O derradeiro dia do Festival Marés Vivas era portador da figura musical que mais interesse suscitava à partida, até porque era a primeira vez que se deslocava ao Norte de Portugal: Sting o vocalista, compositor e baixista de uma das bandas que mais marcou a cena new wave, os Police, ia apresentar-se ao vivo e isso levou a uma nova enchente, das maiores do ‘Marés Vivas’ desde que a iniciativa existe.

Joe Sumner. créditos: Diogo Baptista

A dar o mote esteve Joe Sumner, precisamente o filho do músico britânico radicado há muito em Nova Iorque. Foi uma espécie de ‘2 em 1’ por atacado e as hostilidades abriram de forma serena com o líder dos Fiction Plane a criar a atmosfera para uma noite em que ainda iriam actuar Miguel Araújo, Sting e Seu Jorge. Tem algumas semelhanças físicas com o progenitor e a voz também possui algo de sucedâneo.

Miguel Araújo. créditos: Diogo Baptista

Miguel Araújo jogava praticamente em casa. Conseguiu cativar a muita gente presente no recinto já na altura: começou com “Fado dançado”, avançou por ali fora com a paulatina adesão do público que exultou ao ouvir os primeiros sons de “Pica do 7” e o também clássico “Anda Comigo Ver os Aviões”, tocou uma versão de “Like a Rolling Stone” de Bob Dylan e findou com “Os Maridos das Outras”, num concerto que não passou ao lado do festival, bem pode dizer-se.

Sting. créditos: Diogo Baptista

Finalmente num espaço onde não caberia sequer alguém atacado por anorexia, Sting entra em palco e ataca com “Sinchronocity”, tema dos Police, e toda a gente percebe que o espectáculo em termos de alinhamento será muito povoado por temas da banda à qual o músico pertenceu e continuará para sempre associado. A segunda afina pelo mesmo diapasão, e é ainda mais conhecida: “Spirits In a Material World”. E a terceira, essa sim, já é matéria assinada exclusivamente com o carimbo de Sting: “English Man in New York”.

À quarta está toda a gente aos saltos, pois trata-se de Every Little Thing She Does Is Magic” (também dos Police), “Fields of Gold” é tocada e cantada com finura e distinção. Um pouco mais adiante “Shape of My Heart” é a demonstração da firmeza e consistência de um músico que sabe o que quer e não precisa de provar nada ninguém.

“Message in a Bottle” (Police) é alvo de excitação popular, toda a gente canta com alma e fulgor o refrão. Segue-se a homenagem sentida a David Bowie, com “Ashes to Ashes” a ser abordado com classe. E num concerto com os pés na terra (mas que certamente ficará nos anais como um dos melhores de 2017), nada melhor do que ir até à Lua: “Walking On The Moon”, mais uma dos Police quase a findar. E é com “Roxanne” que a coisa acaba, para gáudio da multidão presente que reclama o previsível encore.

O músico e a banda acedem e deixam mais uma pegada no estrado com “Next to You” e Every Breath You Take”, ambas da banda com nome de autoridade. E a celebração tem o seu término com uma segunda chamada ao palco, para que “Fragile” seja o contraponto de um concerto que foi muito sólido.

Seu Jorge. créditos: Diogo Baptista

Seu Jorge ficou com algo aproximado a uma meia casa e com uma tarefa hercúlea entre os braços: manter um nível qualitativo apreciável na prestação musical após um concerto de elevado quilate do músico inglês, algo muito difícil de conseguir, mesmo para alguém que patenteia competência como é o caso do músico brasileiro. Para o ano há mais, o mar por agora ficou flat.