Tinta Permanente: Ingmar Bergman em pequenina revisitação

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Tinta Permanente: Ingmar Bergman em pequenina revisitação | Luís Henrique Pereira, jornalista Não tive mais tempo e entrega sinceros. A lista é por isso curta não se assustem. “Em Busca da Verdade” de 1961, “Morango Global News Portugal
Luís Henrique Pereira, jornalista

Não tive mais tempo e entrega sinceros. A lista é por isso curta não se assustem. “Em Busca da Verdade” de 1961, “Morangos Silvestres” de 1957, “Sonata de Outono” de 1978, “Fanny e Alexander” de 1982 e o filme “Vergonha” de 1968. Muitos ficaram de fora nesta revisitação feita deleite, mas ainda vão a tempo. Certeza!

O sentimento, os sentimentos, as relações, as repentinas mudanças, as familiares e as outras, o toque à perfeição, na fotografia, nos olhares, na captação do som rodeante. Os relógios de parede, as roupas dos protagonistas, o respirar, o toque, a gaveta, o livro em folhear, o motor do automóvel ou até os “gritos” da guerra do Báltico (na película “Vergonha”). Depois há os protagonistas. Os gigantes, como Max Von Sidow e as eternas como Ingrid Bergman, por exemplo. É tudo bom. A preto e branco ou a cores. Tudo!

Ingmar Bergman consola o espetador de uma forma real e sensorial como poucos o fizeram ao longo da história. Sente-se a ambiência. As ambiências. Sente-se o cenário e os protagonistas em alta. A tristeza que de repente se muta em arrogância, raiva ou “ganância destemperada”. Está lá tudo em “harmonia” rara.  

O mundo de Bergman é um mundo de perfeição em contínuo. Ele quis que assim fosse. Há um realismo que toca de forma assustadora, mesmo em películas de “outros tempos”, anos 50, ou 60 por ele idealizados/realizados.

O remorso tardio, a guerra que acaba com a paz idílica e própria de um paraíso, os silvestres morangos que remetem o seu amante para um passado de tristeza e choque. Há personagens que se descobrem e que no discorrer da narrativa nos acordam ou nos tocam de formas muito diferentes e muito particulares. Fazem pensar na vida. Na nossa e nas outras.  

A obra de Bergman é vasta, assim como a qualidade associada a esta vastidão. Que bom! Um sonhar acordado, imerso em histórias “reais”. Juro que reais!

Não conto aqui contar enredos ou divulgar sinopses. Por isso mesmo conto convidar. Convidar o leitor a revisitar sem pressas a obra de Ingmar Bergman numa retrospetiva que possa aparecer por aí ou em casa. É preciso é um tempo que não se quer livre mas de entrega imensa. Tem de ser assim. Vale a pena. É motivador e apaziguante, especialmente numa época em que correr contra o tempo da mãe natura, se tornou vida para muitos. Para muitos, não para todos.

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