a crescer e o problema é a falta de formação”, afirmou Joe Talbot, vocalista dos Idles, a determinada altura de uma breve e improvisada espécie de discurso, terminando a dirigir-se à agitada plateia com um agradecimento: “Por isso, obrigado por nos educarem!”.

Massive Attack. Créditos: Globalnews Portugal

Esta investida política não é novidade nenhuma nos britânicos Idles, mas desde o pequeno pin com a bandeira palestiniana na lapela de James Smith, vocalista dos Yard Act, ao comício dos irlandeses Kneecap, passando pelos simples incentivos de “Free Palestine”, vindos do palco, ou as manifestações do público com bandeiras e incentivos à libertação da Palestina, a grande afirmação política foi feita pelos Massive Attack, algo a que já habituaram o público há décadas.

Yard Act. Créditos: Globalnews Portugal

Não se distraiam, 3D e Daddy G há muito que expõem os podres do capitalismo desenfreado, dos interesses económicos que reduzem a esmagadora maioria da população do Planeta a pobres, enquanto um punhado de bilionários e de corporações engordam estupidamente as suas contas bancárias. Ucrânia, Líbano, Palestina, mas também outros locais em guerra e o número de mortos provocados foram denunciados, tal como a actividade altamente intrusiva de empresas como a Palantir ou as acções maliciosas de empresas como a Helsing, a Amazon ou o Spotify. Obviamente, não podia ficar de fora o ICE, a agência de imigração dos Estados Unidos, e as suas práticas… criminosas.

Massive Attack. Créditos: Globalnews Portugal

Mas o excelente concerto dos Massive Attack, ao terceiro dia do festival, para além da experiência audiovisual imersiva, produzida pelo cineasta Adam Curtis, e que, literalmente, despejou sobre a plateia uma gigante quantidade de informação, com o ‘pormaior’ de, na sua maioria, estar traduzido para português, foi muito mais, pois a banda-sonora foi de alto quilate e os convidados de excepção.

Massive Attack. Créditos: Globalnews Portugal

Elizabeth Fraser, Horace Andy e ainda Deborah Miller emprestaram as suas vozes a muitos dos temas interpretados pelos Massive Attack, que, entre pérolas e algumas versões de outros músicos, conduziram o público a um estado de êxtase. Um embalo extraordinário que terminou com o fabuloso «Teardrop», maviosa e divinalmente cantado por Elizabeth Fraser.

Massive Attack. Créditos: Globalnews Portugal

No pódio, sem hierarquia, da edição 2026 do Primavera Sound Porto figuram ainda os insanos Viagra Boys e os já citados Idles. Duas bombas em palco que estilhaçam plateias de forma inigualável.

Viagra Boys. Créditos: Globalnews Portugal

Os Idles, como habitualmente, incendiaram a sedenta massa humana que tinham pela frente logo aos primeiros acordes libertados pela guitarra de Mark Bowen, a partir do seu vestido curto de lantejoulas coloridas! Um must…

Idles. Créditos: Globalnews Portugal

Políticas à parte, porque a música do quinteto de Bristol é carregada disso, foi, uma vez mais, na urgência que tudo aconteceu, com o mosh pit a espalhar-se por toda a vasta plateia do Palco Vodafone e o crowdsurfing a suceder-se ininterruptamente. A nuvem de pó aparentava a presença de um pequeno furação no meio da plateia, mas o verdadeiro furacão estava em palco e chama-se Joe Talbot.

Idles. Créditos: Globalnews Portugal

Mais cuspidela para o ar, menos cuspidela para o chão, o vocalista voltou a liderar a revolta, sempre com uma cama sonora de excepção, com coisas tão inevitáveis como «Mother», «Mr. Motivator», «I’m scum» ou «Rotweiller», entre tantas outras, e onde pontificou, como sempre, esse hino anti-fascista «Danny Nedelko», que levou o público ao pico da agitação. “Isto é mágico”, resumiu Joe Talbot.

