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Não foi lá pelas alturas, até foi assim para o rasante, mas foi um voo alto o suficiente e único. Foi o regresso aos concertos ao vivo deste vosso devoto escriba… 104 dias depois!

O convite era demasiado sugestivo para não ser aceite: Birds Are Indie no Theatro Circo na abertura das «7 Quintas Felizes».

E se a proposta era aliciante, o resultado final foi excelente.

Com a lotação da sala reduzida para 150 pessoas, eram pouco mais de metade as que tomaram lugar na plateia da bela sala bracarense, o que só por si já assegurava um desconfinamento bem controlado. E regras não faltaram, pois até acompanhante até ao wc o pessoal tem direito. Não vá alguém perder-se!

Aliás, ficou ali provado que o uso de máscara é perfeitamente desnecessário, uma vez que à respeito pelas distâncias e ninguém sai do respectivo lugar. E, na verdade, passado pouco tempo o acto essencial que é respirar torna-se um tormento. Mas, pronto, são as regras, são para cumprir, mas espera-se que dentro em breve sejam flexibilizadas.

A ânsia por um momento destes era tão grande entre o público como entre os músicos. Aliás, Joana Corker (voz, bateria e teclados) referiu mesmo, logo de início, sentir-se nervosa, tanto era o tempo fora dos palcos e a ter público a assistir.

Bastante conversadores, especialmente Ricardo Jerónimo (voz e guitarra), os músicos referiram muitas vezes o prazer que era ouvir novamente aplausos e a sua enorme satisfação por, finalmente, actuarem no Theatro Circo. E que bom foi poder novamente aplaudir uma banda. E, diga-se, bem mereceram todos os aplausos que a plateia lhes dedicou.

Com álbum novo, lançado em plena quarentena, intitulado «Migrations – the travel diaries #1», esta foi a primeira apresentação ao vivo, mas os Birds Are Indie não se ficaram por aí.

A celebrarem 10 anos de existência, o colectivo de Coimbra, formado por Ricardo Jerónimo, Joana Corker e Henrique Toscano (guitarra eléctrica e bateria) – que em palco tiveram ainda a companhia de Jorri (baixo e teclados), dos A Jigsaw –, passaram pelos temas do novo disco, mas também tocaram coisas mais antigas.

Já no encore, Joana e Ricardo interpretaram mesmo o tema a partir do qual a banda se formou, de sua graça «We’re not coming down», criado no ido ano de 2010.

Sendo «Migrations – the travel diaries #1» o primeiro tomo de uma espécie de celebração da primeira década de vida da banda, ele inclui temas inéditos, mas igualmente outros temas já editados no passado e agora revisitados.

«The place», «Time to make amends», «Local affairs», «Close, but no cigar», «High on love songs» e «Black (or the art of letting go)» formaram um primeiro bloco de temas que serviu para quebrar o gelo, se bem que não se sentiu nenhum clima gélido entre o público, tão ávido que estava de assistir a um concerto e de o poder fazer com a musicalidade dos Birds Are Indie.

A sua sonoridade é delicada, de ritmo contagiante e construção intrincada, em que o jogo de vozes de Joana Corker e Ricardo Jerónimo lhe dá uma aura brilhante.

Sempre com uma palavra para o público, Ricardo Jerónimo lá foi introduzindo os temas e criando empatia com a plateia, que nunca negou aplausos ao quarteto em palco.

«Come into the water», «Work it out», «If only» e o bem conhecido «Partners in crime» agarraram em definitivo o público, que pelo olhar (as máscaras não deixavam ver mais nada!) demonstrava receber a mensagem e estar de alma cheia.

Até sair de palco a primeira vez, a banda de Coimbra ainda ofereceu temas como «I won’t take it anymore», «Needless to say», «Endless summer days», «Instead of watching telly» e «Get in».

No encore, ao já referido «We’re not coming down», bastante sugestivo para os tempos que se vivem (e que em determinados aspectos não são muito diferentes dos tempos em que o tema foi criado), juntou-se, em fecho de festa, «Messing with your mind». Outro título sugestivo em tempos de pandemia. Bem, uma maravilha…

Desconfinar é preciso, desconfinar assim é um privilégio.

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