- publicidade -

Março de 2020 poderá certamente ficar representado como o ponto em que o mercado imobiliário português assistiu ao seu primeiro revés naquele que foi um período ímpar de crescimento, propulsionado por uma procura sem igual com preços que ultrapassaram até as mais otimistas previsões.

Ainda que um período de crescimento tenha sido observado entre Fevereiro e Março de 2020 na ordem dos 2%, este é já um sinal de quebra acentuada num setor que, também ele, se ressentirá dos efeitos económicos do Coronavírus.

O período entre Setembro de 2019 até Março de 2020 é, inclusive, um dos que maior crescimento observou com uns impressionantes 12%, em muito impulsionado por uma procura acentuada de habitações em grandes centros, destinados a criar aluguer de curta duração, apostados em capitalizar numa procura turística sem igual.

Os Distritos Mais Populares

Não será com surpresa que os distritos que mais beneficiaram desta valorização ao longo dos últimos anos sejam o distrito de Faro, Lisboa e Porto, impulsionados por este constante “boom” do mercado turístico português.

De facto, tamanha popularidade trouxe tantas oportunidades como motivos de preocupação que, com o aumento de preços em escalada, se viram afastados dos centros urbanos das grandes cidades, agora convertidas em enormes atrações para estrangeiros de todo o mundo.

O efeito que o Coronavírus terá neste segmento será difícil, para já, de antecipar. Será de estimar, porém, que acompanhando a queda descendente da procura turística, severamente afetada por esta situação, venhamos a observar alterações consideráveis no mercado imobiliário e nos preços praticados.

O Mercado Aguarda Sinais Positivos

Até na pior das crises haverá lugar para otimismo, porém o clima de incerteza é por demais complexo para entender a sua verdadeira dimensão.

Se tanto o mercado de compra e venda como o mercado de arrendamento subiam 3% entre Fevereiro e Março de 2020 em pleno clima de início de pandemia, é expetável que nos próximos meses estas tendências de subida sejam aniquiladas e entremos num período de quebra dos preços em ambos os segmentos.

Os próximos meses serão, aliás, tempos de extrema incerteza com grande parte dos principais operadores deste setor a demonstrar uma acentuada preocupação em relação ao seu futuro. Números mais atuais certamente deverão ir dando a resposta a este pressentimento enquanto o mercado vai procurar formas de se ajustar à nova realidade que lhe foi imposta.

Oportunidades em Tempo de Pandemia

Se o sentido dos preços tende para o descendente, é também de acreditar que será neste período que surgirão as melhores oportunidades para aqueles que as puderem aproveitar.

Com os preços em previsível queda no mercado de compra e venda, poderá fazer a diferença para todos os que até agora adiaram a compra de casa devido a preços mais elevados.

Ao mesmo tempo que esse mesmo mercado principal perde velocidade, novas oportunidades abrir-se-ão no mercado de arrendamento, penalizado nestes últimos anos pela mesma tendência ascendente de preços incomportáveis para a maioria dos cidadãos comuns.

Se os efeitos da pandemia começarem a ver sinais positivos e inclusive algo surgir numa linha temporal menos extensa que comece a reverter todo o estrago económico feito até aqui, poderá ser o sinal positivo que a economia necessita de forma a devolver ao mercado imobiliário português algum fulgor.

Como em tantas outras questões pertinentes na vida, também nesta somente o tempo o dirá.

Comentários

comentários

- publicidade -