É um mundo preenchido pela fantasia e imaginação, este a que Lewis Carroll – pseudónimo de Charles Lutwidge Dodgson – nos transporta pela mão de “Alice”. Um clássico que a Jangada Teatro apresenta em estreia amanhã, sexta-feira, 9 de Novembro, pelas 21h30 (sábado 10 à mesma hora e domingo 11 às 16h00) no Auditório Municipal de Lousada. Numa abordagem bem ao estilo de um musical e também com as marionetas a assumirem protagonismo, “Alice no País das Maravilhas” adopta, neste caso, a versão simplificada de “Alice”, muito simplesmente.

A génese da queda de Alice na toca do coelho que a transporta a ela, e a nós enquanto espectadores, rumo a um universo habitado por seres bizarros, é na essência a pedra de toque para o domínio do absurdo que povoa os sonhos. A dramaturgia da peça vive desta lógica desconcertante: a dos animais que se arrogam a características dos seres humanos, numa teoria antropomórfica que namora de muito perto a fábula.

À parte esta ideia genérica referenciada, nesta versão em particular, tudo começa em termos da trama com Alice a passear de barco acompanhada do seu Tio Lewis. A determinada altura o tio ao mostrar o relógio a Alice não repara que surge um coelho, que anda sempre atrasado, e que aproveita para o roubar, a ver se finalmente chega a tempo da festa do chapeleiro. Alice segue em perseguição do coelho para recuperar o relógio. Em confronto com estas personagens, a protagonista constata que as mesmas vivem submetidas à maldição do tempo. A Alice caberá a libertação do jugo da rainha maléfica.

A metáfora do tempo que, como sabemos, faz cada vez mais sentido num dia-a-dia feito de um “corre corre” contínuo e voraz, este vórtice cronológico que nos tolda a visão das coisas, é uma peça dedicada às crianças, mas talvez de um certo modo também esteja muito vocacionada para os adultos, sobretudo para estes reflectirem o quanto andam distraídos daquilo que é realmente essencial.

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