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Foi um desaforo autêntico a noite do Back to Back Festival na cidade Invicta, no passado dia 20 de Novembro. Uma noite de rock duro, plena de guitarras endiabradas, ritmos apressados e vozes guturais. Foi, no fundo, uma celebração à vida, conduzida por uma banda-sonora raivosa, ideal para expiar demónios de quase dois anos de pandemia.

O cartaz prometia e as informações sopradas de Lisboa, onde acontecera, na véspera, a primeira noite do Back to Back Festival, davam garantia de que seria uma noite memorável. Também porque, finalmente, era possível assistir a concertos em condições muito semelhantes às pré-CoViD-19.

Bizarra Locomotiva. créditos: Global News

A verdade é que os anos passam e passam e… os Mão Morta continuam a não dar tréguas a quem se aventura nas suas plateias. Diga-se, que os Bizarra Locomotiva também não, mas já lá vamos!

Bizarra Locomotiva. créditos: Global News

Iguais a si próprios, apesar de algumas trocas no elenco, os seis magníficos da cidade dos Arcebispos começaram por aquecer as almas sequiosas que tinham pela frente com um pouco de «No Fim Era o Frio» («O despertar» e Quem és tu?») e ainda o encantador «Pássaros a esvoaçar», para, logo de seguida, mostrarem ao que iam com «Sitiados».



Mão Morta. créditos: Global News

A partir daí, o concerto foi em crescendo com mais uma incursão ao último álbum, com «Deflagram clarões de luz», e nova visita ao passado mais longínquo, com «Hipótese de suicídio» e o extraordinário «Tu disseste»… nada!

«Passo o dia a olhar o sol» marcou a despedida de «No Fim Era o Frio», numa altura em que tudo já estava bem quente, para Adolfo e seus pares mergulharem, em definitivo, na discografia dos Mão Morta e presentearem a muito bem composta sala 1 do Hard Club com uma sucessão de pérolas do rock feito em português.

«Em directo (para a televisão)», o desabrido «Barcelona (encontrei-a na Plaza Real)» e o inebriante «Vamos fugir» quebraram as derradeiras peias que o público ainda sentia e, então, a noite começou a tornar-se épica.

Com o fim do concerto a aproximar-se a passos largos, foi tempo do eletrizante e desbragado «Lisboa (por entre sombras e lixo)» e, ainda antes da banda sair de palco, o magnânimo «Anarquista Duval». Se há coisa que a música, estética e atitude transgressora dos Mão Morta sempre mostrou aos seus seguidores é que o seu nome é Liberdade.

“Pela estrada fora vinha um homem/Encoberto pelas sombras da noite/Alguém lhe perguntou o nome/«Sou uma miragem, Dizem que semeio o caos e a destruição/Como o vento semeia as papoilas/O meu nome é… Liberdade»”. Pronto, é isto e tão-só isto!

E, no encore, o devaneio. No regresso ao palco, gracejando com o que parece ter sido uma indisposição momentânea de António Rafael, que assumia o baixo, o mordaz Adolfo Luxúria Canibal, depois de questionar a plateia sobre a sua madura idade (“É normal que não tenham energia, é o peso dos anos a dar-vos cabo do canastro”), indignou-se…

Mão Morta. créditos: Global News

“O Rafael, não! O Rafael é mesmo droga. Manteve-se puro, depois sofre as consequências… e desmaia em pleno concerto. Inconcebível! Nunca imaginei que ia ter um baixista a desmaiar em pleno concerto”, disse, continuando sarcasticamente: “Eu sei que temos uma longa tradição de baixistas drogados, desde sempre, mas nunca nenhum desmaiou em pleno concerto”!

E, antes que se ouvissem os primeiros acordes de «Aum», Adolfo ainda lançou um “bom, o que lá vai lá vai” e, então, lá saiu do cemitério em busca da maternidade. O concerto terminaria em alta com «Bófia», uma vez mais com Adolfo a encenar no final o seu próprio desmaio, mas aí por tanta porrada ter levado da bófia.

Dizer que os Mão Morta são como o vinho do Porto não faz jus à sua exuberância ao vivo passadas tantas décadas.

Antes, o palco (e não só) tinha estado tomado pelos Bizarra Locomotiva, um verdadeiro comboio dos duros… para duros!

Liderados pelo eterno vocalista Rui Sidónio, os Bizarra Locomotiva espalharam a euforia pela plateia do Hard Club.

Foi com a «Procissão dos Édipos» que tudo começou e, a partir daí, nada mais parou aquela locomotiva que se alimenta de rock industrial e descargas de energia.

«Mortuário», «Druídas», «Ergástulo», «Engodo» e «O anjo exilado», entre outros temas, fizeram as delícias de um público que por diversas ocasiões acolheu Rui Sidónio no seu seio, aquando das incursões deste pela plateia. O público estava há muito rendido à sonoridade rude e às chamadas guturais de Sidónio.

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