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O Capim Dourado tem o Brasil todo lá dentro

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Ainda estamos presos à ideia de que a gastronomia brasileira é rodízio. É fácil perceber que, olhando para a dimensão do país e a sua diversidade geográfica, esta afirmação não pode ser verdadeira. Expressão do sul do Brasil e de uma certa dose aventureira do peão, o churrasco é apenas uma das valências de um país riquíssimo em gastronomia, do Rio Grande do Sul ao Amazonas.

É isso que o Capim Dourado mostra, o Brasil completo. Instalado na Rua de Cedofeita, artéria que está a ganhar nova vida depois da travessia do deserto, o restaurante tem uma sala grande e acolhedora e um jardim de decoração tropical, em que só o tempo nos faz recordar que vivemos no clima atlântico.

À entrada, ao sentar, não descarto a caipirinha. A clássica e a de abacaxi e hortelã foram as que gostei mais. Elas têm um lado tão leve e fresco (e regulado em açúcar) que é fácil chegar à segunda. Para a refeição, contudo, vinho ou cerveja harmonizam melhor com os pratos. A lista de vinhos é curta, mas tem propostas de qualidade. Também há chopp, que faz parte da cultura gastronómica brasileira.

O que é transversal a toda a cozinha oferecida pelo Capim Dourado é a intensidade e calor dos pratos. Sabores apurados, molhos ricos, caldos intensos, acompanhamentos clássicos e desafiantes.

Na primeira visita, um Domingo, a nossa escolha foi para a feijoada. Domingo é dia de feijoada e o Capim Dourado leva isso a sério. Põe música a acompanhar e a tarde começa bem. A feijoada, essa, é rica, inteira e bem puxada, com caldo denso que é sinal de apuro, e muita carne. Com arroz, farofa e couve, ficou completa. Enquanto esperamos, pedimos bolinhas de pão de queijo, que vêm num cone e se chamam pipocas. Vêm mornas e são cremosas com um final amargo próprio do queijo. Também veio para a mesa um tártaro de carne de sol fresca num tufado de tapioca crocante. Outra boa entrada para a refeição.

Também vale a pena abrir as “hostilidades” com uns croquetes de abóbora com recheio intenso de carne seca onde se sente bem os sabores dos dois ingredientes, acompanhadas de um molho bbq doce e ácido. Ou o húmus de grão-de-bico indígena com chips de banana, que está no menu veggie. Os puristas vão reclamar, mas o sabor algo salgado e o chip pouco doce complementam a experiência. Não perder o escondido de carne de sol, debaixo de um queijo cremoso que é preciso deixar arrefecer. Cada porção enche a boca toda e que vale a pena todas as garfadas que pudermos dar neste tira-gosto bem conseguido.

Nos principais, boa opção é a moqueca mista, de camarão e peixe branco. Um caldo abrangente e fumegante que cobre todo o pote. Tomate e pimentos trazem complexidade ao prato e o final é longo e persistente. Gostei também da galinhada com quiabos, pelo exotismo. Um frango estaladiço por fora e suculento por dentro com uma marinada levemente doce. Acompanhou com um arroz que tinha várias texturas e que alternava entre sabores nossos e exóticos. Também há um filet mignon de boa origem, servido no ponto certo, com arroz e couve mineira levemente cozida e palha de mandioca que podia ter mais sabor. Um “osvaldo aranha” 2.0 a chamar a comida gaúcha ao menu.



No Capim Dourado não se podem ignorar as sobremesas. Há muita criatividade na pastelaria, seja pelo Romeu e Julieta, que no Brasil é com goiabada e que neste caso foi transformado em petit gateau com gelado de queijo, tudo muito decadente, seja pela interpretação mais clássica do pudim de tapioca com coco queimado, ou ainda o gelado de caipirinha.

O serviço, da porta à apresentação da conta, é completo e preocupado. Há serviço de bar cuidadoso e eficaz e um serviço de sala que, dada a dimensão do menu, nos ajuda a tomar as melhores decisões em função do nosso estado de espírito.

Com o Capim Dourado há mais Brasil no Porto. Só nos podemos alegrar com isso.

Paulo Russell-Pinto
Paulo Russell-Pinto
Crítico gastronómico, cronista de comida e vinhos desde 2010 e autor de um guia de restaurantes da cidade do Porto.

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