Decorreu, hoje, a apresentação oficial do Ecoparque do Atlântico, um projeto ambicioso que visa transformar o antigo parque de campismo da Madalena num espaço multifuncional e sustentável, de lazer e educação ambiental. Será desenvolvido com base nos princípios de sustentabilidade, acessibilidade inclusiva e manutenção da qualidade ambiental, promovendo o equilíbrio entre as atividades recreativas, culturais, desportivas e de conservação da natureza, tanto dentro da área de intervenção, como nos espaços contíguos. O projeto inclui a criação de um Centro de Juventude, com a implantação de unidades de alojamento modular, que pretende ser um espaço inovador, oferecendo respostas e oportunidades para os jovens.
O Ecoparque do Atlântico terá uma área de 17 hectares e poderá aumentar, no futuro, mais 10 hectares. Isto porque o Município de Gaia vai adquirir uma área de terreno ao sul com frente para a rua do Cerro e para a rua Clube Atlântico da Madalena até à Ribeira de Ateães, dando continuidade à requalificação deste corredor ecológico e integrando a área restante no parque urbano. Esta é uma oportunidade única para o Município ampliar o parque em cerca de 100 mil metros quadrados, valorizando o território, promovendo a sustentabilidade ambiental, diminuindo a pegada ecológica e criando percursos de manutenção à margem da Ribeira de Ateães, com ligação pedonal ao parque existente, perfazendo um total de cerca de 270 mil metros quadrados de área verde.
Este parque permitirá estabelecer uma conexão com a frente marítima de Gaia, promover atividades desportivas (como por exemplo o surf) e funcionar, ainda, como um ponto de partida para a sensibilização ambiental e para a promoção da conservação da biodiversidade. Para tal, há ações educativas, didáticas e culturais sobre temas ambientais, tendo presente a importância da conservação da natureza. Este será, também, o espaço de referência para a realização de eventos que já fazem parte do calendário cultural do concelho, como o Eco-Famílias, o Festival da Primavera ou o Festival Marés Vivas.
Ao nível de infraestruturas, o projeto inclui a requalificação dos equipamentos existentes e a implementação de tecnologias limpas e práticas sustentáveis. Serão, também, valorizados todos os vestígios destruídos existentes, sendo que qualquer intervenção nas imediações das áreas identificadas com a existência de vestígios destruídos deve ser precedida de uma avaliação que garanta a preservação desse património.
Este projeto reforça, assim, o compromisso do Município de Gaia com a promoção da sustentabilidade ambiental e o bem-estar dos seus cidadãos, oferecendo espaços públicos de qualidade e infraestruturas dedicadas a todas as faixas etárias. Neste contexto, o presidente da autarquia destacou que “podemos optar por dimensões de sustentabilidade tanto mais quando as contas nossas sejam, também elas, seguras” e, “por isso, por opção, abdicamos da receita que poderia significar a venda deste parque para os termos para todos nós. Um parque aberto a todos, para todos, para, onde não se pagará para entrar e podermos usufruir dos equipamentos e que pode ser uma nova liberação em Vila Nova de Gaia”.
Na sua intervenção, Eduardo Vítor Rodrigues registou a importância do resgate do terreno do antigo Parque de Campismo da Madalena, transmitido para o Município após a dissolução e liquidação do Fundo Especial de Investimento Imobiliário Fechado Gaia Douro. Em 2023, a autarquia resgatou os bens desse fundo, constituída em 2008, no ciclo autárquico anterior, por 17 milhões de euros, pondo fim à obrigação de pagar 200 mil euros por ano de rendas pela utilização de equipamentos como o Parque da Madalena, o Parque da Aguda, o quartel dos Bombeiros Sapadores, as Oficinas Municipais, entre outros.
Uma opção pela sustentabilidade, num espaço que “vale milhões”, e ainda mais valeria “se fosse vendido para construção”. “Podemos hoje não ver alienado um parque que poderia ter aqui uma megaurbanização, porque temos sustentabilidade financeira”, parabeniza-se, destacando que o terreno será brevemente zoneado como parque/equipamento, “sem capacidade construtiva”.
Quanto à execução deste novo parque, Eduardo Vítor Rodrigues esclareceu que “será transformado a partir de agora” e a expectativa é que possa começar a ser visitado no arranque do verão. “Este não é um daqueles equipamentos que necessitam de ter um complexo projeto arquitetônico e de engenharia, é um projeto que nunca estará pronto, que se vai fazer e construir e em que as pessoas vão participar. Ele vai ficar pronto, e a natureza vai ficar pronta, porque se vai se adaptando aos desafios e às novas soluções”. “Espero que seja uma referência para o que é Vila Nova de Gaia no contexto da sustentabilidade e da natureza”, concluiu.
Já Luís Alves, autor da concepção da proposta de definição e desenvolvimento do plano para o Ecoparque do Atlântico, parabenizou-se por poder estar “na génese daquilo que poderá vir a ser uma área fabulosa, um projecto fantástico para Vila Nova de Gaia. O engenheiro agrónomo sublinhou que este poderá vir a ser um “parque de referência da Europa”, muito focado nas questões ambientais e de sustentabilidade através da realização de “oficinas, espaço museológico, escavações arqueológicas, feiras biológicas, entre outras iniciativas.
