Um verdadeiro alvoroço, uma agitação. Uma espécie de sobressalto, tipo uma inquietação constante, vestida de entusiasmo, fazendo da confusão uma animação e da ansiedade uma festividade. Foi assim, no dia 25 de Maio, o segundo concerto do britânicos Maruja na Sala Mouco, do JAM Porto, depois de na véspera terem subido ao palco do espaço de Campanhã completamente lotado.
A recepção à banda foi apoteótica e, sem pedir licença, o quarteto de Manchester começou logo a descarregar a sua urgência sonora sobre a plateia ávida, que explodiu logo aos primeiros acordes de «Bloodsport».

O tema abre igualmente o álbum de estreia dos Maruja, «Pain To Power», a razão das apresentações em território luso e do qual apenas dois temas ficaram de fora.
Hora e meia de catarse colectiva nas catacumbas do JAM Porto, conduzida pelo irrequieto vocalista e guitarrista Harry Wilkinson, num ambiente imersivo em que o saxofone esquizofrénico de Joe Carroll provoca amotinação, enquanto o rebuliço é suportado pela enorme pujança da secção rítmica, ou seja, o pulsante baixo de Matt Buonaccorsi e a bateria estonteante e explosiva de Jacob Hayes.

Um portento! A coisa só sossegou um pouco com «Saoirse», sensivelmente a meio do concerto, momento em que Harry Wilkinson pediu silêncio na sala e o público respondeu melhor do que se estivesse num funeral!
Temas longos, energia a rodos, idas à plateia frequentes numa comunhão extraordinária com o público e muita agitação… foi assim a segunda passagem, em dias consecutivas, pela Sala Mouco dos ingleses Maruja, que seguiram depois para Lisboa, mas que regressarão, ainda este ano, ao Norte para uma actuação no Vodafone Paredes de Coura. Promete…

De fora não ficou a tomada de posição política dos Maruja que, para além da bandeira da Palestina em palco, clamaram, por diversas vezes, bem alto e em uníssono com a plateia: “Free free Palestine”.

Sinal de resistência ou não, o certo é que o concerto terminou com «Resisting Resistance».


