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Mesmo sendo apresentado com dois instrumentistas a acompanhar o protagonista (Gabriel Muzak na guitarra e Felipe Bastos na bateria) , este é um espectáculo cuja tipologia é a de um monólogo. João Miguel Mota encarna um naipe de personagens, partindo no entanto de uma matriz tributária, a do músico brasileiro Cazuza (Rio de Janeiro, 4 de abril de 1958 – 7 de julho de 1990): cantor, poeta, compositor e letrista, personagem multifacetado e polémico quanto baste e cuja vida foi um fogacho de agitação e frenesim. O célebre líder da banda Barão Vermelho é uma evocação permanente, mas não está só no desfile.

Os retratos em registo de pose expressiva de artistas e celebridades que morreram vítimas de SIDA, tal como Cazuza, são extensos e revelam-se através de uma sucessão de cenas correspondentes a molduras individuais de homenagem: desde António Variações a Freddie Mercury, Liberace, passando por Keith Haring e muitas outras figuras. “Não há uma narrativa cronológica. Na verdade, trata-se de um espectáculo-concerto, precisamente com um alinhamento de um concerto, onde podiam estar inseridas outras cenas.”, começa por sustentar o actor e criador da peça João Miguel Mota, auxiliado no apoio e pesquisa dramatúrgica por Raquel S e na direcção de actor(es) por Romeu Costa.

“A Cara da Morte Estava Viva” que o Teatro Constantino Nery acolhe hoje, sexta-feira, 13 de Setembro e amanhã, sábado, dia 14, é um trabalho teatral que consagra de igual modo a preocupação do intérprete em ter atingido o estatuto de quarentão há cerca de dois anos. “A questão dos 42 anos e do balanço do que fiz até aqui e ser de certa forma forçado a pensar mais a sério sobre a vida”, como sublinha, foram determinantes para a criação da peça. E atira, de forma taxativa: “O Cazuza nunca teve 42 anos!”.

O cenário é uma Supernova, domínio místico e astronómico muito apropriado para o cortejo de estrelas que afinal pisam o palco (concepção a cargo de Catarina Barros). O projecto do espectáculo andou a marinar na cabeça do autor durante 15 anos, até que Gonçalo Amorim, o responsável artístico do TEP – Teatro Experimental do Porto (que reparte os créditos da produção com o Teatro Constantino Nery) convidou, em jeito de desafio, João Miguel Mota a fazer a transposição da ideia para o estrado. É isso que se pode ver hoje e amanhã às 21h30.

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