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“Chefs on Fire” aqueceu Aveiro

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O Chefs on Fire expande-se. Sai do seu local de nascimento, o Estoril, e depois de ter parado em Almada, cresce e cria raízes mais a norte, em Aveiro. Espero que para ficar.

É um festival que nos move pela comida, mas onde acabamos por encontrar a conversa, a amizade e a música num momento só.

A ideia seminal é clara: trazer chefs para cozinharem na fogueira e proporem aos comensais pratos de grelha, assados ou fumados. Uma cozinha sem eletricidade, com outros tempos de preparação e paciência. Com isso, a proposta é deixar fluir a sua criatividade ou regressar a origens gastronómicas que às vezes deixamos esquecer.

Há ainda outro pormenor importante, Portugal não é um país de “pits” ou de grelhas. É um país de tachos e de forno. Por isso, a proposta do “Chefs on Fire” é também uma descoberta gastronómica para quem participa e para quem cozinha.

O local escolhido harmonizou na perfeição com a filosofia do evento. Ignorando a nortada que levava o fumo em todas as direções (complementado a experiência de “churrasco” a todos os que lá estiveram), alojou-se à volta do coreto do jardim do infante d. Pedro, local de frondosas árvores e muita sombra. O corte dos sons da cidade no arvoredo ajudou a criar um ambiente tranquilo e silencioso q.b. para quem queria aproveitar um evento sem a aceleração frenética dos festivais de verão e das festas da aldeia.

No dia em que participei, domingo, tive a oportunidade de provar pratos feitos pela Rafaela Louzada, do Gruta, no Porto, e pelo César Vitorino, do restaurante Foco, em Leiria. A proposta vegetariana da chefe brasileira foi uma surpresa, pois a maçaroca assada na brasa, docinha e tostada, era coberta por um molho especiado denso a que se colavam pedaços de queijo salgados que se completavam todos na boca. Serviu como uma excelente entrada para depois engolirmos um “roll” de polvo assado e legumes, leve, com o brioche do pão a dar elegância ao snack. Na outra fogueira, César Vitorino apresentava um bife laminado de Marinhoa seca ao sol e depois grelhada, o que lhe conferia um interior mal passado e um exterior fumado e seco, num contraste de sabores e texturas. A proposta de sobremesa deste chefe era uma rabanada tostada leve com um creme fresco e macio.

Assim se rematou um conjunto de 4 pratos, todos incluídos no bilhete, comidos durante mais de 3 horas, com o seu tempo próprio e num espaço calmo e acolhedor, decorado em estilo de quinta, a que não faltavam fardos de palha e cadeiras antigas. Do coreto chegou a música do Tiago Nacarato, também ela próxima e intimista do público.

O evento não é barato. Ao meu lado, sentado na mesa corrida onde se mistura toda a gente, alguém dizia que se fosse um pouco mais barato era perfeito. Talvez. Estamos habituados a aceder a provas de vinhos e festivais de comida quase de graça e pagar bem por um evento é uma coisa estranha. Mas necessária. Não há bons eventos e coisas inovadoras sem investimento.

Participar no pop-up do “Chefs on Fire” deste fim de semana foi sentir uma lufada de ar fresco nos eventos gastronómicos em Portugal. Deixa a água na boca para ir visitar o evento principal em setembro e o desejo que volte depressa a terras nortenhas.

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