InícioCulturaNORTH FESTIVAL’26: DOIS FESTIVAIS NUM SÓ... QUE, NO FUNDO, FOI UM SUBLIME...

NORTH FESTIVAL’26: DOIS FESTIVAIS NUM SÓ… QUE, NO FUNDO, FOI UM SUBLIME CONCERTO DE THE CURE

Published on

A 7ª edição do North Festival, anteriormente conhecido como North Music Festival, foi, na verdade, dois distintos festivais, sendo que o segundo, no fundo, foi um concerto de… The Cure, com uma primeira parte de excelência pelos portugueses Linda Martini e pelos escoceses Mogwai.

The Cure. Créditos: Globalnews Portugal

Isto é, os dois primeiros dias do festival, que este ano assentou arraiais na Cidade Desportiva da Maia, foram preenchidos por sonoridades mais mainstream e que não tiveram grande adesão de público, que não chegou às 10 mil pessoas em qualquer um deles. Em contrapartida, e por culpa dos The Cure, no terceiro e derradeiro dia do North Festival, o estádio recebeu uma inusitada enchente de 40 mil pessoas, transformando o público em autêntica sardinha em lata!

North Festival. Créditos: Globalnews Portugal

Se nos dois dias iniciais o recinto cumpriu os requisitos, no terceiro, quando verdadeiramente aconteceu festival, o espaço mostrou-se insuficiente para receber tanta gente. Mas já lá vamos…

North Festival. Créditos: Globalnews Portugal

Apesar de a Music ter caído do nome do festival, foi a música que levou tanta gente à Maia, a um domingo com a malfadada segunda-feira no horizonte. E, nesse capítulo, os The Cure foram sublimes. Robert Smith surgiu em palco de sorriso estampado no rosto, algo que manteve e foi exibindo ao longo de toda a actuação, tendo evidenciado uma paz de espírito e tranquilidade contagiantes. A fragilidade emocional com que conquistou gerações ao longo dos anos, tomou conta do palco e espalhou-se por todo o estádio!

The Cure. Créditos: Globalnews Portugal

Com um alinhamento de 29 temas absolutamente soberbo, o concerto dos britânicos não foi só nostalgia, pois teve muito de presente até nas pérolas do passado, como foi o segundo encore, preenchido apenas com temas do extraordinário álbum «Seventeen Seconds», do ido ano de 1980. Uma viagem cósmica… que atingiu o zénite em «A Forest». Simplesmente, delicioso!

The Cure. Créditos: Globalnews Portugal

Apesar do cabelo já não ter o vigor de outros tempos, o mesmo não se pode dizer da voz e da atitude de Robert Smith, o que foi meio caminho andado para o concerto se tornar memorável para as 40 mil almas presentes na plateia.

The Cure. Créditos: Globalnews Portugal

A prestação dos The Cure, onde o baixista Simon Gallup continua a ser um ‘bad wolf’, arrancou com o tema que abre o álbum «Songs of a Lost World», editado em 2024, «Alone», que deu o mote para uma noite incrivelmente… incrível!

The Cure. Créditos: Globalnews Portugal

«Pictures of You», «Lovesong», «Fashination street», «In between days», «Just like Heaven», «Treasure» (que não era tocado ao vivo desde 2013) foram alguns dos 16 temas ouvidos no concerto até «Endsong» (que fecha o disco de 2024), quando a banda saiu, pela primeira vez, de palco. A pouco mais de meio do concerto, que durou perto de 2h30, o público estava em perfeito êxtase, mas ainda ansioso pelos sucessos, para uma imensa maioria, da… adolescência!

The Cure. Créditos: Globalnews Portugal

Seguiu-se, então, o encore com quatro temas de «Seveteen Seconds», que abriu com «In your house», que a banda já não tocava há 15 anos.

The Cure. Créditos: Globalnews Portugal

Breve saída de palco e… encore de oito músicas, no qual se ouviram o que todos esperavam, entre os quais «Lullaby», «The Lovecats» ou ainda «Boys don’t cry». Na generalidade, os temas foram cantados em uníssono, numa espécie de catarse emocional colectiva, que levou alguns às lágrimas.

The Cure. Créditos: Globalnews Portugal

Para além de Robert Smith e Simon Gallup, em palco estiveram ainda o filho deste último, Eden Gallup (guitarra e teclados), Roger O’Donnell (teclados), Jason Cooper (bateria) e Reeves Gabrels (guitarra). E que bem que eles estiveram!

The Cure. Créditos: Globalnews Portugal

Um concerto brilhante, sem qualquer cheiro a mofo e que encheu a alma e o coração da imensa massa humana que assistiu e não era só gente madura e grisalha. Não, havia muita juventude absolutamente rendida ao encanto dos autores de «Pornography».

The Cure. Créditos: Globalnews Portugal

Melhor do que este, para este vosso escriba, só mesmo a estreia dos The Cure em Portugal, em 1989, no Estádio José Alvalade, com «Desintegration» acabado de chegar aos escaparates.

Linda Martini. Créditos: Globalnews Portugal

O aquecimento esteve a cargo de uns Linda Martini competentíssimos e de uns brilhantes Mogwai, que conduzem sempre as plateias por viagens luminosas vibrantemente acentuadas pelos diálogos das guitarras.