Idles. Créditos: Globalnews Portugal

No mesmo palco, mas no dia anterior (segundo dia do festival), os suecos Viagra Boys foram a primeira grande injecção energia que o público levou. O inebriante vocalista Sebastian Murphy não deixou, uma vez mais, os seus créditos por bebida alheia e, desde início, carregou forte sobre o público. Irrequieto em palco e provocador na postura, contagiou a plateia rapidamente, agitando-a ao ponto do mosh tomar conta do pedaço.

Viagra Boys. Créditos: Globalnews Portugal

Um festim é como se pode resumir mais esta passagem dos Viagra Boys pelo Parque da Cidade, onde temas como «Punk rock loser», «Ain’t no thief», «Man made of meat», «Slow learner» ou «Troglodyte» fizeram as delícias do povo, tal como o imprescindível e fabuloso «Sports».

Viagra Boys. Créditos: Globalnews Portugal

Mas este Primavera Sound Porto 2026 teve muito mais coisas boas e que são de reter. Cronologicamente, o primeiro dia teve no regresso dos The xx, no comício dos Kneecap, na frescura dos Nation of Language, na agitação dos Agriculture, no rock dos Texas Is The Reason e nas prestações nacionais dos Paus, em despedida, e dos Sensible Soccers os seus melhores momentos.

The xx. Créditos: Globalnews Portugal

Neste regresso aos palcos após oito anos e 12 edições do festival depois, Romy Madley Croft, Oliver Sim e Jamie xx deslumbraram o público com o seu som harmonioso, onde o jogo de vozes é extraordinário. No entanto, os The xx não apresentaram nada de novo ao público pejado de fãs.

Baxter Dury. Créditos: Globalnews Portugal

Ao segundo dia, onde pontificaram os Viagra Boys, a coisa já foi bem diferente. Começou logo muito bem com o empolgante Baxter Dury. Irreverente, narcísico na pose e agitador de massas nato, Dury transformou a plateia do Palco Estrella Damm numa autêntica pista de dança, dando o mote para uma segunda jornada em cheio.

Slowdive. Créditos: Globalnews Portugal

Na maior enchente de sempre do Primavera Sound Porto, muito por culpa dos Gorillaz, os ingleses Slowdive como que puseram o público em ponto caramelo, com a sua sonoridade suave, intensa e de vozes doces! Guitarras ao alto e uma viagem que nunca desilude.

Público para Gorillaz. Créditos: Globalnews Portugal

Entretanto, a banda-desenhada tomou conta do palco principal e de lá se ouviram algumas preciosidades do colectivo criado por Damon Albarn e Jamie Hewlett. Em palco, Damon Albarn teve a companhia de vários convidados, como Joe Talbot, vocalista dos Idles, Kara Jackson, Moonchild Sanelly, Yasiin Bey e Bootie Brown, para além de outros que foram passando pelos ecrãs, como Mark E. Smith ou o sírio Omar Souleyman.

Ainda assim, a anterior passagem dos Gorillaz pelo Primavera Sound Porto talvez tenha sido melhor, porque, desta vez, havia mais gente e, muito importante, o Palco Vodafone, onde actuaram em 2022, é muito melhor para um concerto destes, pois proporciona um melhor visionamento do palco para a maioria do público, por força do declive da plateia.

Bad Gyal. Créditos: Globalnews Portugal

Neste mesmo segundo dia houve o segundo erro de casting do cartaz 2026, e que me perdoem (ou não!) os seus aficcionados. A catalã Bad Gyal e o também espanhol de Valladolid, que actuou no dia anterior no Palco Zyn, Rusowsky não foram momentos bons. O segundo com uma mistura de estilos onde pontifica o reggaeton… e Bad Gyal com uma performance que pretendia ser um espectáculo de sensualidade e alguma música, mas no qual tudo pareceu demasiado forçado e artificial. Bem, mas isto é… o que é!

