Escola das Artes analisa escultura n.º 1 da Virgem Peregrina de Fátima

Figura intervencionada no Centro de Conservação e Restauro da Católica no Porto passou, em menos de 10 anos, pelos cinco continentes

A Escola das Artes da Católica no Porto foi a entidade escolhida pelo Museu do Santuário de Fátima para levar a cabo o estudo dos materiais que constituem o suporte e superfície da escultura n.º 1 da Virgem Peregrina de Fátima, datada de 1947. Neste sentido, e durante 15 dias, o Centro de Conservação e Restauro (CCR) da Escola das Artes da Católica no Porto desenvolveu um estudo aprofundado que permitiu perceber a forma como José Ferreira Thedim a criou.

A escultura “A virgem peregrina I” esteve, desde 30 de outubro, a ser analisada por especialistas do CCR, que, numa primeira fase, tentaram perceber o estado de conservação do suporte e detetar intervenções passadas de conservação ou restauro, através da realização de fotografias com luz visível e com luz ultravioleta e, ainda, recorrendo à radiografia digital. De seguida – e de forma a estudar o número e a espessura das camadas de tinta, identificar pigmentos, vernizes e outros materiais utilizados na escultura – foram recolhidas e analisadas micro-amostras com o auxílio de infravermelhos e de raios-x.

Carla Felizardo, diretora do Centro de Conservação e Restauro da Escola das Artes, refere que “o recurso a técnicas de análise avançadas permite perceber como a obra foi construída e detetar algumas fragilidades da madeira original do suporte invisíveis a olho-nu.” Durante o trabalho de estudo e análise da escultura – que permaneceu na Escola das Artes até ao passado dia 16 de novembro – foi executado, ainda, o reforço estrutural da base.

Escultura deriva do relato realizado pela irmã Lúcia

Refira-se que a escultura intervencionada foi criada por José Ferreira Thedim, com base na descrição da irmã Lúcia, a mais velha dos três pastorinhos, e apresenta-se como uma versão da figura diferente de todas as que existiam até então. “A própria Lúcia de Jesus diz que as imagens de Nossa Senhora de Fátima até àquela época eram demasiado barrocas e que se ela soubesse pintar, ainda que nunca fosse possível fazer aquilo que terá visto, faria uma imagem o mais simples possível: toda branca, com um fio dourado na orla do manto” revela Marco Daniel Duarte, diretor do Museu do Santuário de Fátima.

“A virgem peregrina I é uma das figuras mais simbólicas do catolicismo contemporâneo”, salienta, ainda, o diretor do Museu do Santuário de Fátima. Marco Daniel Duarte salienta que “a figura percorre, desde 1947, os caminhos do mundo, tendo passado, em menos de 10 anos, pelos cinco continentes”. Os anos de culto e viagem da escultura valorizaram a carga simbólica daquela que é, segundo as palavras do diretor do Museu, “talvez a peça artística mais viajada do mundo”.

Neste ponto é crucial referir que, após esta análise, a escultura viajará, em janeiro de 2019, até ao Panamá para estar presente nas Jornadas Mundiais da Juventude, onde estará, também, o Papa Francisco.

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