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Programa Municipal «Gaia Cuidador» reforça valências

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Em 2021, a Câmara Municipal de Vila Nova de Gaia foi inovadora e criou o Programa Municipal «Gaia Cuidador» uma vez que o programa nacional aplicado aos trinta municípios não incluía o concelho. Mesmo depois do alargamento do estatuto do Cuidador Informal, por parte da Segurança Social, a todo o território nacional, a autarquia optou por manter a sua política de apoio, nos mesmos moldes. Novos desafios se colocam e o programa será, agora, reforçado com novas valências, que serão discutidas na próxima reunião do executivo municipal (segunda-feira, 22 de janeiro, 16 horas, Auditório Manuel Menezes de Figueiredo).

Com a reformulação do «Gaia Cuidador» serão mantidas as medidas anteriormente adotadas, mas também implementadas novas, como a criação de uma equipa multidisciplinar e da Pausa do Cuidador. Manter-se-ão os grupos psicoeducativos, as atividades do Gaia A’Cuidar-te e a atribuição do apoio económico.

A equipa multidisciplinar irá incluir especialistas de várias áreas, como médico, enfermeiro, psicólogo, fisioterapeuta e terapeuta ocupacional, com intervenção no domicílio dos cuidadores, com o objetivo de realizar rastreios de saúde e apoiar na organização da medicação; prestar apoio psicológico; criar uma linha telefónica para apoio emocional e esclarecimento de dúvidas ao cuidador; fomentar a realização de atividades de estimulação física e cognitiva para os cuidadores no domicílio, com exemplos de exercícios práticos para o dia a dia; informar sobre principais estratégias que facilitem o dia a dia, quer no ato de cuidar como a nível emocional; avaliar a necessidade e a possibilidade de realização de pequenas alterações de melhoria do espaço envolvente do ato de cuidar, para facilitar a prestação de cuidados e contribuir para a melhoria da qualidade de vida do cuidador. A criação desta equipa multidisciplinar irá implicar o estabelecimento de parcerias com outras entidades.

Por outro lado, é pretendido fomentar momentos de pausa e descanso ao cuidador, mediante a constituição de uma equipa para substituição regular do cuidador, com o objetivo de permitir a sua saída durante uma parte do dia para a realização de tarefas. Esta saída será possível graças à presença de um dos técnicos da equipa multidisciplinar, sendo que, numa fase posterior, pretende-se criar uma bolsa de voluntários (com formação e sensibilização para este tipo de intervenção) que possa permanecer algumas horas com a pessoa cuidada. Esta situação requer tempo e disponibilidade do cuidador para o estabelecimento de uma relação de confiança e proximidade com o voluntário, sendo que esta transição será garantida pela equipa multidisciplinar até à autonomização do voluntário.

Além dos apoios pecuniários, os cuidadores integram ainda grupos de psicoeducativos que dinamizam sessões em diversas áreas (social, psicologia, saúde, entre outras), com o objetivo de partilhar saberes e desafios, acompanhar e encaminhar para respostas adequadas, entre outros. Com o término destes grupos, pretende-se que surjam grupos de ajuda mútua, mantendo-se a dinâmica e o contacto próximo de e entre cuidadores.

Além de tudo isto, nos últimos dois anos, foi possível apurar o interesse dos cuidadores por atividades diferenciadas e de participação livre, fomentando a importância da promoção de espaços de convívio, interação e lazer e dando tempo para pensarem em si, para relaxamento, diversão e interação com outros cuidadores. Pretende-se, assim, manter estas atividades regulares ajustadas ao interesse de cada um (Gaia A’Cuidar-te), reconhecendo, dignificando e apoiando o seu papel enquanto cuidador.

De realçar ainda que o «Gaia Cuidador» envolve a atribuição de um apoio económico aos cuidadores informais, dentro de dois principais valores, pagos trimestralmente: 220 euros no caso dos cuidadores informais principais e 120 euros no caso dos cuidadores informais não principais. Esta prestação, atribuída por um período sucessivo, e renovada automaticamente, pode ser acumulada com qualquer outro apoio social ou rendimento do cuidador informal. Ao longo deste período, o processo será reavaliado pelos serviços municipais.

Além da ajuda financeira, o programa disponibiliza orientação técnica, através da realização de sessões de informação e esclarecimento para o desenvolvimento dos cuidados a prestar; encaminhamento para as redes de suporte; implementação de medidas que promovam a conciliação entre a vida pessoal e a prestação de cuidados (como, por exemplo, o acesso gratuito aos equipamentos municipais) e acompanhamento técnico de proximidade. Desde 2021, ano da criação deste programa, e até agosto de 2023 foram apoiados 529 cuidadores informais, num investimento municipal total de cerca de 540 mil euros.

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