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“Sabemos que podemos colocar o remo noutro nível” | 17 de abril de 2013, data em que Luis Teixeira tomou posse como presidente da Federação Portuguesa de Remo (FPR). Eleito com 94 por cento dos votos, o ex-i Global News Portugal

17 de abril de 2013, data em que Luis Teixeira tomou posse como presidente da Federação Portuguesa de Remo (FPR). Eleito com 94 por cento dos votos, o ex-internacional teve o seu ponto alto em alta competição com a medalha de bronze em «quadri-scull» peso ligeiro, no Campeonato do Mundo de 1994, em Indianápolis, nos Estados Unidos.

Na altura, formou equipa com José Leitão, Luis Fonseca e Henrique Baixinho. Mas para além deste resultado, Luis Teixeira arrecadou também duas medalhas de bronze em «skiff» peso ligeiro, ambas em 2004, nas Taças do Mundo na Polónia e na Alemanha. Isto por entre várias provas internacionais.

Luis Teixeira deu, em exclusivo, uma longa entrevista ao Global News. Temas como as surpresas (desagradáveis) que encontrou na Federação quando lá chegou, como está a solucionar o pagamento das despesas dos atletas que representam as cores lusas em regatas internacionais, a temas tão importantes como as linhas orientadoras do seu programa para os próximos 4 anos e o que pensa, por exemplo, das Associações Regionais.

Global News: O que o levou a candidatar-se à direção da FPR, uma instituição que está neste momento falida?

Luis Teixeira: A mim e aos outros membros da direção o que nos fez candidatar foi termo-nos fartado de ver o remo no estado em que estava. E sabermos que podemos colocar o remo noutro nível. Foi essa a razão.

Como pensa pagar o buraco financeiro de 1 milhão e 400 mil euros, num momento tão negro para a economia nacional e mundial?

O remo tem ativos fortíssimos. Obviamente que o Pedro Fraga e o Nuno Mendes são nisso fundamentais e o remo tem um prestígio internacional muito grande. Nós vamos ter que ser capazes de vender o remo e a imagem do remo e os resultados do remo a terceiros. Nós temos a certeza que há-de haver em Portugal, mesmo dadas as circunstâncias, parceiros, porque há empresas muito saudáveis, que se queiram associar a este projeto. E porquê? Porque é um projeto altamente ambicioso, com um espírito de missão fortíssimo. É um projeto que exige imenso trabalho de equipa e é um projeto de excelência. Isto tudo são características que certamente muitas empresas se querem associar. Essas empresas ao se associarem a nós vão perceber que vão ter oportunidade de fazer aquilo que nunca foi feito.

E em quanto tempo vai ser paga esta dívida da FPR?

A dívida vai ser paga a 10 anos. Este foi o plano de recuperação que foi aprovado pelos credores em tribunal. Todos os anos a dívida tem que ser amortizada num determinado valor e isso é um compromisso nosso também.

Sabemos que esteve com um grupo de pessoas ligadas ao remo que lhe pediu para responsabilizar os autores deste descalabro financeiro em que se encontra a Federação. O que lhes disse e o que tenciona fazer?

A nossa missão é andar com o remo nacional para a frente. Nós estamos muito preocupados em culpabilizar o passado. Agora também nos cabe a nós, como responsáveis pela Federação e como cidadão portugueses identificarmos processos e situações menos claras e teremos obviamente que informar quem de direito. Porque a culpa não pode morrer solteira. Mas a nossa prioridade, a atual prioridade é andar com o remo nacional para a frente. Certamente que depois, mesmo as próprias instituições também vão ter oportunidade de averiguar o que se passou.

“Sabemos que podemos colocar o remo noutro nível” | 17 de abril de 2013, data em que Luis Teixeira tomou posse como presidente da Federação Portuguesa de Remo (FPR). Eleito com 94 por cento dos votos, o ex-i Global News Portugal
O «quadri-scull» no Mundial de 94 onde venceu a medalha de bronze

Já teve surpresas desde que chegou à Federação? A realidade que encontrou na Federação era aquela que esperava?

Já tive bastantes surpresas. Por exemplo, faturas do Campeonato do Mundo de 2010, relativamente ao transporte de barcos que não foram pagas. Isto só para dar um exemplo. E depois todos os outros procedimentos internos da Federação que não existem. Por exemplo, a nível interno, a Federação está organizada em termos contabilísticos com uma folha de “excel”. E estamos em 2013.

Numa folha de “excel”?

Sim, continua-se a fazer contas de merceeiro. Uma Federação desportiva que gere dinheiros públicos…

Quais as linhas principais do seu programa para estes 4 anos?

Acima de tudo, o que estamos a fazer e o que vamos fazer sempre é nivelar por cima. Dar distinção e valorizar o mérito. Isto são princípios fundamentais para qualquer área do remo, seja administrativa, seja ela desportiva. Isso é o princípio básico, nivelar por cima e boa aplicação dos dinheiros públicos  E tudo para aderir em consonância com isto. O remo de mar é uma aposta, o remo escolar também, uma formação dos treinadores nacionais, de qualidade e colada ao trabalho da seleção nacional. O surf boat também é outra aposta. E também tornar como parceiros alguns clubes nacionais, que se identificam muito com este discurso e que nos vão com certeza ajudar. Serão os nossos maiores parceiros para dar o salto. Por exemplo, o novo clube de Viana, o Viana Remadores do Lima, que eu acho que todo aquele projeto é de se lhe tirar o chapéu. Temos que lhes dar os parabéns. Foi inaugurado no sábado, é algo fabuloso.

