Vai gritar-se Dr. Costa, vai gritar-se!

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Luís Henrique Pereira, jornalista

Debaixo do sol, tudo de novo. Tudo de novo menos o governo olhando à origem, à fonte, à essência e não à nomenclatura. Tudo de novo não só porque a geringonça arreou, morreu de morte desnatural, mas porque a partir de agora a voz da crítica, as vozes da crítica vão fazer-se ouvir, talvez como nunca, lá no (às vezes designado) “tabernáculo do part-time político”.

As “falas e os ditos” “a gritaria” de que falo têm a ver com as novas e as velhas presenças no parlamento. As que não estão “em conformidade” com as do senhor doutor Costa. Algumas vão voltar ao ataque, PCP e BE. Outras vão começar os ataques. O LIVRE, o CHEGA e o partido INICIATIVA LIBERAL. Se calhar o PAN também, de uma forma quiçá nunca antes vista.

A questão é que, mesmo não vendo aprovadas as propostas de lei e/ou diplomas e/ou sugestões legislativas, os mais pequeninos e os “um pouco maiorzinhos”, vão levantar a voz. Vão levantar-se mais vezes para levantar a voz. Gritar alto. Gritar para os microfones das rádios e para as câmaras de televisão. O doutor Costa terá de ouvir e responder, talvez como nunca o fez antes como governante.

O problema é que mesmo sem votos a favor das suas propostas, os pequeninos e os “um pouco maiorzinhos” vão fazer passar a “gritaria” através dos muitos canais da comunicação social e redes sociais, neste cada vez mais novo paradigma comunicacional. Dito de outra forma, sem a geringonça vai ser, como dizia o outro: “Ai Costa, a vida Costa!”. Quer isto dizer que minoria absoluta é minoria absoluta! PIM! Precisamente o contrário do que ambicionava o doutor Costa.

No melodrama dos recentes acontecimentos da política caseira, temos também o PSD que navega à procura de um rumo que parece desconhecer. Mesmo assim há na sua história recente um líder que parece não fazer fretes dentro e fora “das portas” do partido que dirige. Chama-se Rui Rio. Foi a votos várias vezes, ganhou e perdeu. Mas foi a votos e prepara-se para um novo escrutínio para ver se continua sentado ou se cai de vez da cadeira do poder alaranjado.

O que parece é que Rio tem muito mais que fazer que andar preocupado com tricas e criancices bafientas de muitos que o empurram e de outros tantos que o querem ver cair. Rio quer ser Primeiro-ministro de cara lavada e de costas erguidas. Já disse por várias vezes que não anda aqui a brincar às políticas com politiqueiros que têm como único objetivo ser políticos e ser líderes políticos. Ser governantes. Quase à força, diria.     

O Dr. Costa que se cuide porque tem boas razões para isso. O Dr. Rio que insista porque tem boas razões para isso. Tem umas diretas pela frente e tem que lhes achar graça. De outra forma o PSD vai continuar mergulhado no “à procura”.

O doutor Costa que manifeste juizinho e que não tente, porque não agora não pode, serpentear habilidosamente por entre os pingos da chuva. É que a partir de agora, o tempo passa a ser de trovoada. Bem viverá com esta trovoada a comunicação social de “cariz” político-partidário. Vai ter muito com que se entreter e vai ter muitas “reclamações” no livrinho para dar a conhecer ao chamado público em geral.

As coisas mudaram doutor Costa. O seu novo mandato alicerçado em gente “velha” tem pela frente outra conjuntura. O dinheiro faz-se pouco. A malta vai começar a sentir que o bolso esvazia rapidamente. Os 36,3 por cento dos votos conseguidos por si, doutor Costa nestas eleições a que chamam de legislativas, mostram que o povo o conhece. Mostram que afinal os 4 anos de mandato em tempo de “vacas gordas” não chegaram para que os “satisfeitos eleitores” lhe oferecessem de bandeja um cartão verde. Mas verde mesmo! Este que o senhor tem na mão é esverdeado. É de um tom esverdeado assim mais para o desbotado.

Ora lá no parlamento, os que lá estavam e os que agora entram, preparam-se para “gritar bem alto”. Querem fazer-se ouvir. E isto por si só representa umas boas toadas de thrash metal para os seus ouvidos. A questão é que será, não terei dúvidas ad continuum. Boa sorte doutor Costa e boa sorte doutor Rio. Estão em patamares diferentes. Sendo que alguns deles, alguns destes patamares, são bem mais diferentes do que os outros. Não sei qual dos dois poderá dizer que só tem saudades do futuro!

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