TINTA PERMANENTE. A “Inconstância das comadres”

Luís Henrique Pereira, jornalista

Gravitam, instalam-se, usam, abusam e zangam-se. Portugal está invadido pelas “comadres”. Uma espécie que se multiplica de forma severa e que tem a capacidade de viver o presente com a “formosa” convicção de que é mandatório esquecer o passado. Uma estranha espécie que transporta para o mesmo saco muitos habilidosos políticos, políticos habilidosos, os senhores da alta finança que não procuram o lucro legítimo mas o outro. Juntam-se a eles os seus seguidores, os que não pagam porque têm dinheiro para pagar, os que emprestam sem terem dinheiro para emprestar. E zangam-se. Às vezes zangam-se.

Pagam-se a seguir (porque também é mandatório) as balbúrdias e os devaneios destas “Illuminati”. Pagam-se a peso de diamante pelos que devem pagar porque ao pagamento não podem fugir.

Alguns senhores e senhoras do chamado “poder” local e outra tanta gentalha que vive de favores, com favores e para os favores, também entram nesta lista que custa a elaborar por tão densas e “escorregadias” “virtudes” que manifesta. E zangam-se. Às vezes zangam-se. É uma vilanagem que farta apenas a quem está de fora.

Já passou o 10 de junho. Mais uma vez ficamos com o mesmo cenário, o mesmo “pesaroso” cerimonial. Incipiente. Iníquo. Acontece, no entanto, que desta vez o 10 de junho, celebrado de forma vincada em Portalegre, teve um protagonista feliz. Daqueles que se calhar faz bem ouvir, atender, porque é dos que falam para todos e não só para alguns. Um rapaz “novo” com uma palestra nova. Nada de “rodriguinhos líricos” e/ou fatalistas e muito menos promessas que não só o vento leva, como com elas apanham os que cá andam.  

O jornalista João Miguel Tavares fez parar (por instantes) a parada, feita habitualmente de muitas vaidades e verborreias inconsequentes que costumam “empeçonhar” os discursos, os mais diversos, do dia em que se lembra de forma especial Camões, o Portugal do Continente e ilhas e o “outro” Portugal.

Sim. Há um outro Portugal. Já agora e a título de curiosidade, vejo os dados do Departamento de Assuntos Económicos e Sociais das Nações Unidas. Portugueses e luso-descendentes até à terceira geração espalhados pelo mundo são mais de 30 milhões.

O que João Miguel Tavares quis aferir, em relação aos que cá vivem, foi uma realidade assustadora que importa nunca olvidar. Estamos de facto muito longe de ser o país das oportunidades para os nativos. E não! Não somos os melhores do mundo, muito por culpa das “inconstantes comadres”. Há muitos “inconstâncios” por aí. São a linha orientadora de um seguidismo fétido. Há outros que seguem “filosofias socráticas” porque acreditam em consciência que nasceram para serem enganadores profissionais. Os “berardos” deste país também deveriam descer à terra e sair dos seus jatos e jatinhos privados e “privadinhos” onde congeminam quiçá, os mais desastrosos “negócios de família”. Se não saírem a bem, conviria que saíssem a mal.

Não acusamos porque não somos MP. Podemos e devemos é julgar através do nosso entendimento, o que andam a fazer estas “inconstantes comadres”. Seja o mexilhão, a ostra, ou o berbigão. Espécies que sempre pagam por “tabela apertada” o que os “muito inteligentes” fabricam nas “herdades de família”. Às vezes zangam-se!

Não pedimos vergonha porque nunca a hão de ter. Justiça? Sim, mas da outra. Esta há muito que não convence. Há que metralhar a “desordem natural” das coisas. Não chega abanar o pulso e maltratar as cordas vocais em “consoladoras” conversas de café. Está nas horas! Está na hora de perceber de uma vez por todas que a coisa não muda assim.

Quem ama a profissão de “inconstante comadre”, às vezes zangada, tem de perceber também que está na altura de cambiar de ofício. A bem ou a mal. Acredito que há muitos juízes com juízo. É preciso é que lhes seja dada a oportunidade “sem amarras” (que transparecem à luz do dia e ao “crepitar” da noite) de às “inconstantes comadres” aplicar severa lição. Severa lição para as “inconstantes comadres” deste país que é o nosso, que continuam a incutir em si próprias a ideia de que só eles existem para existir. Já agora, levem de uma vez por todas a sério as chamadas comissões de inquérito no parlamento ou então acabem de uma vez por todas com estas “compulsivas palhaçadas” que não conseguem convencer nada nada nem ninguém.

Luís Henrique Pereira escreve semanalmente

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