Hoje, 24 de maio de 2025, Matosinhos despede-se de uma das suas vozes mais marcantes. Joaquim Queirós partiu aos 91 anos, mas a sua memória permanecerá viva nos corredores do jornalismo português e nos caminhos da cidadania ativa que percorreu com integridade e paixão.
Homem de palavra — escrita e dita — Joaquim Queirós começou cedo a sua caminhada pelos meandros do jornalismo. Passou pelas redações do ” de Notícias” e do “Comércio do Porto”, onde viria a assumir a direção. Mas talvez tenha sido com a fundação da “Gazeta dos Desportos”, em 1981, que mais vincadamente deixou a sua marca: um projeto ousado, inteiramente dedicado ao desporto, que revolucionou a forma como se olhava e escrevia sobre atletas, clubes e paixões coletivas. Sob a sua direção até 1995, a “Gazeta” tornou-se farol de qualidade e rigor, uma casa para jornalistas que viriam a marcar gerações e uma referência incontornável no panorama mediático nacional. Foi também o principal responsável pelo surgimento do jornal local “Matosinhos Hoje”, Fundado em 1993, destacando-se na imprensa local durante os anos 1990. Em 1995, foi reconhecido como o melhor jornal regional pelo Clube de Jornalistas de Lisboa, tendo a sua última edição ocorrido em junho de 2010.
Joaquim Queirós era mais do que jornalista. Era cidadão. A sua dedicação à terra que o viu crescer expressou-se não só nos jornais, mas também na política e na vida associativa. Foi vereador na Câmara Municipal de Matosinhos entre 1989 e 1993, e desempenhou papéis relevantes em instituições que definem o tecido social e cultural da cidade: o Leixões Sport Club, o Rotary Clube de Matosinhos, o Orfeão… Onde houvesse espaço para servir, ele fazia-se presente — sem ostentação, com firmeza de carácter.
Distinguido com a medalha de mérito desportivo pelo governo de Aníbal Cavaco Silva, Joaquim Queirós foi homenageado ainda em vida pelo seu contributo ao jornalismo e à causa pública. Mas talvez o seu maior legado seja outro: a persistente ideia de que informar é, acima de tudo, servir. Que liderar é escutar. Que viver é estar ao serviço da comunidade — com lucidez, sentido crítico e um apurado amor pela verdade.
A sua voz, tantas vezes escutada com atenção e respeito, cala-se agora. Mas o eco do seu trabalho continuará a ressoar nas páginas da história da imprensa portuguesa e nos gestos quotidianos de quem o conheceu. Joaquim Queirós não foi apenas um cronista do nosso tempo, foi um dos seus artesãos.
À família, aos amigos, aos colegas e a todos os que com ele cruzaram caminhos, a Redação e toda a equipa do Globalnews deixa palavras de conforto. A Matosinhos, deixamos o silêncio da saudade — esse silêncio que só se tem por quem foi verdadeiramente grande.
Que a terra lhe seja leve, Sr. Joaquim Queirós. E que a memória da sua vida nos continue a inspirar e iluminar.

