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Diogo Baptista / Global News www.diogobaptista.com

Hard Club, sexta-feira, antevéspera de São João. A faltarem uns 10 minutos para as 22h00, os Tricycles apresentam-se em palco. A banda portuguesa tem a particularidade de ser constituída por quatro cientistas cuja vida para além do rock se faz da demanda de soluções para o cancro: são investigadores no Instituto de Medicina Molecular, em Lisboa.

E se estão bem no laboratório, no palco também estão muito longe de destoar, bem pelo contrário. À laia de bons exemplos melódicos, podemos dizer que “Fading” soa bem e “Saliva” ainda melhor. A biomedicina a tempo inteiro e a música no restante tempo que Kronos lhes disponibiliza assenta-lhes bem, gostamos de ‘ou… ver’. Os Trycicles integram João Taborda na guitarra, teclas e voz; Afonso Rocha na guitarra e voz; Edgar Gomes no baixo e Sérgio Dias na bateria;

Os United Ghosts, a banda convidada para abrilhantar a noite num concerto há muito divulgado pela promotora Mr. November, entraram no estrado perto das 11 da noite. Depois de terem passado por Paris, Barcelona e Sevilha, os norte-americanos chegavam finalmente ao Porto para um espectáculo exclusivo em terras lusitanas no âmbito da Saturn Days Tour.

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A banda de Alex Ray e Sha Sabi começa bem ‘a contenda musical’, com “Holes Into The Night” e a entrada é positivamente abrasiva em termos de volume sonoro. Em “Unhypnotized” a voz melosa de Sha Sabi, bem como o porte e o estilo da vocalista e baixista loura evidenciam-se em combinação no canto com Alex Ray, ele que há-de vir a fazer das suas também na guitarra.

Desde 2011 que os dois músicos referenciados andam entre o estúdio e a estrada e a fusão da criatividade já redundou num álbum homónimo da banda: United Ghosts, lançado em 2013. Pelo caminho foi editado o EP Dear Electric Sun e o derradeiro Saturn Days, que dá origem à actual digressão e que foi tributário dos maiores elogios quer nos EUA, bem como em território europeu, onde foi merecedor da atenção da BBC Radio 6.

E “Modern Time” enfatiza o diapasão, com Joey Ponchetti em batida certeira na bateria e Michael Deragon em auxílio na outra guitarra e aqui e ali nos sintetizadores/teclados. Em “Ride, Baby Ride” (Saturn Days) Alex Ray denuncia o encanto e o manifesto interesse em ficar na cidade até ao dia seguinte, para viver o São João da festa nocturna com os martelinhos. E o público continua receptivo à simpatia e ao desempenho dos californianos, de tal sorte que trauteia o refrão simples do tema.  A sala muito composta, quase cheia, acede de igual modo à proposta consagrada com a música “Sparks From a Cold Star”, muito ritmada e com a sonoridade das guitarras a impor-se. Vai-se notando o registo Dreampop, há doses de psicadelismo quanto baste e os vídeos que passam no ecrã da retaguarda ajudam na viagem astral, em que a electrónica também pontua. “Out Of Love” é o exemplo cabal disso mesmo e é o tema que se segue.

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“Waves”, também do último disco, faz jus à denominada ‘boa onda’ do repertório da banda, com a dupla a afirmar-se com carisma nas lides de palco. A presença sensual e afirmada de Sha Sabi no baixo e voz em combinação com a maturidade e a simpatia reveladas por Alex vão, para além da música praticada, conquistando o público. “Ever Close” (Saturn Days) é descrita por Alex como uma música que alude ‘à paranóia’… securitária face ao medo da espionagem globalizada através dos satélites. “Melodista”, também da derradeira gravação em estúdio, é muito moldada pelas vozes e soa poderosa. E a epifania musical termina em grande conjugação instrumental, em que o contributo de Joey via bateria e de Michael na guitarra e nas teclas ecoa de forma significativa.

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Antes de se despedirem, os United Ghosts regressaram ao palco para satisfação de um encore reclamado pela audiência, através do qual fizeram desfilar “Echo” e “Too Clean”. A prestação dos músicos oriundos de Los Angeles foi seguramente uma das mais conseguidas de entre a dezena de propostas já sugeridas (e concretizadas) pela Mr. November, cooperativa tutelada por alguns Suspeitos melómanos do Porto. Os United Ghosts, pelo que provaram, são gente merecedora de subir ao palco de um dos nossos melhores festivais.

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