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Felizmente Há Luar! "In Skène" com o Teatro de Amadores de Gondomar | Acorda a cidade… acordam vidas… acordam olhares… A neblina que entorpece o corpo cansado daqueles que sofrem um e outro golpe torna-se pouca perante o dese Global News Portugal

Acorda a cidade… acordam vidas… acordam olhares…
A neblina que entorpece o corpo cansado daqueles que sofrem um e outro golpe torna-se pouca perante o desespero cru que deixa a alma em ferida aberta…
A cada segundo que passa é mais impensável esperar, mais horrendo hesitar…
A um Manuel que diz “já não”, a um António que repete “ainda não”, aos homens que descem à cidade e sorriem e aos que nela choram um mesmo “nunca mais”, a eles e a nós, a dor de uma mulher e a crença de um homem dizem… agora.
Sofia Araújo, encenadora.

Felizmente Há Luar! trata-se de um drama de carácter épico que revela a “trágica apoteose” do movimento de liberal oitocentista em Portugal.  A In Skène Teatro de Amadores de Gondomar, leva assim a palco a peça de Sttau Monteiro no Auditório Municipal de Gondomar.

Demonstrando a tentativa de revolta liberal da  sociedade de 1817, comandada pelo regime de Beresford e supostamente encabeçada pelo General Gomes Freire de Andrade, a peça de Luís de Sttau Monteiro é sublinhada como um apelo ético pretendendo demonstrar a sociedade portuguesa dos anos 60.

À sombra de outras figuras do poder como a nobreza e o clero, William Beresford, atual governador do reino, é um dos políticos que não deseja mais do que o próprio bem estar não tendo quaisquer preocupações com o país.  José Santos, que interpreta o papel de Beresford, assume que nos tempos que correm ainda existem muitos “Beresfords” por aí. “Esta personagem é uma figura de opressão e repressão e há vários regimes que vivem ainda oprimidos. A obra é intemporal e tudo o que acontece na obra tem vindo a acontecer ao longo dos vários anos por esse mundo fora”, afirma.

Do mesmo lado do poder há o Principal Sousa. Fanático pela religião e desonesto,  chegando a demonstrar uma forte hipocrisia. Adelino Moreira, ator que dá corpo e voz a esta personagem diz que é muito interessante interpretar o representante do clero. “ Gosto bastante, já em anos anteriores fiquei satisfeito com a interpretação da personagem e com o decorrer do tempo, melhor ainda. Ela reflete no fundo aquilo que era a Igreja naquela época… ele é efetivamente hipócrita, não sei se o mais hipócrita; defende uma religião que à partida não deveria permitir este tipo de situações… [condenação de um inocente] ele fecha os olhos à situação para se manter no poder.”

“Ensina-se-lhes que sejam justos, para viverem num mundo onde reina a injustiça…”

Se por um lado há um governo opressor, corrompido pelo poder da nobreza,  militar e eclesiástico, há também o lado mais frágil e consequentemente o mais prejudicado por este regime: os populares e amigos de Gomes Freire que lhe depositam esperança e alento, embora sabendo que morrerá na fogueira. Entre eles, encontra-se Matilde de Melo, companheira incondicional do General. A personagem, interpretada por Marlene Santos representa e denuncia todas as hipocrisias do país e dos interesses que se instalam em torno do poder. “ Esta Matilde, afirma Marlene, é uma personagem muito apaixonada ao longo da peça. É possível verificar que ela submete mesmo a sua autoestima ao governador [Beresford] e ao Principal Sousa com vista a impedir a morte de Gomes Freire, portanto é uma Matilde com muita garra também… eu acredito que mesmo hoje em dia existem “Matildes” como esta.

Matilde, pode ser considerada uma personagem modelada, pois ora se enfurece e ganha forças para lutar contra a tirania, ora desanima e deixa de acreditar na bondade de quem sempre esteve ao lado dela. Marlene, considera-se parecida com a personagem em vários aspetos: “ Eu desde sempre me identifiquei com a Matilde, na força de vontade, no espírito de confiança, na garra, tudo isso… consigo identificar-me com ela, sim.

Felizmente Há Luar! Caracteriza a “trágica apoteose” do movimento liberal oitocentista onde a técnica da distanciação histórica inserida no teatro de Brecht pretende que os espectadores reflitam sobre os problemas da sociedade do século XX que ainda hoje se revelam bem vivos.

Com dois horários por dia, às 1oh e às 15h e com um custo de 3 euros,  a peça estará em cena até ao dia 11 de Março para demonstrar que, como dizia Sttau Monteiro, “Há homens que obrigam todos os outros homens a reverem-se por dentro”.

 

Para mais informações consulte a página do grupo no facebook em

https://www.facebook.com/inskene?fref=ts

ou o site em

https://inskene.org/

 

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