VAGA – Uma Experiência de Ocupação

“ Os devaneios, os loucos devaneios, conduzem a vida”

Gaston Bachelard

Marco Paulo Rolla e Dudude, são dois artistas do campo do improviso, estes dois brasileiros de Minas Gerais obrigam o público a imergir numa sensação de esvaziamento dentro de uma linguagem reativa, onde os movimentos do corpo e os adereços nos levam para um mundo quase psicadélico, o uso do palco no seu todo, por vezes numa correria desenfriada em sintonia com música levam-nos a uma imensidão de desenhos de imagens onde o que vem a seguir ninguém sabe… procura-se o abstrato.

O tema é ocupar uma vaga, uma vaga num mundo minimalista, uma procura pela sobrevivência inspirada por um lugar que faz parte ( ou não ) do nosso cotidiano. O tempo nesta peça passa pelo sossego, pela paz de um repouso, pelo silêncio e pela contemplação por vezes surreal. Umas vezes ocupam, outras vezes desocupam contornando quase sempre as estabilidades.

A vaga é usada para criar, para experimentar, para devanear e compartilhar ao mesmo tempo a poesia, a música e os movimentos repentinos numa dança que contempla os atores e o seu mundo artístico.

“ Cada dia observamos o aumento de regras para o viver. VAGA é um exercício de sensibilidade livre, sem conceitos premeditados. O devaneio é a poética! Exercer o artista no presente. Nos colocamos em suspensão, com a atenção de deixar sempre vago o espaço para mais um devaneio, como no processo artístico da criação”, observa o ator e também artista plástico Marco Paulo Rolla.

Dudude, artista de dança, oferece à plateia momentos de energia desgastante e usa o espaço do palco à procura da tal VAGA dentro de uma sensibilidade livre. “ Utilizaremos nossos desejos para ocupar o espaço vago de uma sala, e assim, desvelarmos imagens experimentais. Nossas habilidades na performance, na ação cênica, vão nortear e temperar a ocupação”,  explica Dudude.

O FITEI dá-nos esta oportunidade de ver em palco dois performers brasileiros que dão tudo o que têm em palco e onde “ rolam bolinhas”. Uma experiência rica em sentidos, onde a necessidade de ocupação do espaço é sem dúvida um devaneio que merece ser visto, ouvido e sentido.

 

 

 

 

 

 

Comentários

comentários

Powered by Facebook Comments