créditos: Coliseu do Porto
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Cleopold incumbiu-se das funções de mestre-de-cerimónias e abriu o palco pouco depois das 21 horas previstas. Fiel ao teclado, ouvimos-lhe um diapasão harmónico marcado aqui e ali por ritmos pré-gravados, mas com uma sonoridade agradável para quem a escuta. “Down in Flames”, o single do artista australiano que gosta do sol vibrante de Los Angeles e é amigo de Nick Murphy, foi versado na meia hora de palco que lhe foi reservada. Antecipou um tema ou outro do trabalho que esteve a gravar mais recentemente e despediu-se de um público cujo depósito de expectativas para ver o conterrâneo era elevado.

Chet Faker, perdão, Nick Murphy no Coliseu do Porto – Há paixões que não se explicam… | Cleopold incumbiu-se das funções de mestre-de-cerimónias e abriu o palco pouco depois das 21 horas previstas. Fiel ao teclado, ouvimos-lhe um diapasão harm Global News Portugal
créditos: António Pedrosa/Coliseu do Porto Ageas

Passavam cinco minutos das 22 horas quando Nick Murphy ex-Chet Faker assomou ao estrado, acompanhado dos seus músicos. A saudação afectuosa ganhou foros de alguma histeria por parte do público no acolhimento. Directo ao assunto, elege “Hear it Now” como tema pioneiro do desfile melódico da noite, embarcamos assim numa intensa, embora não extensa, jornada musical cuja duração se estenderá até às 23h20.

A entrada faz-se com robustez na potência sonora, embora no tiro-de-partida o som ainda não esteja a namorar o límpido. E logo a seguir há um visto para “Gold”, passado pelo público, que rejubila com a oferenda proveniente do icónico álbum de 2014 Built On Glass. O cacho de gente compacta na plateia está aos saltos na parte inicial da música.

Chet Faker, perdão, Nick Murphy no Coliseu do Porto – Há paixões que não se explicam… | Cleopold incumbiu-se das funções de mestre-de-cerimónias e abriu o palco pouco depois das 21 horas previstas. Fiel ao teclado, ouvimos-lhe um diapasão harm Global News Portugal
créditos: António Pedrosa/Coliseu do Porto Ageas

“Boa noite, sou o Nick Murphy e vou tocar um conjunto de músicas que compus na minha ainda curta carreira”, lança, em jeito de aviso, o australiano. Soa premonitória a advertência, advinha-se que o zénite no percurso está para vir numa data do calendário não muito distante, o que para alguém que só tem 31 anos… é obra. Recuamos a “1998” e entramos na máquina do tempo, o som está já aferido e com a calibração ajustada (as queixas da insuficiência sonora de que padece o ‘velhinho Coliseu’ são também, as mais das vezes, um cliché que desresponsabiliza a preguiça técnica).

O instrumental vai da guitarra ao baixo e passa pela bateria, saxofone e teclados. Em regime de quarteto bem sintonizado, sem armar demasiado ao estiloso, isso fica para o líder mesmo que neo-freak, o colectivo é sóbrio e sólido na prestação, algo que se percebe desde logo na aurora dos temas em desfile.

Chet Faker, perdão, Nick Murphy no Coliseu do Porto – Há paixões que não se explicam… | Cleopold incumbiu-se das funções de mestre-de-cerimónias e abriu o palco pouco depois das 21 horas previstas. Fiel ao teclado, ouvimos-lhe um diapasão harm Global News Portugal
Cleopold. créditos: António Pedrosa/Coliseu do Porto Ageas

O jogo de luzes é aparentemente sóbrio mas vai banhando o palco a preceito e com a policromia adequada. Murphy já se revezou entre a guitarra e o sintetizador e neste último, quando se debruça parece estar em pleno altar numa qualquer celebração de liturgia pop-rock, a espaços densamente povoada pela música electrónica. “Harry Takes Drugs On The Weekend”, do mais recente álbum Run Fast Sleep Naked é cantada a plenos pulmões pela audiência, com toda a gente a repetir o refrão: “guess i´m loosing my mind…”, a voz, essa insinua-se entre a de um Fink, um pouco mais ‘aguda’, e a de um Andrew Bird.

E com “The Trouble With Us” retornamos ao universo Chet Faker: o convite é explicitamente à dança, mesmo que o tom melódico se apresente mais ‘arocalhado’ (neologismo lusitano) do que o original, com os seus batimentos ‘electro cardíacos’. No mínimo é obrigatório agitar a cabeça para frente e para trás.

Os canais energéticos estão abertos e a positiva interacção faz-se do palco para o público e vice-versa. “Birthday card” (do EP gravado com Marcus Marr) e “Yeah I Care” (Run Fast Sleep Naked, 2019) antecedem a belíssima “I’m Into You”, com Murphy a solo no piano eléctrico e o ciclorama a explodir de vermelho num contexto perfeito. A mole humana acompanha no canto sem desafinação notória. Um incentivo à natalidade foi o que foi, neste recuo às origens (Thinking in Textures, 2012). “Believe Me” é a sequência harmónica do tema precedente, embora figure no último álbum do artista: é um embalo nocturno.

Chet Faker, perdão, Nick Murphy no Coliseu do Porto – Há paixões que não se explicam… | Cleopold incumbiu-se das funções de mestre-de-cerimónias e abriu o palco pouco depois das 21 horas previstas. Fiel ao teclado, ouvimos-lhe um diapasão harm Global News Portugal
créditos: António Pedrosa/Coliseu do Porto Ageas

“Novacaine and Coca Cola” precipita o final, com um calcorrear de dedos no teclado para fintar a o exercício de adivinhação da próxima, afinal a última: “Talk is Cheap” para gáudio dos fãs. Toda a gente se dispõe a cantar com fôlego e a acompanhar o músico na voz que desliza suave em paralelo com o dedilhar de Murphy no piano eléctrico. O encore é portador de “Dangerous” e “Sanity”, este um tema em conformidade com a proveniência de Nick Murphy cujas origens são de Melbourne, afinal a cidade típica do “Mad… Weather”. Conquanto que o clima seja incerto, muita da música que por lá nasce, na cidade australiana, é boa onda. Com pseudónimo ou ortónimo, Chet Faker ou Nick Murphy, vai(ão) estar na crista da onda nos próximos tempos. Depois do NOS Alive em 2015 e Vodafone Paredes de Coura há dois anos, os Coliseus de Lisboa (terça-feira) e Porto (quarta) rebentaram pelas costuras, vá-se lá saber porquê. Há paixões que não se explicam…

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