Linda Martini. Créditos: Globalnews Portugal

Aliás, guitarras já era o mote inicial, pois o quarteto lisboeta abriu o palco entregando a sua intensa dose de riffs e malhas, ainda o Sol brilhava forte e quente. Do último álbum editado, «Passa-montanhas» (2025), saiu a maioria dos temas tocados, sempre naquele registo intenso e arrebatador, que contagia o público de forma tão especial.

Mogwai. Créditos: Globalnews Portugal

Os escoceses viajaram literalmente pela vasta discografia editada, seguraram o público de forma impressionante, espalhando doçura através das guitarras e criando ambientes de densidade frágil, mas coesa. Tipo «Ritchie Sacramento» ou «Autorock», entre tantas outras. Foi uma escolha certeira para anteceder o que seria a magnífica viagem com os The Cure.

Mogwai. Créditos: Globalnews Portugal

Ora bem, ainda antes do extra música, os dois primeiros dias do festival tiveram erros de casting, porque nem o alentejano Luís Trigacheiro encaixa com Ornatos Violeta e Snow Patrol, como a brasileira Liniker nada tem a ver com The Waterboys e Europe.

Ornatos Violeta. Créditos: Globalnews Portugal

No arranque da edição 2026, os portuenses Ornatos Violeta foram eficientes, sem serem efusivos e, como jogavam em casa, a coisa começou bem logo de início. Acompanhados por um quarteto de cordas de músicos da casa da Música… a coisa ganhou um dimensão erudito-intensa! Com muitos fãs no recinto, os Snow Patrol não deixaram os seus créditos por mãos alheias, transformando, por vezes, a noite num momento de grande emotividade. E para satisfação dos mais apreciadores, não faltaram «Chasing cars», «Just say yes» ou «Open your eyes», entre outras.

Snow Patrol. Créditos: Globalnews Portugal

Já o segundo dia, foi a oportunidade para os nortenhos verem, mais uma vez, o escocês Mike Scott e os seus The Waterboys, que ao que parece não tocaram «The Whole of the Moon» para desgosto de muitos, e ainda os suecos Europe e a sua contagem final para uma noite de grande nostalgia. Deduzo apenas, pois o segundo dia não contou com a presença deste vosso escriba.

O Palco JN – Rock à moda do Porto, que estava à entrada do estádio, todos os dias recebeu três projetos musicais, que tentavam aquecer as hostes até à hora do espectáculo começar. Ora bem, tenho visto e ouvido muito rock do e no Porto, mas não é do que ali foi mostrado. Bem, mas isso sou eu… Agora, uma banda de versões de hits dos anos de 1980, não lembra ao Diabo, ó JN!

North Festival. Créditos: Globalnews Portugal

Sobre o resto, diga-se que os problemas que tomaram conta do North Festival aconteceram apenas no último dia, porque o recinto demonstrou não ter condições para albergar tanta gente com comodidade e dignidade.

North Festival. Créditos: D.R.

Sub-dimensionado, a circulação pelo espaço era extremamente difícil, os sanitários eram em número insuficiente, tal como os locais de venda de comida, o que gerou filas enormes e demasiado demoradas, o que também acontecia nos diversos bares. Depois o sistema de cashless, que obrigava à compra de um cartão (1,49€) e a carregamentos sem hipótese de reembolso, foi mais um constrangimento que o público enfrentou, ao que acresceu ainda falta de informação.

Por outro lado, um reforço do PA teria sido importante, porque, se na primeira metade do relvado o som era bom, na parte de trás já não era bem assim, ao que o vento não ajudou nada.

A saída do recinto foi outra aventura para os milhares de pessoas que ainda sentiam as emoções à flor da pele pelo que tinham acabado de assistir, numa prova clara de que as questões de segurança não foram devidamente avaliadas. Correu tudo bem nesse aspecto, mas é uma matéria que não dá para facilitar. As saídas de emergência deviam lá estar, mas a sua sinalização não! Depois, é preciso garantir as condições para que o público possa desfrutar da experiência com qualidade e conforto e isso, no derradeiro dia, ficou muito a desejar. Agora, o que se espera é que as falhas sejam corrigidas a bem… do North Festival.

últimos artigos

Vaudeville Rendez-Vous regressa em julho e passa a “ocupar” cinco cidades minhotas

Viana do Castelo junta-se a Barcelos, Braga, Guimarães e Vila Nova de Famalicão. Festival...

Mercado Bom Sucesso cria fan zone para o Mundial 2026

O Mundial 2026 vai viver-se também no coração da Boavista, no Porto. A partir...

Ciclo de cinema Shortcutz regressa ao Coliseu com cinco noites de “Éme, nome de Porto”

O Shortcutz regressa ao Porto, em parceria com o Coliseu. Durante a semana de...

mais artigos

Vaudeville Rendez-Vous regressa em julho e passa a “ocupar” cinco cidades minhotas

Viana do Castelo junta-se a Barcelos, Braga, Guimarães e Vila Nova de Famalicão. Festival...

Mercado Bom Sucesso cria fan zone para o Mundial 2026

O Mundial 2026 vai viver-se também no coração da Boavista, no Porto. A partir...