Esta direção aposta em Michael D’Eredita, para o alto rendimento, ele que já foi Diretor Técnico Nacional (DTN) em 2003/2004. Porquê um técnico estrangeiro? A Federação tem fundos para pagar a um técnico que vem dos Estados Unidos?

É um técnico estrangeiro porque nós precisávamos  Precisamos de mais conhecimento do que aquele que temos. O Mike sai mais barato do que um técnico nacional. Além disso, muito claramente, a Federação tinha um DTN que não tinha resultados e por isso contratou um outro técnico alemão para treinar a dupla olímpica. Portanto, como tinha um mau, tinha que pagar a dois. Logo aqui já estamos a poupar.

Vamos pagar ao treinador com dinheiro que vem do Comité Olímpico ou do IPDJ. Porque há dinheiro para isso. Além disso, há outra coisa que tem que ser dita. Essa ideia de que há pouco dinheiro no desporto em Portugal, não é verdade.

“Sabemos que podemos colocar o remo noutro nível” | 17 de abril de 2013, data em que Luis Teixeira tomou posse como presidente da Federação Portuguesa de Remo (FPR). Eleito com 94 por cento dos votos, o ex-i Global News Portugal
Luis Teixeira, em «skiff», na Taça do Mundo 2004 em Lucerne

Em que se baseia para fazer essa afirmação?

Basta ver o que é que a FPR recebeu nos últimos anos.

Recebeu o suficiente mas está a querer dizer que houve um desperdício?

Exatamente.

A dupla Pedro Fraga / Nuno Mendes não terá sido sempre bem apoiada pela FPR. Qual é a ideia para levar mais longe esta dupla?

A ideia é aplicar os recursos humanos e financeiros que temos à seleção nacional. Recursos financeiros que vêm para a seleção nacional e aplicá-los verdadeiramente na seleção nacional. A Federação tem que ter uma seleção nacional baseada em critérios de mérito, de qualidade e de excelência. Ou seja, não temos uma seleção para ter 20 pessoas. Não temos atletas para ter 20 pessoas na seleção. Temos atletas para termos sete, temos sete, se tivermos atletas para termos três, temos três.

Já disse que um dos objetivos é colocar duas equipas nos Jogos Olímpicos, no Rio de Janeiro, em 2016 e conseguir uma medalha. Não estará a colocar a fasquia muito alta?

Esta é uma fasquia pessoal, dos atletas, dos treinadores. Não temos problema nenhum em assumi-la. É a fasquia atual da Direção. Se não a assumissemos, estavamos a escondê-la.

O que é que o remo nacional precisa com mais urgência para o seu desenvolvimento?

Precisa de abrir já uma conta bancária, porque ainda não pode. Para podermos receber os fundos que temos a receber e podermos assinar os novos contratos-programa com o IPDJ. Esta é uma prioridade com seis meses.

“Sabemos que podemos colocar o remo noutro nível” | 17 de abril de 2013, data em que Luis Teixeira tomou posse como presidente da Federação Portuguesa de Remo (FPR). Eleito com 94 por cento dos votos, o ex-i Global News Portugal
Luis Teixeira (à direita) com o atleta olímpico Pedro Fraga

Até porque a última viagem que os atletas da Federação fizeram levaram os cartões de crédito dos elementos da Direção da Federação.

É verdade. E a próxima, a Eton (Grã-Bretanha, de 21 a 23 deste mês), é com os cartões de crédito dos dirigentes e dos atletas. Mas isto não é uma lamentação. Faz imenso gozo arrancar desta forma. Porque a história no futuro vai ser ainda mais bonita de contar.

No seu programa afirma querer apostar no Remo de Mar e Remo de Lazer, no Remo Escolar e no Remo sem Limites. Num país onde existem tantos clubes que se viram para a alta competição, investem muito dinheiro em bons barcos, como os vai convencer para que invistam nestas variantes do remo?

Há clubes que já não precisam de ser convencidos. Já perceberam que também é muito importante o remo de lazer, o remo de mar, etc. Provavelmente serão boas fontes de rendimento para os clubes e trazem novas pessoas para o remo. Há clubes que estão mais virados para a competição e outros para o remo de lazer. Por isso é que estavamos a falar à bocado da FPR identificar parceiros, ao nível dos clubes, mais aptos a desenvolver determinadas áreas do remo.

A direção anterior pretendeu aniquilar as Associações Regionais. Que importância lhes dá? No seu programa de candidatura questiona se faz sentido existirem cinco Associações Regionais. Qual é a sua opinião? Haver junção de algumas?

Acho que cinco Associações são demais. Acho que as Associações têm um papel fundamental no desenvolvimento do remo, nas suas áreas de influência. Acho que provavelmente as Associações até são o primeiro braço da Federação. Completamente complementar ao trabalho da Federação. Poderão ser elas as maiores responsáveis pelos eventos das suas áreas, poderão ser elas uma ligação forte aos atletas das suas áreas. Nunca aniquilá-las, isso nunca.

Também faz referência às Seleções Regionais. E aqui as Associações Regionais terão um papel importante?

Não sei se o termo seleções será um bocadinho em excesso. Eu falaria mais em grupos regionais. São grupos onde estão envolvidos atletas que estão na Seleção e atletas que possam vir a estar na Seleção. São núcleos de desenvolvimento da alta-competição.

Que apelo faz a todos os amantes e praticantes de remo e que muitos têm estado numa amargura há vários anos?

Àqueles que adoram o remo e que têm estado numa amargura, já não vale a pena estarem na amargura. A nossa missão é de facto desenvolver o remo. Àqueles que adoram o remo e que se afastaram do remo, podem ter a certeza e podem voltar ao remo com toda a confiança porque o remo é de todos, e é para dar alegrias a todos. É esse o papel das Federações. Aqui o mais importante é o praticante e o atleta.

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