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Deve começar por dizer-se que com o concerto dos britânicos Haarm, a cooperativa e promotora de concertos Mr November – Suspeitos ficou à bica, perdão, ‘a cimbalino’ de completar uma dezena de espectáculos realizados em pleno palco territorial do Porto, ou na área limítrofe à Invicta. O que não é coisa pouca para uma entidade tão recentemente formada, especialmente se se tiver em consideração o segmento musical mais específico a que está associada. No final, a ousadia, o risco e a aposta acabarão sempre por vingar, estamos convictos. E o décimo está mesmo aí à porta com os germânicos Seasurfer, no próximo sábado, dia 6 de abril.

A noite do passado dia 31 de março, e não é mentira dizê-lo uma vez que entrou pelo dia 1 de abril, foi uma espécie de “Domingo Gordo” para os melómanos e demais apreciadores da dita música mais independente ou alternativa. O ‘bandulho musical’ foi preenchido com uma actuação irrepreensível da banda de Liverpool e um subsequente DJ SET, que pode muito bem ter convertido em retardatários alguns dos presentes, sobretudo no que toca à esperada matéria laboral na manhã de segunda-feira.

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Estão volvidos cinco minutos para lá das dez da noite quando Jen Davies (voz e teclados), Chris McIntosh (voz e guitarra eléctrica) e Olly Gorman ‘saltam’ finalmente para o estrado da Sala 2 do Hard Club. Uma sala muito composta de gente espera-os com alguma expectativa. E o concerto curto da banda não irá defraudar ninguém ao longo de uns 60 minutos de permanência em palco, muito pelo contrário.

“Valentine” é o primeiro tema a irromper pelo espaço, com aquela planura inicial dos teclados e logo a seguir em modo sussurrante mais volumoso das vozes de Chris e Jen. Olly, por seu turno, entra em batida cadenciada na bateria. A guitarra de Chris McIntosh soa aqui e ali como um baixo.

“How Long Has This Been Goin On” entra logo a seguir, após Chris evidenciar um típico humor de inglês do Norte: “Olá, somos os Haarm e vimos da cidade dos Rolling Stones!”.  A verdade é que o vocalista vai afinar até ao fim pelo tom bem-humorado e David Attenborough ainda deve ter as orelhas vermelhas, dizemos isto face à comicidade de piadas feitas a versar o naturalista britânico, mas sem lhe beliscar o prestígio e o facto de ser um respeitável nonagenário, Chris brincou mas sempre com a classe muito própria do humor britânico (‘a memória RAM’ humorística que este McIntosh patenteia é assombrosa, deve dizer-se). O som instrumental é robusto, o ritmo é assaz dançante e há corpos que se agitam para um lado e para o outro enquanto a música prossegue.

E à medida que vamos ganhando afeição à música praticada pelos Haarm, eles lançam “Love In Different Way”: tema em que as vozes de Jen e Chris se afinam por um aroma doce e tépido, numa toada e diapasão a namorarem a electrónica soul que afinal praticam. Se quisermos uma analogia, mais ou menos justa, teremos por aproximação uns “Best Youth”.

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Ainda mais ritmada e com refrão afirmado entra “Box of Bones”: o resultado é mais gente a agitar-se e a dançar, o caso também não é para menos, pois há aqui uma mistura de R&B e Electro Funk a estimular as anatomias.

Em toada menos alegre, segue-se “Can We Keep the Light On” com Olly a deixar as baquetas e assumir uma guitarra, os três na boca do palco num tema que homenageia um amigo da banda que desapareceu e com quem tinham afinidade grande.

No alinhamento segue “Endangered Species”, sem dúvida um dos melhores temas da banda e que de forma muito séria bem podia ser dedicado ao trabalho de Attenborough. Evocam-se por antecipação ao tema os vultos da música mais recentemente desaparecidos, com David Bowie à cabeça.

“Foxglove” pauta a chancela do Synthpop, outro dos estilos praticados pela banda. “Better Friend”, do EP lançado em 2018, é das mais marcantes e há gente a cantar o refrão por entre público. E a epifania musical finda em alta com “In the Wild”: com toda a gente rendida e quando a empatia criada entre o palco e o público já é reveladora de um índice elevado. Depois de um intervalo para fazer desaparecer os instrumentos do palco, seguiu-se o registo de um DJ SET imaculado com Chris McIntosh e Olly Gorman nas rédeas sonoras, com Jen a simpática vocalista a dar também um ar da sua graça. Foi a cereja no topo do bolo. Liverpool venceu o Porto, fazemos votos para que seja só neste domínio.

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