TINTA PERMANENTE. E viva o lucro!

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Luís Henrique Pereira, jornalista

Viva o lucro! Viva o lucro quando legítimo, transparente e limpo. Assim se “faz mexer” a economia. As economias. Não há quem trabalhe para ter prejuízo. É certo e sabido. A questão nem se colocava se em relação aos lucros se a coisa fosse pacífica. Transparente. O problema é que não é e cada vez menos.

Portugal “testemunha” de forma visível uma linha orientadora do lucro fácil. O lucro ilícito que se torna fácil de levar por diante. É uma vergonhosa realidade que avança em passos agigantados para se introduzir na tal “desordem natural das coisas”.

Os tribunais e os senhores juízes que decidem, têm tido muito labor com um “odor” emanado por uns tantos, que há muito já começa a não ser novo.

Os senhores e as senhoras que devem juramento ao chamado interesse público (muito diferente de interesse do público) entre deputados, banqueiros, presidentes de junta, presidentes de câmara, diretores e presidentes de empresas públicas, para não falar dos outros, que se entregam de forma gratuita ao “labor cerrado” de arrecadar sem dar disso ”testemunho”, estão em falta! Estão em falta e pelos vistos em falta vão permanecer.

Os vilipendiadores e os enganadores compulsivos, que misturam a “inteligência” com a falta de corda e com a vivência despreocupada, sempre amparada pela ideia de que de facto são “muito inteligentes”, nunca foram tantos como agora. Roubam mas são muito poucos os que pagam por roubar.

Multiplicam o lucro daquele que não se aconselha. Antes e depois de serem apanhados, quando são apanhados, em flagrante ou “desflagrante delito”. Estes acreditam que a história prova que, muitas vezes, o crime compensa. É a máxima existencial desta corja que tem palco diário na imprensa, rádio e televisão, pelos motivos os mais enxovalhantes!

E quantos são? Quantos são eles? Muitos! E multiplicam-se como martas. Ainda por cima queixam-se. Queixam-se muito. Quando são apanhados em mesas ou reuniões de “esclarecimento” nada sabem, muito omitem e têm então essa inusitada capacidade de olvidar. Olvidam, olvidam, olvidam. “Olvidar Forever”. É a máxima que rege esta gentalha que aparece e desaparece em ápices que, ao viandante e ao que paga impostos por obrigação, provocam irritabilidade crescente, fúria acompanhada por um descrédito total e absoluto nas instituições as mais diversas, que a todos deveriam servir se naturalmente funcionassem.

Não. Não são todos iguais. Mas cada vez existem os “mais iguais a eles próprios”. Sem vergonha, sem memória, mal-educados, descarados, dignos de um chorrilho de impropérios ou de um desprezo que se exige avassalador. Dignos de uma “chuva de manguitos”, que, como diria mestre Almada Negreiros, durariam “dois séculos” a gastar.

Quanto ao desprezo, esse nunca, jamais poderá ter fome de injustiça! Uma coisa são castanhas, outra são ou maçãs. Para esta gente, entre o 8 e o 80 começa a não haver 40. Certo é que começam a ser tantos que muitos são também os que, por cansaço, baixam os ombros a tanta “gatunice” junta. Começa a ser de um vulgar indecoroso! Nada de mais errado!

Já aqui me referi (na crónica da passada semana) às comissões parlamentares de inquérito (CPI) que acontecem no parlamento. Muitos destes “amantes” do “outro lucro” e das “outras verdades” sentam-se na mesma mesa dos senhores deputados para, mais uma vez, tentar um “branqueamento” imbecil e/ou um imbecil “branqueamento” aos seus passos, às suas manigâncias rumo ao lucro fácil, sem mais nem porquê.

Repito: viva o lucro. Viva! Quando legítimo, honesto e limpo!

Mas chega! Se as CPI não têm se ser tribunais, devem por força da sua legitimidade democrática, ser espaço e tempo de apuro de “verdades ocultas”. Nem sempre mas também. Os partidos políticos devem hoje, talvez como nunca, hastear a bandeira, esta bandeira, como a primordial das prioridades. Não está a acontecer. Longe disso!

A história prova (e nem é preciso recuar até Camarate) que, tal como tem estado, a coisa não funciona. As “Inconstantes comadres” escudam-se, ladeiam-se por muitos estranhos “canídeos” do direito, que de direito nada tem. Querem mais uma vez escapar ao passado que “encaixa” de forma vergonhosa na carteira dos que pagam, porque têm de pagar devaneios e vis propósitos de terceiros espertalhões!

Senhoras e senhores deputados! Uni-vos! Há que mudar as regras destes “jogos” que mais parecem uma espécie de Timeshare, dentro de um lugar a que chamam alma da democracia mas que tantas e tantas vezes se transforma mas é numa espécie de “tabernáculo do part time político”.

É também por estas e por outras que muitos, não todos, se dão ao direito de não exercer o direito de voto. Não teremos dúvidas sobre isso. Fazem mal mas não querem saber. O lugar-comum de que “eles são todos iguais” ganha força tal com os resultados e os vazios apuros das tão “majestosas” CPI. Assim não dá!

Luís Henrique Pereira escreve semanalmente

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