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O impulso básico das comparações repete-se de ano para ano. A teimosia dos contrapontos entre Porto e Barcelona no que ao cartaz dos ‘Primaveras’ de cada uma das urbes ibéricas diz respeito pode muito bem fazer-se ao estilo do futebol: alguém ousaria comparar o valor atual dos plantéis dos principais clubes representativos das duas cidades? É abusivo fazê-lo? Talvez não. Então passemos da analogia metafórica para a música propriamente dita.

Um cartaz como o do Optimus Primavera Sound (OPS), que hoje foi apresentado nos Paços do Concelho da Invicta, e que possui nomes como Pixies, The National, Caetano Veloso, Mogway, Godspeed You!, Black Emperor, Warpaint, Neutral Milk Hotel, St Vincent, Kendrick Lamar, Slowdive ou John Grant afigura-se menos despiciendo do que à partida se possa julgar, sobretudo em ano de crise. Para quem teima em comparar, deve dizer-se que os orçamentos são desiguais, o grau de envolvimento das empresas patrocinadoras é outro do lado de lá, na Catalunha, que neste período conjuntural também vive em apuros, mas continua a ser a região mais rica de toda a Península. E a razão precedente justifica que Arcade Fire e The Queens of the Stone Age constituam talvez as maiores lacunas do OPS, apresentam-se na cidade condal e irão estar presentes em Portugal no seio da amálgama musical indistinta do cartaz do próximo Rock in Rio.

Shellac e Lee Ranaldo serão repetentes,!!! Chk, Chk Chk são velhos conhecidos de festivais portugueses, ainda assim com atuações memoráveis nos palcos lusitanos. Mais ‘velhinhos’ ainda são os Television cuja presença fará tributo ao mítico álbum “Marquee Moon”, registo que influenciou músicos e bandas desde o longínquo ano de 1977.

Ty Segall, Glasser, jagwar MA e Sky Ferreira podem muito bem vir a fazer mossa (musicalmente falando) no Parque da Cidade. A representação lusitana estará a cargo, entre outros, dos You Can’t Win Charlie Brown e Os da Cidade e da língua portuguesa com sotaque espera-se com reiterada expectativa, isto para além da presença que Caetano Veloso sempre consagra, pela vinda de Rodrigo Amarante.

De 5 a 7 de Junho, numa ansiada ‘Primavera’ feita em tons melódicos mais sonantes que os pingos de chuva que agora grassam, a mancha campestre do solo urbano voltará a enfeitar-se com a paleta musical do pop, rock e folk ditos ‘mais alternativos’ e preencher-se de uma tribo urbana de variadas proveniências.

 

Texto: João Fernando Arezes

Fotos: Diogo Baptista

 

 

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