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Ainda falta muito para a Páscoa 2023?

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Ainda falta muito para a Páscoa 2023?
Trash Circus. Créditos: Global News

A tarde apresentou-se soalheira e quente e… prometia. Com o aproximar da hora prevista para o arranque da segunda edição do Pela Madeira Adentro Fest, que mais não é do que a celebração da Páscoa ao som e ritmo do rock, seja ele mais abrasivo ou denso, mais roqu’enrolado ou de texturas mais electrónicas.

Foi uma maravilha de tarde-noite, mais de 12 horas de festividade, rua acima, rua abaixo, entre o Ferro Bar e o Barracuda – Clube de Roque, passando pelo Woodstock 69 Rock Bar (instalado que estava no Gare Porto).

Rua da Madeira. Créditos: Global News

Depois de uma primeira apresentação dos Trash Circus e a sua Performance Cyber Fetish Bunny, de que falaremos mais adiante, a edição 2022 do Pela Madeira Adentro Fest arrancou ao som dos The Black Wizards, resultando num excelente mote para o que viria a ser o resto da coisa. Stoner seguro e denso, carregado de psicadelismo, foi o que Joana Brito, Helena Peixoto e José Roberto Gomes ofereceram para início das festividades na Rua da Madeira.

The Black Wizards. Créditos: Global News

A partir dali foi um corrupio, rua acima, rua abaixo, entre riffs de guitarra, cerveja, rufos de bateria, risos e sorrisos, embalos de baixo ou contrabaixo e boa-disposição. E mosh… E crowdsurfing! Ah, bendita ressurreição!

Provavelmente, o momento mais intenso e agitado aconteceu no Woodstock 69 e foi protagonizado pelos Cobrafuma. Rui Pedro Martelo, José Roberto Gomes, Luís Chaka e Azevedo deram lume à cobra, esta fumou e expirou rock à bruta, de sabor thrash, hardcore e sludge, que levou o público ao rubro.

Cobrafuma. Créditos: Global News

“Foi do caralho, malta!”, atirou no final Azevedo, resumindo de forma exacta o que acabar de se passar no palco e na plateia. Ah, bendita ressurreição!

Quem também entrou Pela Madeira Adentro (no bom sentido, claro!) foi o pessoal que encheu o Barracuda e assistiu ao impressivo concerto dos The Dirty Cool Train.

Ricardo Ramos e Beatriz Rodrigues são uns agitadores em palco e lançaram um doce caos no Barracuda com os seu garage punk, contando ainda com a erótico-ruidoso-espalhafatosa contribuição das The Ema Thomas.

The Dirty Cool Train feat. The Ema Thomas. Créditos: Globalnews

Os Gator, The Alligator fecharam o Pela Madeira Adentro Fest, no que toca a concertos, e fizeram no Ferro Bar o mesmo que Cobrafuma e The Dirty Cool Train fizeram em palco: contagiaram e entusiasmaram o público com a sua inesgotável energia.

Gator, o jacaré hiepractivo, levou de Barcelos até à Rua da Madeira garage rock irrequieto e agitou os corpos e contaminou as mentes que assistiam. Ah, bendita ressurreição!

Gator, The Alligator. Créditos: Global News

Se o fecho dos concertos do Pela Madeira Adentro foi em alta, o arranque das hostilidades no Ferro Bar também merece nota especial. Foi ao som da electrónica experimental e de textura orgânica de Stereoboy, alter-ego de Luís Salgado, que tudo começou. Das duas baterias que ladeavam a maquinaria electrónica emanavam batidas impactantes, enquanto, serena e tranquilamente, Stereoboy manipulava as máquinas, teclados, pedais e afins, criando uma ambiência sonora carregada de uma organicidade intensamente rock.

Stereoboy. Créditos: Global News

Ainda pelo Ferro Bar passaram também os franceses Twin Stoners, que se revelaram, igualmente, uns agitadores. Rua abaixo, rua acima, enquanto no Barracuda se roqu’enrolava, no Woodstock 69 tentava-se instalar caos, o que acabou por acontecer, mas também não podia ser de outra forma! Caos de agitação da massa humana, nada de desordem. Pura catarse.

Twin Stoners. Créditos: Global News

Os Grindead aproveitaram o palco para apresentar alguns dos temas que integram o seu primeiro álbum de estúdio, intitulado «Culture Decline, Machines Arise», que sairá em Maio. As guitarras abrasivas, a voz cavernosa e o ritmo intenso dos Grindead são uma receita de sucesso junto do público e viu-se como foram bem acolhidos.

Grindead. Créditos: Global News

Pelos três palcos outras bandas passaram, mas… não dá para ir a todas! Entre concertos, ao longo da tarde até a noite começar a cobrir o céu azul, em frente ao Ferro Bar, o colectivo Trash Circus apresentou, por três ocasiões, a sua Performance Cyber Fetish Bunny, que reuniu sempre muito público. Aliás, foi com a primeira performance dos Trash Circus que o Pela Madeira Adentro Fest’22 arrancou, qual exorcismo pascal, por entre luxúria, erotismo e muita perversão e devassidão.

Trash Circus. Créditos: Global News

Uma tarde-noite rua abaixo, rua acima, que encerrou no Ferro Bar com as escolhas musicais de Adolfo Luxúria Canibal, que ocupou a cabine de som madrugada adentro.

Pena apenas o atraso inicial no arranque do festival, pois fez os horários entrarem em roda livre, ficando difícil de perceber quem tocava, onde e a que horas. Ainda assim, foi uma Páscoa muito interessante e intensa para todos os que foram até à Rua da Madeira, a avaliar pelos sorrisos que a esmagadora maioria exibia.

Pela Madeira Adentro Fest’22. Créditos: Global News

Por isso, é caso para perguntar: Ainda falta muito para a Páscoa 2023?

Rua da Madeira. Créditos: Global News