…e uma campanha presidencial não é uma discussão de bola à mesa do café!
A pouco mais de uma semana da segunda volta das eleições presidenciais, falamos de um elefante na sala que muitos fingem não ver, talvez por cansaço, talvez por conveniência, talvez porque olhar de frente obriga a escolher um lado com consciência. As eleições de 18 de janeiro deixaram resultados claros, reações previsíveis e comentários cheios de ruído e até desdém. Mas por baixo do ruído mediático ficou exposta uma fragilidade antiga da nossa democracia, que é a tentação de votar por reflexo, por medo ou por castigo, em vez de votar por responsabilidade.
Os resultados da primeira volta destas presidenciais mostraram um país menos dividido por ideologias e mais dividido por estados de espírito. O comentário político, nos jornais e nos estúdios de televisão, oscilou entre a leitura tática e a análise emocional. Falou-se de “mensagens simples”, de “proximidade ao povo”, de “anti-sistema”, como se a complexidade democrática fosse um defeito e não uma exigência. Nas redes sociais, os comentários amplificaram este padrão que oscilou entre menos argumento, mais clivagem e menos factos, mais narrativa. Nada de novo. O problema é que, desta vez, o contexto não permite distrações.
A democracia não se defende sozinha. Não basta votar. É preciso saber em quem se vota e porquê. Quando o voto se transforma num gesto de protesto vazio ou num aplauso irrefletido, deixa de ser um ato democrático pleno e passa a ser apenas um reflexo condicionado. A história europeia, e a portuguesa em particular, mostra que é nestes momentos que a democracia começa a emagrecer por dentro, não por golpe, mas por erosão lenta.
É aqui que a escolha ganha peso moral e político. Votar em Seguro não é um exercício de entusiasmo cego nem de idolatria partidária. É uma decisão consciente em defesa de um modelo democrático que valoriza instituições, equilíbrio de poderes, respeito pelo outro e sentido de Estado. Num cenário onde o ruído recompensa o simplismo e a agressividade, Seguro representa a ideia, cada vez mais rara, de que a política exige maturidade, memória e responsabilidade.
O voto consciente não é o voto mais ruidoso, nem o mais viral, nem o mais “revolucionário” no imediato. É o voto que aceita a complexidade, que recusa atalhos perigosos e que percebe que a democracia não é um espetáculo, é um compromisso coletivo. Fingir que todas as opções são equivalentes é o maior favor que se pode fazer à degradação democrática.
Este elefante na sala não vai sair sozinho. Ou se enfrenta, ou continua a crescer até ocupar tudo e partir a louça toda. Neste exato momento da vida política portuguesa, votar em Seguro não é apenas uma escolha política legítima, é, para quem leva a democracia a sério, uma obrigação cívica.

