Laura Gibson – noite mágica em Espinho

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O Auditório de Espinho costuma presentear o seu público com escolhas musicais de excelência e, uma vez mais, provou esse esmero convidando Laura Gibson. A artista norte americana, solitária no palco perante uma plateia cheia, arrebatou a audiência com uma performance mágica e comovente.

 Durante a apresentação, foi-se acompanhando ora pela guitarra ora pelo piano, tendo como fio condutor da sua conversa com o público o seu último trabalho, “Goners”, intercalando os temas deste que é o sexto álbum da sua carreira com algumas composições mais antigas. Com a sua belíssima voz e a profundidade das suas letras arrancou, inclusive, lágrimas de emoção em alguns dos presentes na sala. As músicas de Laura falam de perda, de separação, de dor. São, muitas das vezes, melancólicas mas, ao mesmo tempo, de uma beleza tal que o acto de as ouvir nos purifica.

 Num espectáculo absolutamente perfeito é possível, mesmo assim, destacar os temas: “Goners”, onde a referida dor está marcada na letra, refletida nos medos declarados e na dúvida sobre o futuro quando canta “Here comes the end of the future/ If we’re already goners / Why wait any longer / For something to crack open”; “Domestication”, uma fábula sobre um lobo que tenta viver metamorfoseado em mulher; “I Don’t Want Your Voice to Move Me”, um tema onde paira a memória do seu pai que perdeu aos 14 anos e “Empire Builder”, que fala da sua mudança de Oregon para Nova Iorque e da viagem de vários dias no comboio que tem o mesmo nome da canção, marcando uma cisão com alguns dos aspectos mais importantes da sua vida, nomeadamente, um relacionamento.

 A simpatia de Laura foi aconchegante e ajudou ao embalo do público ao longo da actuação. Esse elo com o auditório teve o seu auge em “The Rushing Dark”, outro dos momentos altos da performance, tema no qual Laura transformou o público num coro, orientando aquele instrumento musical humano a acompanhar a sua voz ao longo da canção.

 Quase no final, e com um sorriso nos lábios, Laura Gibson explicou que queria dispensar a teatralização que normalmente precede os encores e explicou que iria tocar de seguida as últimas três músicas pedindo um aplauso maior quando chegasse à penúltima. O público correspondeu com distinção, ovacionando-a, de forma entusiástica, até ao final.

 Há artistas que, quando entram num palco, não conseguem transpor a barreira invisível que existe entre eles e o público. Há outros cuja luz é tão ofuscante que nos preenche abundantemente os sentidos e a alma. Laura Gibson claramente pertence a este segundo grupo.

Texto e foto de Sérgio Rodrigues

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