Ricardo Silva e Sofia Roquete vencem prova de 43 kms da Louzantrail

Ricardo Silva, da EDV – Viana Trail, e Sofia Roquete, da Amcf – Arrábida Trail Team, foram os grandes vencedores da prova de 43 km do Louzantrail, evento que teve lugar nos dias 26 e 27 de janeiro na Lousã. André Rodrigues, Prozis Athlete, levou a bandeira nacional ao segundo lugar do pódio da prova de 29 km, do circuito ibérico Salomon Golden Trail Series, quebrando a hegemonia espanhola nesta competição.

A organização do Louzantrail, a cargo do Montanha Clube Trail Running, prometeu, para os dias 26 e 27 de janeiro, “um evento de emoções” e não defraudou as expetativas. As condições eram perfeitas, a começar pelos trilhos da Serra da Lousã, que imprimiram exigência aos percursos, mas também o cariz histórico e uma beleza natural ímpar. Essa foi uma das condições, a par da qualidade organizativa do evento, que fez com que a distância de 29 km integrasse o circuito ibérico Salomon Golden Trail Series, tornando-se o Louzantrail no primeiro evento nacional fazer parte deste circuito. Com ele vieram uma constelação de estrelas internacionais juntar-se às nacionais, que tão bem conheciam o percurso, elevando o nível de competitividade desta distância. 

Mas comecemos pela prova principal, o Louzantrail Ultra, a contar para o Campeonato Nacional de Trail Ultra, da Associação de Trail Running de Portugal (ATRP), além de qualificar para o Ultra Trail du Mont-Blanc. Ricardo Silva, da EDV – Viana Trail, vencedor da edição de 2018 voltou a não dar hipótese aos adversários e foi o primeiro a cortar a meta do percurso de 43 km e 3000 metros de desnível positivo numas estonteantes 4h30m12s, antecipando-se em mais de 17 minutos ao segundo classificado, Nuno Silva, da Team Trail Bifase. “O percurso este ano era diferente, com menos desnível, mas bastante mais técnico. Devido à época do ano, houve a vantagem de não fazer tanto calor, mas o terreno estava bastante mais pesado. Foi uma boa experiência, porque ficamos com a noção da prova em duas épocas que oferecem condições completamente diferentes”, afirmou o vencedor no final da prova. A fechar o pódio masculino, o colega de equipa de Nuno Silva, Hugo Gonçalves, chegou à meta com o tempo de 04h56m20s.

A mais rápida entre as mulheres foi Sofia Roquete, da Amcf – Arrábida Trail Team, que precisou de 5h57m55s para cortar a meta “a abrir”, como classificou a sua chegada. E explicou: “A prova correu muito bem. Sei que não sou muito boa a descer e, por isso, nesta parte final estiquei um bocadinho. Não sei como é que vêm as outras, mas estou muito satisfeita. Já conhecia estes trilhos daqui e já sabia o que esperar. Esta serra já me fez muito feliz e espero que seja um bom pronuncio para o mundial, em junho.”

O pódio ficou completo com a chegada em simultâneo de Cristina Couceiro, da Arsm – Associação Recreativa De S. Miguel, e Ester Alves, da Salomon. As atletas precisaram de 6h11m44s para concluir os 43 km do percurso.

André Rodrigues impõe-se entre a supremacia espanhola nas Golden Trail Series

Os resultados na prova de 29 km, que pela primeira vez integrou o circuito ibérico Salomon Golden Trail Series, fizeram jus às expectativas e o espanhol Eduard Teixidor (2h50m49s), da Salomon, apenas conseguiu escapar por 1m12s ao segundo classificado, o português atualmente no projecto Prozis Athlet, André Rodrigues. O espanhol Santiago Mezquita fechou o pódio masculino 3m03s depois do primeiro classificado, o que mostra bem a competitividade que se fez sentir nesta distância.

Eduard Teixidor afirmou que “esta foi uma prova dura, mas bonita”. E acrescentou: “Tem subidas duras e descidas curtas e rápidas, mas é muito corrível. Andei apenas uns 100 metros. A última subida é muito dura, mas consegui sempre correr e foi aí que me consegui distanciar um pouco do André, depois andei um pouquinho para recuperar e foram os 100 metros que andei. Sai-me bem. Foi um bom dia.”

Já André Rodrigues, especialista em ultra trail, disse que tendo em conta que há quatro anos que não fazia provas tão curtas não sabia bem o que esperar. “É um ritmo alucinante. Estou habituado a ir rápido, mas em passo solto. Aqui temos de ir muito mais contraídos nas subidas e nas descidas, sempre no limite, enquanto que no ultra trail estamos habituados a relaxar nas descidas, para recuperar. Achava que talvez pudesse ganhar, pensava que eram mais quilómetros planos. Ainda sonhei na parte final, tentei, dei tudo, mas estou muito satisfeito. É muito bom termos em Portugal uma competição a este nível, porque normalmente tenho de ir para Espanha correr com eles”, resumiu. Esta “viragem” para distâncias mais curtas faz parte da preparação do atleta da seleção nacional para o Campeonato do Mundo de Trail, que se realiza em junho, em Miranda do Corvo, e, neste contexto, André Rodrigues adiantou que até lá vai continuar a treinar estas distâncias e depois volta para o ultra trail, que é o que gosta de fazer.

Do lado feminino, a distância entre as primeiras classificadas também revelou bastante competitividade. A mais rápida foi a espanhola Paula Cabrerizo Cuevas, da Ekuon-El Conchel Sport Team, que precisou de 03h20m32s para chegar à meta, 3m27s antes da segunda classificada, a britânica e campeã do mundo de longa distância de montanha, Charlotte Morgan, da Carnethy Hill Racing Club. A espanhola Marta Molist Codina, da Inverse Team, fechou o pódio feminino às 03h31m03s. “Estou muito contente, não vou esconder, porque vim com uma lesão no menisco e tenho estado um pouco parada. Gostei muito da prova. Tem bastantes subidas e descidas, com algumas zonas muito técnicas. Isso e as paisagens encantaram-me, pelo que penso voltar. Para já vou continuar a participar noutras provas da Golden Trail Series e desfrutar”, afirmou a vencedora.

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