Melt-Banana. Créditos: Globalnews Portugal

Nota final, para o radicalismo sonoro dos japoneses Melt-Banana, um duo – Yasuko Onuki (voz e electrónica) e Ichiro Agata (guitarra) – que pratica um noise rock, carregado de punk e electrónica, que fez as delícias de muitos dos resistentes do segundo dia. A verdade é que, invariavelmente, das ilhas nipónicas chegam projectos musicais bem disruptivos e agitados…

Model/Actriz. Créditos: Globalnews Portugal

No terceiro dia e último de concertos da 13ª edição do Primavera Sound Porto, para além dos já citados e excepcionais concertos de Massive Attack e Idles, destaque para a explosiva actuação, no Palco Primavera, de Model/Actriz, em que o vocalista Cole Adam foi figura central. Com a banda a criar uma atmosfera sonora visceral, toda a performance de Cole Adam transformou o concerto num espectáculo imenso e vibrante. Entre passos de dança, rodopios, saltos e roupa a condizer, a verdade é que, à segunda música («Mosquito»), o vocalista entrou plateia adentro e por lá se manteve incentivando o público e percorrendo toda a área para gáudio dos fãs. Energia electrizante a provocar mais uma das várias catarses colectivas que aconteceram no Parque da Cidade ao longo do festival.

Sudan Archives. Créditos: Globalnews Portugal

Também Sudan Archives, alter-ego da norte-americana Brittney Denise Parks, foi um dos momentos altos de sábado. Sozinha em palco, qual destemida amazona armada com o seu arco e flecha (leia-se, violino e arco), partilhou um espectáculo cénico-musical, enquanto se dividia pela representação, dança e interpretação do violino, caixa de ritmos e teclados. A impetuosidade da sua música, cria um ambiente festivo, marcadamente electrónico e bastante dançante. Um dos grandes momentos da noite!…

Yard Act. Créditos: Globalnews Portugal

Os jovens ingleses Yard Act abriram o palco principal com grande personalidade, imprimindo sempre um ritmo muito interessante à actuação. O vocalista James Smith parecia ter bicho de carpinteiro e conseguiu, com essa atitude, atribular a plateia e entusiasmá-la, à medida que a banda desfiava o seu punk funk ainda o Sol ia alto.

Mike D. Créditos: Globalnews Portugal

Já Mike D, co-fundador dos Beastie Boys, em palco com os 5D, onde figuravam dois filhos seus, cativou os fãs do estilo, mas… não é os Beastie Boys.

Smerz. Créditos: Globalnews Portugal

À mesma hora, as norueguesas Smerz, duo formado por Catharina Stoltenberg e Henriette Motzfeldt, encenaram a sua pop sensual, enquanto Amaarae, nome artístico da norte-americana Ama Serwah Genfi, mais pareceu ter actuado em playback.

MXGPU. Créditos: Globalnews Portugal

O fecho do terceiro dia teve aos comandos a dupla MXGPU, a parceria entre os produtores Moullinex & GPU Panic, que, descendo de uma altura de 30 metros sobre a plateia do Palco Estrella Damm, actuaram suspensos sobre o público, num palco denominado Live Over Porto. Foi surpreendente e dançar incessantemente na discoteca improvisada.

A edição 13 do Primavera Sound Porto encerrou, à semelhança da de 2025, com uma sunset party, no domingo.

Dixon e Moulinex. Créditos: Globalnews Portugal

A abertura esteve a cargo de SuM, seguindo-se Moulinex que teve o condão de pôr toda a gente a bailar. Seguiu-se alemão Dixon que logrou entusiasmar ainda mais a plateia que, à medida que o Sol se ia pondo no oceano ali ao lado, foi enchendo cada vez mais.

O palco era o Zyn, bem apropriado para a festa, que terminou com um excelente gig da sul-coreana Peggy Gou.

Público no fecho da 13ª edição do Primavera Sound Porto. Créditos: Globalnews Portugal

Muito mais se passou nos quatro palcos desta edição 2026, por onde passaram, segundo a organização, mais de 120 mil pessoas, mas opções têm de ser feitas e, muito importante, são as sonoridades prioritárias deste vosso escriba. É o que é!

Foi com muita dança que encerrou a festa de quatro dias no Parque da Cidade, estando já agendado o reencontro com o Primavera Sound Porto em 2027, entre os dias 10 e 13 de Junho.

Público do Primavera Sound Porto’26. Créditos: Globalnews Portugal

Assim, estejamos todos vivos para poder desfrutar de mais quatro dias idílicos, no seio da natureza, com boa música, como a que houve este ano, com o cartaz a fazer jus ao ADN do festival portuense.

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