Night Flowers em ‘autêntica fotossíntese musical’ no Hard Club

A produtora, melhor, a Cooperativa Mr. November, que em boa hora se (intro)meteu no segmento de promoção e realização de concertos do segmento musical mais alternativo, proporcionou na sexta-feira à noite ao público mais um concerto: os ainda pouco conhecidos londrinos Night Flowers estiveram no palco da Sala 2 do Hard Club e o saldo da prestação foi francamente positivo.

The Fool Moon Cool. créditos: Teresa Mesquita/GN

Já tinham batido as 21h30, e apenas com um ligeiro atraso, entraram no estrado os portuenses The Fool Moon Cool cuja sonoridade rítmica se apresenta quase em registo da banda sonora de um Pulp Fiction, de Tarantino e/ou dos filmes de David Lynch, a que se adiciona uma dose de rockabilly. Ficou patenteada a qualidade dos seis músicos ao longo de uns bons 40 minutos, talvez um pouco mais. Carla Lopes, Tozé Ferreira, Gil Santos, Nuno Gaspar, Nuno Caldeira e Susana Ribeiro são o sexteto que dá a cara pelo projecto e esperam-se bons voos daquela que neste concerto foi a banda-suporte dos Night Flowers. A atmosfera ambiental e a suavidade instrumental, aqui e ali pontuada com uma erupção mais frenética da voz, da guitarra e da bateria, conquistaram que lá esteve. “Hold On”, “Rio Grande” e “Johnny Guitar” e “Black Pearl” ficaram para a posteridade.

Night Flowers. créditos: Teresa Mesquita/GN

A substituição do material de palco tornou imperativo um hiato de tempo, até que às 22 horas e 53 minutos entram em palco os Night Flowers. “Sleep” é bem acolhido pelo público que compõe a sala em bom número, apesar dos londrinos ainda serem uma banda emergente e, por conseguinte, estão ainda numa fase de demanda dos créditos da crítica especializada e do público. Sophia Pettit, a vocalista, agita-se elegante num vestido preto debruado a prata e com manga solta nos braços, apresenta-se descalça para sentir melhor o estrado que pisa, marca o pulsar rítmico com a pandeireta. Greg Ullyart, na guitarra, é o mais gingão e combina bem a voz com a da cantora.

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“Sitting Prety” adensa a sonoridade e a conjugação de vozes ganha ainda maior dose de enlevo, uma sequência melódica a preceito, o instrumental solta-se bem reforçado. “Glow In The Dark” solta-se logo a seguir e a sacerdotisa da voz e dos teclados convoca a planura, o baixo está insinuante e a guitarra de apoio marca presença. A audiência vai dando mostras de satisfação pelo que ouve e demonstra-o aos músicos. 

Night Flowers. créditos: Teresa Mesquita/GN

A adesão à proposta musical dos Night Flowers intensifica-se e a isso a ajuda a imensa simpatia que irradia dos britânicos: encantados pela recepção que tiveram no Porto, a todos os níveis. O Global News passou alguns (bons) momentos com eles durante a tarde, no período que antecedeu o teste de som e publicaremos em breve essa conversa. A afirmação da presença em palco verifica-se também com “Head On” e percepciona-se, tal e qual como na gíria futebolística, uma grande margem de progressão para esta equipa sonora. Os músicos surgem imersos num banho de luz azulada e apenas se distinguem pelo recorte das figuras, uma vez estão de tal sorte difusos ao olhar de quem os observa, pontuados aqui e ali com umas discretas luzes vermelhas fixas. Sophia senta-se a cantar no rebordo do palco para um contacto mais próximo com o público, depois de ter ensaiado gestos em ritmo balanceado e sensual.

Night Flowers. créditos: Teresa Mesquita/GN

 “Lotta Love” é o momento ideal para presentear a mãe da vocalista, que se encontra no meio do público, com o “Parabéns a Você” em português, a versão lusitana agradou aos elementos da banda. Mas o novo tema é debitado por via de um som sólido e metálico marcado pela bateria. À pergunta: “Quem já nos ouviu alguma vez noutro lugar?”, responde um corajoso do meio da audiência que atirou Sheffield como a cidade em que assistiu a um concerto da banda. “Hey Love” é indie pop desempoeirado e melódico, com um belo dedilhar na guitarra e uma parceria de vozes em conformidade com as teclas aveludadas pelo manuseamento da líder. “Losing The Light” é daqueles temas libertadores, flui na onda harmónica criada pelas vozes e pela marcação da bateria e que faz com que embarquemos na seguinte: “Night Train”. Adivinhava-se um final quando a magnífica “Cruel Wind” finalizou o alinhamento. Zebedee Budworth, o baterista, ficou para trás na chamada para o encore. Sophia justifica o atraso com uma ida ao wc. “Embers” estimula algum frenesim em palco e agitação na plateia. Frederik Fuller e Paul Beal revelam solidez no apoio por via da guitarra e do baixo. E tudo acaba em ‘foguetório sonoro’, com recurso a “Fireworks”. A aposta estava ganha, ‘as flores nocturnas’ medraram a bom ritmo. Ficou a convicção generalizada de que o palco da Sala 2 do Hard Club será pequeno para os londrinos num mais do que desejado retorno.

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